Portland: passeios, restaurantes, hotéis, hipsters e mais

Distância de outras cidades: Troutdale, 25,8 km; Salem, 77 km; Dallas, 100 km; Eugene, 179,5 km; Meford, 442 km.

Dona do maior parque urbano arborizado do mundo, campeã americana de gente sobre bikes e coffee shops, lotada de cervejarias artesanais, food carts e livrarias independentes, Portland se transformou em um dos lugares mais legais para visitar nos Estados Unidos.

A cidade é hoje um dos maiores refúgios hipster americanos – briga pelo título de primeiro lugar com Austin, no Texas, em quesitos rigorosos, como número de lojas de discos de vinil, porcentagem de habitantes empregados no setor de artes, quantidade de brechós e número de cafeterias.

Muito hipstericamente também, Portland é a cidade com maior percentual de pessoas que circulam e vão ao trabalho de bicicleta nos Estados Unidos – sua pequena extensão permite ganhar as vias sobre duas rodas facilmente. São mais de 500 quilômetros de ciclovias distribuídas por uma metrópole feita na medida para ser conhecida vagarosamente, cruzando suas 12 pontes (que passam pelos rios Willamette e Columbia), caminhando pelo Waterfront Park, uma espécie de calçadão à beira-rio de onde se pode ver os nem tão altos edifícios da cidade, a oeste, e as áreas verdes, a leste.

No total, Portland tem cerca de 279 parques municipais no seu entorno, cheios de vegetação e de lindas árvores – o que explica o recorde mundial anotado ali de 951 pessoas num abraçaço de árvore. Um dos parques mais frequentados é o Forest, a dez minutos do Centro, o maior parque urbano arborizado do mundo. Ali, é possível caminhar, andar de bicicleta ou apreciar a vista do Rio Willamette. E não estranhe se alguém te cumprimentar: ser receptivo é uma marca local.

O maior orgulho dos moradores é o International Rose Test Garden. Dentro do Washington Park, o jardim cultiva 10 mil roseiras de mais de 500 variedades (de cores e tamanhos inusitados) e foi fundado, em 1917, para preservar espécies europeias que poderiam ser dizimadas com os bombardeios da Primeira Guerra Mundial. O parque também abriga um zoológico (o Oregon Zoo) e um museu infantil, o que torna o passeio uma ótima opção com crianças.

Com esse mundo de verde (são cerca de 44 quilômetros no total), Portland ainda se dá ao luxo de abrigar o menor parque do mundo, com apenas 61 centímetros de diâmetro. Criado em 1948 em homenagem ao Saint Patrick Day, por causa da colônia irlandesa na cidade, o Mill Ends Park fica no Centro e virou uma grande (ou nem tanto) atração local.

Comida à la cart

“Pequeno” donut no Voodoo Doughnuts (Travel Portland/Divulgação)

Por ser uma cidade de pessoas nas ruas, Portlândia (como é carinhosamente conhecida) viu sua cultura urbana se expressar em costumes como a alimentação. Os food carts, ou carrinhos de comida, se espalharam por áreas em que a concentração de pessoas é maior (como o cruzamento da SW 5th Street com a SW Oak Street) para matar a fome de quem está em trânsito. Calcula-se em 500 o número deles em toda a cidade, oferecendo de receitas tradicionais da Polônia a culinária tailandesa, de tacos mexicanos a arepas da Colômbia. E o melhor de tudo é que é possível fazer uma refeição por menos de US$ 10 – e a qualquer hora do dia, já que muitos abrem até de madrugada.

Aplicativos (como o Cart Compass ou o Food Carts Portland) podem ser baixados para conferir no celular a opção que mais agradar no menu de ofertas tão vastas. Mas a regra que vale é: quanto maior a fila, mais vale a pena esperar. Alguns food carts passaram a fazer tanto sucesso na cidade que tiveram que sair das ruas em busca de estruturas maiores. É o caso do Lardo, que serve alguns dos melhores sanduíches de carne de porco de Portland e hoje tem três unidades.

Para conseguir a sobremesa mais tradicional da cidade, também é preciso enfrentar fila. A Voodoo Doughnuts se tornou conhecida por fazer as rosquinhas americanas em receitas que vão de chocolate a bacon, de toda sorte de frutas a recheios com adição de pimenta-caiena. Vale provar porque, além de alguns serem mesmo gostosos, talvez seja o negócio que melhor conseguiu traduzir a excentricidade de Portland, ao mesmo tempo cool e comercial, industrializada e artesanal.

Cerveja do bem

Portland é famosa por suas cervejas artesanais (Travel Portland/Divulgação)

Se a ideia é mais beber do que comer, o destino é mais que certo. Principalmente para os fãs de cerveja artesanal. A capital do Oregon é considerada hoje uma das cidades com a maior quantidade de cervejarias do mundo, ultrapassando até mesmo cidades alemãs. São cerca de 54 só na área urbana, muitas delas com bares próprios para encher os copos dos clientes com a bebida vertida diretamente dos barris (o costume da tap beer, como eles chamam o chopp, é bem comum por lá). É possível conhecer as instalações das cervejarias e terminar a visita da melhor forma: degustando.

Agora, se o objetivo for mais generoso em provar as bebidas de mais cervejarias, a cidade também abriga bares ou pubs como o Horse Brass, com mais de 50 opções servidas “na torneira” dos mais diversos estilos – quase todos eles locais.

Também há uma efervescência de bares voltados à coquetelaria clássica, que, cada vez mais, utilizam brandies, vodcas, uísques e gins produzidos na própria Portland por microdestilarias artesanais, como a House Spirits, localizada no Centro. Um dos mais premiados bartenders do país também atua na cidade, à frente do Clyde Common e do Pepé Le Moko, bares que funcionam colados ao Ace Hotel e onde é possível tomar negronis, martínis e daiquiris inesquecíveis.

Nem os bares escapam do espírito do “do bem” de Portland, cidade com mais instituições sem fins lucrativos per capita de todos os Estados Unidos – outro título que Portland gosta de ostentar. No The Oregon Public House, por exemplo, todo o lucro do que que é consumido ali (de cervejas a comida) vai para instituições de caridade da cidade que o próprio cliente pode escolher, entre uma lista que varia mensalmente. Em que outra capital no mundo isso é possível?

Na escala hipster, aliás, nenhuma rival americana bate Portland no quesito café: a cidade tem mais cafeterias per capita no país e abriga quase 900 delas.

Há redes, claro, como o Starbucks, mas existem também estabelecimentos independentes que têm por objetivo servir cafés de altíssima qualidade. Para isso, investem na própria seleção e torrefação dos grãos, como a Stumptown, que compra café de países como Guatemala e Etiópia e tem seis unidades na cidade (e lojas em NY e Seattle), ou a Coava, que trabalha apenas com grãos single origin, nada de blends.

O hábito do café, dizem alguns, também tem a ver com o clima de Portland: como chove muito por ali, os moradores (e os turistas) acabam buscando abrigo nas cafeterias até que as nuvens se esvaiam. Por isso, muitas coffee shops passaram a agregar mais do que servir café: há aquelas que também funcionam como lavanderia (como a Spin Laundry Lounge) ou até como loja de decoração (como é o caso da Water Avenue Coffee).

Cultura nonstop

Exposição na Powell’s City of Books (Travel Portland/Divulgação)

Para alimentar a mente, Portland também é pródiga – e invariavelmente exagerada. No Centro, fica a Powell’s City of Books, a maior livraria independente dos Estados Unidos. Chamá-la de cidade não é exagero: a Powell’s abriga cerca de um milhão de livros de todos os tipos, com raridades e edições específicas. Para não se perder, há um mapa e um aplicativo de smartphone (grátis) que mostra todas as seções. Também espanta a diversidade de autores locais (muitos deles publicados de forma independente, claro) dispostos nas prateleiras, o que indica uma cena literária muito particular, que promove leituras e discussões de livros todas as noites por Portland. Na Powell’s, também, é possível vender seus livros antigos como crédito para outras aquisições.

Se quiser estender a programação cultural, a poucas quadras dali há cinemas com boa seleção de filmes cult, alternativos e estrangeiros, como o Living Room Theatre, que também oferece uma bombonière mais caprichada que as dos cinemas comuns: é possível petiscar tapas como tortillas e alcachofras marinadas e tomar um latte machiato feito por um barista.

No Bagdad Theater ou no Mission Theater, há opções de cervejas artesanais da McMenamins (cervejaria que também tem restaurantes e bares na cidade) para acompanhar a pipoca, e a programação de películas traz novos e velhos clássicos, como Grease ou Godzilla.

No Pearl District, a vizinhança mais hipster de Portland, também há opções imperdíveis, como o First Thursdays, evento que acontece toda primeira quinta-feira do mês e reúne galeristas e artistas locais em exposições de arte. Outro programa imperdível é o Mississippi Studios, que tem shows todos os dias, de country music a bandas de punk rock, de produtores eletrônicos a cantores de jazz.

Às quartas, circula pela cidade o Portland Mercury, um tabloide gratuito com toda a programação cultural local que vale a pena conferir. “É a seleção para quem quer conhecer tudo o que Portland tem de curioso”, explica o caixa da cafeteria, que toca guitarra em um coletivo de drone metal e ia se apresentar naquela noite, quando, assim como outros moradores da cidade, assumiria sua outra identidade.

 

GUIA VT

Ficar 

Na área central, o Ace Hotel, com quartos compartilhados e individuais, tem ótima localização, com cafeteria (Stumptown) e restaurante (Clyde Common) ao lado. Também no Centro, o luxuoso The Mark Spencer Hotel oferece chá da tarde no quarto. O hotel-butique Jupiter, na parte leste da cidade, recebe animais de estimação.

River Place Hotel é perfeito para casais, com ótima localização no Centro e vista para o lago. Já o Hotel Monaco é mais adequado para famílias, com iniciativas pet friendly e SPA.

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Fazer

Atravesse de bike ou a pé uma das pontes da cidade para poder ter a vista do Rio Willamette. Há também a opção de navegar pelo rio em barcos que ainda oferecem refeições. Para ver Portland de cima, pegue o teleférico Go By Tram. Originalmente concebido para levar passageiros até o hospital local, virou atração turística.

O Jardim Japonês é considerado um dos mais belos do mundo fora do território asiático, com uma casa de chás utilizada para demonstrações e ocasiões especiais. Ao todo, são cinco ambientes que incluem arbustos de azaleias, areia, cachoeiras e trilhas de fácil acesso. O lindo Lan Su Chinese Garden é outra ótima pedida para os visitantes, perfeito para relaxar.

A St. Johns Bridge possui fácil acesso e oferece uma bela visão da cidade – propícia a passeios de casais que adoram andar de mãos dadas. Durante a estadia, se tiver tempo, dê um pulo nas Multnomah Falls – cataratas localizadas em Troutdale, a apenas 30 minutos de carro de Portland.

Também vale dar um pulo no Portland Art Museum, com acervo de artistas importantes como Monet e Degas. Termine o dia na Old Town – bairro boêmio que abriga a gigantesca Portland Saturday Market, a maior feira de arte e artesanato dos Estados Unidos, e que também inclui muitos bares bacanas.

Em julho, aproveite o Festival de Cervejeiros, que ocorre no Tom McCall Waterfront Park.

Comer

O Pok Pok, de comida tailandesa do chef Andy Ricker, ficou tão famoso que ganhou até filial em Nova York. O segredo é a culinária típica e o ambiente aconchegante e casual. O cardápio é extenso; então, peça o que lhe parecer mais apetitoso – mas de olho nos avisos de picância – e chegue cedo. O Bollywood Theater oferece comida indiana com pegada gourmet: estão lá os curries e os temperos, mas em pratos servidos com bastante arrojo.

Também não dá pra perder o Olympic Provisions, que começou fazendo seus próprios embutidos e se tornou uma rede que produz mais de 3 mil quilos de curados por dia, todos muito bons. O Tin Shed Cafe, por outro lado, é um clássico e tem muitas opções de lanches e brunches.

Comprar

No Centro, estão lojas como Nike, H&M, Apple, Macy”s, Forever 21, entre outras, quase sempre em volta do Pioneer Place Mall, grande shopping com outras delas. Ali perto, aos sábados e domingos, acontece o Saturday Market, uma feirinha que reúne artesanato, comida, música e decoração. Para lojas mais autênticas, vá ao Alberta Art District, com itens de arte, moda e grifes locais. Vale lembrar que Portland, assim como todo o Oregon, é tax free.

Prepara!

 

Melhor época

O verão (junho/setembro) é a melhor época. No restante do ano, chuvas e garoa são rotineiras.

Dinheiro

Dólar.

Língua

Inglês – sem tanta gente falando espanhol, como no sul do país.

Fuso

-4h (horário de Brasília).

Saúde

Nenhuma vacina específica é necessária para entrada no país

Documentos 

É necessário que passaporte seja válido pelo período de permanência nos EUA. Visto também é exigido. Saiba como tirar o visto americano aqui.

Por Rafael Tonon

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