Austin: passeios, restaurantes, SXSW e mais

Site: https://www.austintexas.org/travel-professionals/

População: 790.390 habitantes

Pouca gente sabe: a capital do Texas é Austin, embora as vizinhas Dallas e Houston, as duas maiores do estado, sejam bem mais conhecidas. A informação não é aleatória. Diz muito a respeito de uma cidade que virou um dos maiores polos de tecnologia dos Estados Unidos, promove o maior e um dos mais vibrantes festivais de inovação do mundo, tem uma cena musical aberta e fértil – mas, apesar de tantas qualidades gritantes, cultua seu lado low profile.

Mais que isso, prefere até manter uma aura meio estranha. O slogan oficial local é “Keep Austin weird” (algo como “Mantenha Austin esquisita”) e aparece em ecobags e camisetas usadas por moradores, em adesivos nos restaurantes, em lojas para turistas. Sim, “terra de contrastes”, o aposto mais lugar-comum de todos os tempos, se encaixa direitinho em Austin.

No meio do conservador Texas, Austin é uma das cidades mais vibrante dos EUA – efeito de uma mistura de caubóis, universitários, nerds e modernosos (Jeff Gardner/Getty Images)

E tome contrastes. A cidade no meio do árido e conservador Texas se equilibra entre a tradição local e o eletrizante mundo novo, muito por causa de um movimento recente. Nos últimos anos, uma penca de startups e grandes companhias de tecnologia abriram operações ali. Da sede americana da Dell à Apple, de um centro de pesquisas da IBM ao Facebook.

Juntas, as empresas do ramo fizeram crescer em mais de 70% as vagas de trabalho na região – o que atraiu novos tipos de morador, entre hipsters, geeks e novidadeiros em geral.

A leva se juntou aos funcionários públicos de meia-idade, à população universitária (a Universidade do Texas, baseada ali, é um dos maiores campi do país), aos adeptos ferrenhos do Partido Republicano (a família Bush é do estado, lembra?) e aos caubóis do asfalto que montam em caminhonetes com chapéu na cabeça e arma na cintura, já que o porte ali é legalizado. Pronto, deu em Austin – hoje uma das cidades mais vibrantes dos EUA.

Austin, Texas

(Christian Science Monitor/Getty Images)

Se não tem necessariamente orgulho do título de capital do estado, Austin briga pelo de capital da música ao vivo. Para cada honky tonk (os bares de música country), oferece uma dúzia de bares e casas noturnas com repertório eclético: rock, indie, jazz, folk, ritmos latinos.

A cidade é o lugar com mais palcos de música ao vivo nos Estados Unidos e inúmeras bandas se apresentam todos os dias do ano. E não é raro ver artistas se apresentando na rua, no aeroporto e nas praças de Austin.

Placa 6th street Austin, Texas

(Brandon Seidel/Getty Images)

A região da 6th Street agrupa a maior parte dos bares e baladas. Alguns deles com a rígida regra de não permitir covers – sabe como é, as bandas precisam ter suas próprias convicções. Numa caminhada pela rua, é difícil decidir onde entrar. Os sons saem pelas janelas e portas das casas vizinhas e viram uma confusa cacofonia.

O Dirty Dog tem uma seleção mais rock; o Elephant Room (a poucas quadras, na South Congress Avenue) é um bar intimista com apresentações de jazz clássico. Os locais dizem que é possível passar ali um ano sem repetir um show sequer.

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Orgulho local, a música contribuiu para colocar Austin no mapa cultural do mundo. Na década de 1980, o festival SXSW (abreviação de South by Sowthwest) nasceu para lançar bandas locais promissoras. Com o tempo, cresceu horrores. Ganhou programação de filmes e, já nos anos 2000, passou a ter um braço de tecnologia e criatividade. Hoje é o maior encontro de inovação do mundo. Recebe webgurus, pioneiros da economia criativa, nomões de áreas como novas mídias e finanças.

Festival SXSW, Austin, Texas

Uma das festas que animam o festival SXSW, que começou divulgando pequenas bandas e virou o maior e mais disputado encontro de inovação do planeta (Kris Krüg/Flickr)

Por causa do megafestival, a cidade acolhe, todos os anos, cerca de 50 mil visitantes de mais de 100 países, uma gente sedenta por descobrir tendências que estarão no mercado em breve. “É impressionante o que conseguimos discutir e gerar de conteúdo a cada edição. Só em 2016 foram mais de 1300 palestras de criatividade, temas que serão digeridos até o festival de 2017”, definiu Hugh Forrest, CEO do SXSW Interactive.

Um evento tão superlativo, claro, deixa marcas no lugar. Os visitantes que lotam o Convention Center e os hotéis também forçam as ofertas turísticas – e até contribuem para a atmosfera geral de Austin, bem cordial.

Allen Boots

(Gavin Hellier/Getty Images)

Um passeio pela South Congress Avenue, logo depois de cruzar o Rio Colorado, é prova disso. Ali fica o distrito cultural e de lojas ecléticas apelidado de SoCo. É possível encontrar lojas de botas feitas sob medida, vitrines de Allens Boots (as botas longas usadas pelo pessoal da música country) ou um antiquário-brechó que vende os objetos mais estranhos que você seria capaz de encontrar – de insetos mortos em caixinhas a bombas de postos de gasolina. Não à toa chamada Uncommon Objects, a enorme e organizadíssima loja é uma perdição para desbravadores de relíquias.

Mais pra frente, a Goorin Bros. Hat Shop vende todas as variáveis de chapéu. A Big Top Candy Shop é uma incrível doceria vintage que oferece caramelo de todos os sabores e uma prateleira de chocolates do mundo todo feitos com cacau de origem, orgânicos e fair trade. E ainda tem uma soda italiana para se refrescar do calor que faz na cidade quase o ano todo.

Muro Greetings from Austin

A atmosfera na cidade é cordial e gregária – como mostram as saudações aos visitantes estampadas nos muros grafitados e os inúmeros eventos que invadem ruas e parques (Magalie L'Abbt/Getty Images)

Herança mexicana

Por razões históricas (a partir de 1821, o estado pertenceu por 14 anos ao México) e por causa das ondas migratórias, o Texas tem uma poderosa influência mexicana. Em Austin, essa herança é também muito visível na culinária. Em versão tex-mex, a comida de origens mais misturadas ou nos formatos mais tradicionais, a gastronomia do país vizinho é um hábito.

Os breakfast tacos se tornaram um icônico costume local, servidos em cafeterias e food trucks. Na South Congress Avenue, a Güero’s, uma das mais famosas taquerías da cidade, tem clima de cantina mexicana com decoração meio kitsch e velhas fotos nas paredes – algumas resgatadas das gavetas de dona Adelita, a proprietária e responsável pelas deliciosas preparações ali.

Os pratos chegam como num restaurante do interior do México, com arroz e feijão. Mas os tacos, meu amigo, esses sim valem a visita. Vá de taquitos del rancho, com carne de porco, escabeche de repolho roxo, cebolas e uma cremosa salada de avocado. Há também o de frango al carbón, marinado em achiote (uma espécie de colorau) e suco de laranja. É de querer beijar as mãos de dona Adelita, que deixou o país natal para tentar a vida depois da fronteira e criou seu restaurante em homenagem às mulheres da Revolução Mexicana.

Austin é informal e cheia de pedestres, mesmo tendo um transporte público eficiente. Um habitat perfeito para a proliferação das vans de comida. Dos bairros mais centrais aos mais remotos, elas estão por toda parte. Há mais de mil food trucks por lá, servindo de queijos quentes feitos com ótimo pão de fermentação natural (no caso do Burro Cheese Kitchen) até frangos fritos do Tennessee.

Entre os mais de mil food trucks da cidade, há achados como o Burro Cheese Kitchen, que serve queijos quentes com pão de fermentação natural (Divulgação/Divulgação)

A cultura da comida sobre rodas fez com que alguns empreendedores prosperassem, como é o caso de Bryce Gilmore. Depois de transformar seu Odd Duck num dos melhores food trucks da cidade, ele abriu seu restaurante na região de Zilker, onde amplia o uso de ingredientes frescos de produtores locais em receitas leves e inventivas – como a panqueca com ovo, morangos silvestres e granola.

Mesmo com as novas propostas culinárias, pesa em Austin a tradição do barbecue texano, que nessa região do estado é feito com a carne esfregada em especiarias e cozida lentamente na lenha por fogo indireto – para que fique bem tenra e defumada, até descolar do osso.

Prato do Odd Duck, Austin, Texas

Prato do Odd Duck (Austin Convention and Visitors Bureau/Reprodução)

Um dos mais tradicionais na cidade é o Iron Works BBQ, na região central. Ali os cortes clássicos, como o brisket (o peito do boi) e as famosas costelas de porco, são servidos em porções generosas com as guarnições que o cliente preferir, entre salada de batata e coleslaw (salada bem molhada de repolho com cenoura) ou espiga de milho.

Texanos são loucos por carne. É uma instituição culinária que eles se orgulham de fazer bem. Um pouco afastado do centro de Austin, o Franklin Barbecue é, talvez, o lugar mais famoso do mundo para se provar as carnes ao estilo do Texas Central. Desde 2009, quando abriu as portas, Aaron Franklin ganhou repercussão internacional por seu brisket perfeito.

Franklin Barbecue, Austin, Texas

As carnes perfeitas do Franklin Barbecue, tão famoso que tem filas que começam na madrugada (Jennifer Gandin/Flickr)

A carne vem de bois sem confinamento, é temperada com pimenta e sal e permanece na pit – a churrasqueira texana – entre 12 e 18 horas, cozinhando na “fumaça” da lenha. O apresentador Anthony Bourdain declarou que foi a melhor que já comeu na vida. Outros críticos disseram o mesmo. E as receitas tecnicamente perfeitas de Franklin viraram as mais desejadas dos EUA.

Duvida? O restaurante abre às 11 da manhã, mas os clientes começam a fazer filas a partir das 5 horas. Levam cadeiras, baralho, cerveja – alguns passam a madrugada dirigindo até lá. A razão pela qual as pessoas viajam quilômetros e esperam mais de seis horas para comer um pedaço de brisket é uma das incógnitas que ajudam a manter Austin como uma cidade bastante curiosa. Ou seria melhor dizer esquisita?

Festival de pipas, Austin, Texas

Festival de pipas que acontece todos os anos, em março (Bruce Lemons/Divulgação)

Onde ficar

O Centro é a melhor localização: perto de tudo, tem transporte público para todos os lugares – apesar de dar para fazer tudo a pé e até pegar um pedicab (as bikes-táxis locais). O melhor hotel com vista é o Four Seasons (98 San Jacinto Boulevard), às margens do Rio Colorado e área externa cheia de restaurantes. O Saint Cecilia Hotel (112 Academy Drive) é um hotel-butique com só 14 apartamentos (todos diferentes) e uma piscina que vale a hospedagem. O Firehouse (605 Brazos Street) é um hostel descolado, com quartos privativos (de duas a quatro pessoas) e compartilhados (para mais de seis), além de um bar com bons chopes e música.

Onde comer

Além do Güero’s (1412 South Congress Avenue), há outras ótimas opções de comida mexicana: comece o café da manhã no Maria’s Taco Xpress (2529 South Lamar Boulevard) pra provar o legítimo breakfast taco, com chorizo, bacon, feijão, ovos e abacate. O Mi Madre’s Restaurant (2201 Manor Rd.) serve as melhores enchiladas da cidade. O Tamale House East (1707 E 6th St.) tem o melhor, ops!, tamale. Outra proposta é o Easy Tiger (709 E 6th St.), mistura de padaria e biergarten, onde é possível tomar ótimas cervejas e comer sanduíches deliciosos num pátio aberto e com mesas de pingue-pongue.

Onde passear

Austin abriga o maior capitólio do Texas, uma construção feita de granito rosa ainda mais peculiar que o seu “primo” de Washington. Em volta do prédio, há uma área verde em que os locais aproveitam o sol e se exercitam. Austin tem ótimos parques, como o Zilker Park, que, além de abrigar um Jardim Botânico, atrai visitantes pela piscina natural de Barton Springs. Outra pedida para os dias mais quentes é a Hamilton Pool, uma espécie de caverna com área aberta e uma cachoeira linda.

Capitólio, Austin, Texas

Rodeado por áreas verdes, o Capitólio é de granito rosa (Nkbimages/iStock)

Onde comprar

O Whole Foods Market nasceu em Austin e depois se espalhou pelos Estados Unidos inteiro, ganhando uma multidão de fãs. Na primeira loja da rede, além de restaurantes e áreas para comer, é possível encontrar produtos locais (filosofia da marca) como as barrinhas de cereais dos Bearded Brothers (que saciam como uma refeição) até uma infinidade de destilados sensacionais pra abastecer o bar. Na cidade da música, a Waterloo Records (600A N Lamar Blvd.) é um oásis, com discos de segunda mão, uma prateleira lotada de LPs e raridades mil. Já a Tesoros Trading Company (1500 South Congress Avenue) tem as lembrancinhas que você não pode deixar de levar, o presente de aniversário que tinha esquecido e até as peças de decoração perfeitas pra sua casa, além de artesanatos mexicanos e outros mimos legais.

Língua: Inglês

Moeda: Dólar americano.

Melhor estação: O verão é escaldante, entre junho e agosto. Em março, acontece o SXSW, e a cidade fica lo-ta-da. Abril e maio têm tempo melhor. Mas durante o ano todo a música não para!

Fuso horário: -2h (horário de Brasília).

Saúde: Nenhuma vacina específica é necessária para entrada no país.

Documento: o visto é exigido para entrada.

Por Rafael Tonon

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