‘O Agente Secreto’: roteiro pelas locações do filme em Recife
Descubra os principais cenários do longa de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar em quatro categorias
Depois da aclamação de Ainda Estou Aqui no ano passado, chegou a vez de O Agente Secreto fazer história em Hollywood. O filme de Kleber Mendonça Filho concorre a quatro estatuetas do Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco (categoria instituída este ano) e Melhor Ator para Wagner Moura. A cerimônia de premiação acontece em Los Angeles no dia 15 de março. O filme já venceu o Globo de Ouro como Melhor Filme Internacional e Melhor Ator.
O impacto do longa vai além das estatuetas, sobretudo no Brasil que torce massivamente nas redes sociais. Em O Agente Secreto, Recife não é apenas pano de fundo, mas um personagem da história.
Ambientado nos anos 1970, em plena ditadura militar, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), professor e pesquisador que retorna à capital pernambucana tentando escapar da repressão. O que encontra, no entanto, é uma cidade atravessada por tensão política e ruídos do cotidiano. Fusca amarelo, ruas cheias durante o Carnaval, filas, cinemas de rua, prédios antigos… Tudo se articula para construir uma Recife que respira história e resistência.
A seguir, veja as principais locações do filme:
Parque Treze de Maio
É no Parque Treze de Maio que O Agente Secreto flerta de forma mais aberta com o fantástico. Em uma das áreas verdes mais tradicionais do Centro do Recife, o filme conta com uma sequência inspirada na lenda da Perna Cabeluda, um mito urbano que atravessou gerações e marcou o imaginário pernambucano nos anos 1970.
À primeira vista, a cena registra pessoas envolvidas em relações sexuais ao ar livre. Aos poucos, porém, o filme escorrega para o estranho: a narrativa passa a ser tomada por uma perna que ataca os frequentadores do parque, até que fica claro que tudo nasce da leitura de uma notícia de jornal – o que não surpreende, já que histórias como essa, ou como o célebre caso do bebê-diabo do ABC, eram comuns nas páginas impressas da década de 1970.
Inaugurado em 1939, o Parque Treze de Maio surge no filme como um espaço de convivência, mas também de projeção dos medos coletivos. Lá, o extraordinário se mistura à rotina, reforçando a ideia de que, naquela Recife, a sensação de ameaça vinha também do que se dizia e se acreditava.
Cinema São Luiz
Ícone do cinema de rua recifense, o Cinema São Luiz também funciona como um personagem em O Agente Secreto (e também do longa anterior do diretor, Retratos Fantasmas). Inaugurado em 1952, ele aparece em momentos decisivos da narrativa, sendo inclusive o local de trabalho do projecionista Seu Alexandre (Carlos Francisco), sogro de Marcelo. Não por acaso, foi ali que aconteceu a pré-estreia nacional do filme.
Há uma cena especialmente marcante vista de dentro da sala, onde a janela do cinema se transforma numa espécie de tela, enquadrando a cidade de Recife em movimento. A cidade pulsa do lado de fora enquanto, por dentro, o São Luiz reafirma seu papel como arquivo vivo.
Com letreiro branco e letras vermelhas, o São Luiz mantém intacto o charme art déco. As duas colunas da entrada conduzem a um interior marcado por poltronas vermelhas, vitrais coloridos que emolduram a tela e uma arquitetura pensada para impressionar antes mesmo do filme começar.
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Ginásio Pernambucano
No filme, o Ginásio Pernambucano assume o papel de local de trabalho do protagonista. Fundada em 1825, fora das telas a instituição funciona como a escola mais antiga em atividade no Brasil.
Localizado na Rua da Aurora, o prédio chama atenção pelas linhas retas e pelas janelas curvas. Em O Agente Secreto, corredores, salas e o pátio interno da escola são usados como locações para cenas centrais da trama. É ali que começa a cena de perseguição final.
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Chá Mate Brasília
Entre prédios antigos e ruas movimentadas do Centro do Recife, o Chá Mate Brasília também aparece no filme durante o momento de perseguição. Em funcionamento desde 1984, o filme se aproveitou da estética simples e do clima cotidiano do lugar para construir uma cena com o matador contratado para assassinar Marcelo.
A rua onde fica o estabelecimento, cercada por bares e comércio popular, também aparece em cenas de perseguição, ampliando a sensação de movimento e urgência do final do longa. Embalado pela repercussão do filme, o dono do local, José Pinheiro, criou uma bebida em homenagem à produção cujo nome, claro, é Agente Secreto, mas dois dos ingredientes são mantidos em sigilo.
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Vila Santo Antônio
Quase escondida na Rua do Riachuelo, no bairro da Boa Vista, a Vila Santo Antônio costuma passar despercebida por quem cruza o Centro do Recife. No filme, o local abriga a vila dos refugiados, onde o protagonista encontra acolhimento e o gato de duas cabeças. Formado por um conjunto de casas construídas nos anos 1940, o espaço preserva um ritmo próprio.
A vila ganha força especialmente nas cenas com Dona Sebastiana, a impagável Tânia Maria. Com atuação natural e bem-humorada, a personagem marcou o público ao surgir na entrada do local, pitando um cigarrinho com elegância – uma imagem que remete aos clássicos do cinema.
Embora a comunidade seja representada pela Vila Santo Antônio, o apartamento do protagonista fica no Edifício Ofir, na Zona Norte do Recife. No filme, Marcelo chega ao prédio durante o Carnaval, com uma orquestra de frevo invadindo o quintal.
Porto do Recife
O Porto do Recife também faz parte dos cenários, servindo como ponto de encontro para personagens chave. As cenas foram gravadas no terminal marítimo e em um dos armazéns do ancoradouro. É ali que a trama reúne Augusto (Roney Villela), Bobbi (Gabriel Leone) e Vilmar (Kaiony Venâncio).
Edifício Trianon
O Edifício Trianon aparece quando Marcelo observa a paisagem de Recife pela janela do cinema São Luiz. De frente para o Rio Capibaribe, na Avenida Guararapes, o prédio surge colado à Ponte Duarte Coelho, estando integrado à paisagem central da cidade.
O local já abrigou a Transportadora Campina Grande, ponto de saída de viagens rumo ao interior da Paraíba. O endereço é marcado por deslocamentos e partidas, e o filme recupera isso como um fragmento da memória urbana.
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Explore o cinema de Kleber Mendonça numa rota por Recife
É possível explorar a capital de Pernambuco pela rota cinematográfica “A cidade no cinema de Kleber Mendonça Filho”, disponível no aplicativo Roteo (disponível para iOS e Android). O percurso reúne nove pontos icônicos de Recife, conectando o visitante às cenas de O Agente Secreto e de outros filmes do diretor, como Retratos Fantasmas, Aquarius e Recife Frio. Veja os locais:
- Parque Treze de Maio – O Agente Secreto;
- Cinema São Luiz – O Agente Secreto e Retratos Fantasmas;
- Cine Teatro do Parque – palco da pré-estreia de O Agente Secreto junto com o Cinema São Luiz;
- Edifício Trianon – O Agente Secreto e Retratos Fantasmas;
- Cine Veneza – Retratos Fantasmas;
- Cine Art Palácio – Retratos Fantasmas;
- Ponte da Boa Vista – O Agente Secreto, Recife Frio e Retratos Fantasmas;
- Cinema Moderno – Aquarius e Retratos Fantasmas;
- Restaurante Leite – Aquarius.
No app, cada ponto traz um vídeo com detalhes do local e imagens das cenas dos filmes. Recursos de realidade aumentada permitem enxergar a cidade de maneira mais próxima, transformando ruas, praças, cinemas e edifícios históricos em memória viva.
A rota transforma o roteiro turístico numa imersão no Recife dos anos 1970 e nas obras do diretor. Para acessar, basta baixar o Roteo e buscar “A cidade do cinema de Kleber Mendonça Filho”, depois disso é só seguir pelas ruas da capital pernambucana.
Além do Roteo, a agência La Ursa Tours oferece um roteiro que passa pelo Parque Treze de Maio e pelo Cinema São Luiz, incluindo também paradas no Ginásio Pernambucano e no Chá Mate Brasília, com histórias e curiosidades da cidade contadas por um guia de turismo (R$ 40 por pessoa).
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