Viagem no Tempo Por Blog Giovanna Fontenelle é estudante de jornalismo e história e, às vezes, não sabe se vive no presente, no passado ou nos planos de viagens futuras. Leva uma bagagem de conhecimentos inúteis para onde quer que vá

As histórias de três cidades do Brasil que têm origens europeias

Conheça três lugares que conservam as raízes e peculiaridades dos seus antepassados imigrantes

Por Giovanna Fontenelle Atualizado em 6 jan 2021, 11h09 - Publicado em 10 mar 2016, 18h46

A cultura brasileira é maravilhosa e muito preciosa. É uma mistura de diferentes costumes provenientes de várias partes do mundo. É a pluralidade que enriquece o nosso país.

Porém, há cantinhos por aí que ainda guardam suas culturas originais com muito carinho. Para esses imigrantes é importante preservar a memória de antepassados, não perder suas raízes e conservar as peculiaridades que fazem esses lugares serem tão apreciados e únicos no território brasileiro.

A emigração europeia – a que ocorreu durante os séculos 19 e 20 – para o Brasil foi marcada pela fuga de guerras e conflitos que aconteciam no velho continente. As famílias fugiam, chegavam aqui aos montes e acabaram por criar verdadeiras colônias. Hoje, os locais que esses grupos escolheram para se estabelecerem possuem uma atmosfera campestre, gostosa e relaxante, graças à alta qualidade de vida. Aqui vão as histórias de algumas dessas cidadezinhas, para você se encantar e querer ir visitar no próximo feriado.

1. Holambra (SP)

Chuva de pétalas durante a parada do Expoflora, o festival das flores em Holambra (foto: .Vini)Chuva de pétalas durante a parada do Expoflora, o festival das flores em Holambra (foto: .Vini)

Essa cidade já começa curiosa no nome. Holambra é uma palavra que junta as sílabas de outras três: “hol” de Holanda, “am” de América e “bra” de Brasil. Localizada bem pertinho de Campinas, foi fundada oficialmente em 1991, mas sua raiz holandesa data do final da década de 1940, após a fuga em massa de uma Holanda destruída pela Segunda Guerra Mundial.

Cerca de 500 imigrantes neerlandeses aportaram em terras brazucas. Logo começaram a trabalhar com a produção de laticínios com gados holandeses que trouxeram para o país, mas foi com as flores que a cidade floresceu.

Na própria Holanda, o hábito de cultivar flores, principalmente tulipas, é muito forte, – como no Parque Keukenhof em Lisse, que conta com mais de sete milhões exemplares. Assim como o país é conhecido como “o jardim do mundo”, Holambra quis ser o jardim do Brasil e, em 1970, passou a cultivar, produzir e vender flores e plantas. Atualmente, é o maior exportador do produto em toda a América Latina, além de ser responsável por 40% da produção nacional.

É possível visitar floriculturas o ano inteiro, mas é em setembro que o maior evento da cidade acontece. O Expoflora junta exposições das famosas tulipas e outras plantas, além de realizar uma parada, com direito a chuva de pétalas e muita música, artesanato e danças típicas dos Países Baixos.

2. Blumenau (SC)

Barris no Museu da Cerveja, em BlumenauBarris no Museu da Cerveja, em Blumenau (foto: divulgação)

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Casinhas enxaimel e cervejarias já dão uma dica sobre a origem da cidade. Mas, é quando os habitantes abrem a boca que tudo realmente fica claro. Em Blumenau, 53% das pessoas declaram o alemão como a sua língua materna – o restante se divide entre o português (28%) e o italiano (16%).

A imigração de alemães para Blumenau começou graças a Hermann Blumeunau – daí o nome da cidade – que povoou a região com 17 imigrantes que ele trouxe diretamente da Alemanha, em 1850. Esses germânicos enfrentaram muitas dificuldades. Para começo de conversa, a região que eles tomaram pertencia aos índios xoclengues, o que gerou diversos conflitos. Além disso, graças à proximidade com o rio Itajaí, enchentes eram muito comuns na área, o que dificultava a construção de casas.

Com a ajuda do imperador Pedro II, eles conseguiram fazer a cidade crescer. Hoje, Blumenau é um dos principais pontos econômicos do estado de Santa Catarina, devido à grande produção da indústria têxtil que se estabeleceu por lá.

Cervejarias artesanais também são muito comuns e um mercado amplamente explorado. A Oktoberfest de Blumenau é a segunda maior festa da cerveja do mundo, perdendo somente para a edição do evento em Munique. A gastronomia fica por conta de comidas típicas, como o marreco recheado, o joelho de porco (eisbein) e a bisteca defumada (kassler). Grupos de danças e de música animam essa que é uma das maiores festas populares do país. Se passar por lá, não deixe de apreciar o Concurso de Chope em Metro!

3. Bento Gonçalves (RS)

Uvas na vinícola Casa Valduga, em Bento Gonçalves (foto: divulgação)Uvas na vinícola Casa Valduga, em Bento Gonçalves (foto: divulgação)

Durante a unificação que definiu a Itália como país, vários camponeses perderam suas terras para o Estado graças aos altos impostos do governo. Isso deu início a uma grande debandada de italianos para o exterior. Boa parte deles veio para o Brasil devido à demanda de mão-de-obra livre (ou seja, não escrava) para trabalhar nas lavouras e em fazendas.

Foi em 1875 que a região de Bento Gonçalves foi ocupada por italianos. Ali, eles receberam terras, onde podiam morar e plantar tanto para consumo, como para venda. Assim, a economia da área cresceu.

Juntando imigrantes italianos e uma região serrana, não poderia dar em nada se não em bons vinhos! Vinícolas como as grandes Casa Valduga e Miolo promovem degustações e atraem o turismo para a cidade. Os turistas também costumam frequentar o Vale dos Vinhedos, as antigas casas italianas dos Caminhos de Pedra e fazer o passeio de Maria-Fumaça.

Hoje, é a viticultura é a principal atividade econômica da região. Bento Gonçalves leva o título de maior produtora de vinhos de toda a Serra Gaúcha – a qual já é maior área vinífera do Brasil – com cerca de 60% da produção.

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