A rota mais caliente: a história da pimenta pelo mundo

Para mim, pimenta é sinônimo de avó. Daquele jeito arretado de quem nasceu no Piauí e correu muito pelos campos do estado, ela sempre comeu muita pimenta. Muita. Toda vez que ela cozinhava algo diferente, falava “menina, experimenta!” e eu via aquele arrozcomfeijãoefarinha, tudo junto e misturado, e logo abria o bocão para receber, nada mais, nada menos, que uma péssima surpresa: uma garfada cheia de pimenta que penetrava pela comida e me enganava. Eu saia gritando, correndo, e ela dava aquela risada gostosa de vó…

Mas hoje, eu aprendi a gostar de pimenta. Não sei se foi o tempo, a convivência com a minha avó ou o desenvolvimento do meu paladar, mas o fato é que a ardida entrou na minha vida, assim como entrou no prato dos brasileiros: depois de um longo caminho.

Mas e você, gosta de viajar em busca de novos sabores? Temperos ardidos e picantes te fascinam? Ay, ay, ay, que caliente! Então, descubra aqui a história da pimenta e em quais lugares do mundo você pode viajar para encontrá-las.

Sacos de pimentas na Cidade do México (foto: Angélica Portales)

Sacos de pimentas na Cidade do México (foto: Angélica Portales)

Fruto (sim, fruto!) tipicamente americano e originária do México Central, a pimenta vermelha surgiu em torno de 7 mil anos a.C. e logo se espalhou em direção à Bolívia e ao Peru. Na América Central, a espécie pioneira é a Capsicum annuum, mais conhecida como pimentão. Já na América do Sul, a Capsicum frutescens, a famosa pimenta-malagueta, foi a percursora.

Além de ser considerada a planta mais velha em cultivo da América, a pimenta também é uma das mais antigas domesticadas pelo homem. Foi em 5 mil a.C. que ela começou a ser cultivada pelos índios americanos – inclusive pelos maias e astecas. Hoje, há mais de 30 espécies pelo mundo.

Barraca de pimentas em Cuzco, no Peru (foto: iStock)

Barraca de pimentas em Cuzco, no Peru (foto: iStock)

Mas como ela se espalhou pelo planeta? Como tudo que era original do Novo Continente, começou sendo exportada para a Europa durante as Grandes Navegações. O primeiro europeu a conhecê-las foi Cristóvão Colombo, em 1453. Achando que estava na Índia, o navegador procurava pelas “pimentas-pretas” – que hoje chamamos de pimenta-do-reino, especiaria que era muito apreciada no Velho Continente na época – mas acabou encontrando as nossas vermelhinhas americanas.

Um século depois e elas já eram conhecidas nos sete mares. Através dos navios portugueses, foram parar na África e na Europa, onde se concentraram nos Bálcãs. Também começaram a integrar as refeições nos Estados Unidos (a partir do século 17) e, principalmente, no sudoeste asiático.

Pimentas e temperos em um mercado de rua em Bangcoc, na Tailândia (foto: iStock)

Pimentas e temperos em um mercado de rua em Bangcoc, na Tailândia (foto: iStock)

Hoje são largamente cultivadas e têm muita tradição em países como Índia, Filipinas, Indonésia, Malásia, Coréia, Tailândia e China, mas também na própria América Central, sendo bastante consumida no Caribe, na Guatemala e no México – o país sinônimo de comidas apimentadas.

Mas é na cidade de Moruga, em Trinidad e Tobago, que a pimenta mais forte do mundo atualmente é encontrada. A chamada Trinidad Moruga Scorpion atingiu 2.009.231 unidades na Escala de Scoville, batendo o recorde mundial de ardência em plantas.

Agricultor em plantação de pimenta na Índia (foto: Bread for the World)

Agricultor em plantação de pimenta na Índia (foto: Bread for the World)

E o nosso país? O maior produtor mundial da pimenta, até a década de 1990, acredite se quiser, não era o México, mas o Brasil! Acabamos sendo ultrapassados pelos mexicanos, indianos e tailandeses. Entretanto, o fruto ainda é o nosso terceiro tempero mais produzido e consumido no país. Entre as mais plantadas em solo nacional estão as pimentas malagueta, comari, de cheiro e chifre de veado.

Pimentas no Mercado Municipal de São Paulo (foto: Fernando De Santis)

Pimentas no Mercado Municipal de São Paulo (foto: Fernando De Santis)

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