Como é mergulhar em Ilhabela (sendo cadeirante)

Na Ilha das Cabras, dá pra se divertir na boa, é só saber nadar

Era madrugada de terça-feira e a insônia bateu. Volume morto dentro de um copo na cabeceira pra enxaguar as papilas. A mente foi lá em Fernando de Noronha, onde havia mergulhado pela primeira e única vez.

Eureka. Estava impedido de percorrer 2 674 quilômetros até o idílio pernambucano, mas não de cruzar 213 e aterrar na especialmente esbelta Ilhabela para imergir.

Robalos, garoupas, caranhas, sargos-de-beiço, sargos-de-dente, quiçá cavalos-marinhos, vivem a 100 metros da costa, na Ilha das Cabras, o ponto onde eu iria mergulhar. Beira o impossível estacionar por ali, mas quem pagou R$ 400 para fazer o batismo consegue parar na sede da Colonial Diver.

Ali, o instrutor Roney deu seu prólogo. Legal, quando ele explanou os sinais universais do mergulho, mas um saco no quesito doutrinador político incansável. Feito isso, atravessamos a movimentada avenida, e, claro, recebi aquela ajudinha básica na areia, já que cruzá-la de cadeira é aquele trampo, atola, sempre melhor é puxar de ré, já que a roda de trás é melhor que a da frente, que fica agarrada, presa.

Respirar durante o mergulho é como fumar, puxa e assopra, só que dá uma onda boa, você sai felizão. É só saber nadar e não se apavorar, sobretudo os bigodudos, que sofrem para ter aderência no bocal.

Durante 40 minutos nesse domingo com sol e mar gelado, nadamos por um circuito demarcado por uma corda. Eram uns 7 metros de profundidade – ao contrário dos dois dígitos de Noronha.

O instrutor vai do lado o tempo todo, então, deficiente ou não, a gente não corre nenhum risco.

Tinha um chassi de caminhão naufragado, tinha até uma estátua do Netuno rodeada por inúmeros e cintilantes cardumes e estrelas-do-mar, mas nem sinal de peixes robustos ou tartaruguitas, muito menos tubarões e arraias.

Foi um programão de fim de semana, mas, após debutar no batismo em Noronha, nenhum mergulho será de novo do jeito já foi um dia.

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