Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Vista Alegre: o maravilhoso mundo da fina porcelana portuguesa

Visitamos o ótimo museu da marca - e mergulhamos no complexo da fábrica que inclui uma linda capela, um teatro e até um novíssimo hotel de luxo

Por Rachel Verano Atualizado em 24 set 2019, 13h38 - Publicado em 19 set 2017, 18h35
A entrada do museu, no edifício da antiga fábrica: viagem no tempo
A entrada do museu, no edifício da antiga fábrica: viagem no tempo Bruno Barata/Reprodução

Corria o ano de 1824 quando o empresário português José Ferreira Pinto Basto decidiu se enveredar em novos negócios numa área em que não tinha a menor experiência: a da fina porcelana. Tudo o que sabia era quem eram as maiores referências mundiais e que queria obstinadamente uma coisa: sucesso.

O forno de meados do século 20: processo manual
O forno de meados do século 20: processo manual Bruno Barata/Reprodução

Os primeiros anos foram de tentativas, muitos erros e poucos acertos. Mas de repente a sorte começou a mudar. Vieram artistas do estrangeiro, as técnicas foram sendo aprimoradas e nascia assim uma das maiores joias portuguesas de todos os tempos: a porcelana Vista Alegre.

Antigos funcionários retratados pelo artista Victor Rousseau no século 19
Antigos funcionários retratados pelo artista Victor Rousseau no século 19 Bruno Barata/Reprodução

Desde sempre o complexo da fábrica ocupou o mesmo espaço à beira-rio de Ílhavo, cidadezinha a poucos minutos de Aveiro (leia mais sobre a “Veneza portuguesa” neste post aqui). Ali, desde o início, formou-se o bairro operário, com tudo o que tinha direito: casas para os funcionários, uma capela, um teatro, o palacete dos proprietários.

O palacete dos proprietários: hoje parte do hotel de luxo
O palacete dos proprietários: hoje parte do hotel de luxo Bruno Barata/Reprodução

Continua tudo lá – e hoje esta história é narrada no incrível Museu Vista Alegre, completamente reformado e reinaugurado no final do ano passado (junto com um ótimo hotel da marca que será tema do meu próximo post).

Serviço com brasões no acervo do museu: aula de história
Serviço com brasões no acervo do museu: aula de história Bruno Barata/Reprodução

O acervo de peças inclui de experimentos em vidros e técnicas frustradas de vitrificação até coleções assinadas por grandes nomes das artes e da arquitetura…

A evolução das pinturas em xícaras
A evolução das pinturas em xícaras: décadas e décadas de arte Bruno Barata/Reprodução

…de objetos de coleção (ainda hoje a marca tem um clube de colecionadores que tem acesso a peças numeradas e restritas) a serviços oferecidos a reis e rainhas.

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Peças de decoração: artigos raros de coleção
Peças de decoração: artigos raros de coleção Bruno Barata/Reprodução

Percorrer as 14 salas dedicadas às peças é como viajar no tempo pelas tendências artísticas de cada época. Eu particularmente adoro os exemplares art nouveau.

Objetos dos funcionários: dia a dia da antiga produção
Objetos dos funcionários: dia a dia da antiga produção Bruno Barata/Reprodução

Também se vê um pouco do dia a dia dos antigos operários e se conhece um pouco do ofício – logo na entrada, por exemplo, fica um incrível forno de meados do século 20 – impressionante ver como era alimentado com carvão e como ficava vitrificado por dentro com o uso.

O ateliê de pintura manual na fábrica: museu ao vivo
O ateliê de pintura manual na fábrica: museu ao vivo Bruno Barata/Reprodução

Mas o highlight é ver como trabalham os minuciosos artistas que, ainda hoje, pintam as peças mais finas à mão. Uma a uma. Durante a semana, quando a fábrica está aberta, é possível conhecer de perto o trabalho ultra delicado deles. Imperdível.

Detalhe das tintas e pincéis dos artistas: peças pintadas a mão ainda nos dias de hoje
Detalhe das tintas e pincéis dos artistas: peças pintadas à mão ainda nos dias de hoje Bruno Barata/Reprodução

Já do lado de fora do museu, sob a sombra de frondosas árvores, estão as outras pérolas locais: a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, mandada construir pelo bispo D. Manuel de Moura Manuel em finais do século 17, recheada com incríveis painéis de azulejos, afrescos, pinturas e um túmulo que é considerado verdadeira obra de arte…

O interior da capela do século 17: lindos painéis de azulejos
O interior da capela do século 17: lindos painéis de azulejos Bruno Barata/Reprodução

… o teatro que até hoje recebe espetáculos…

A sala de teatro que ainda hoje recebe espetáculos: uma pérola
A sala de teatro que ainda hoje recebe espetáculos: uma pérola Bruno Barata/Reprodução

… e lojas: um enorme showroom e uma loja de fábrica com peças em promoção (oba!).

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