Top 4: hotéis sustentáveis em Portugal

Hortas biológicas, painéis solares, empregos locais, uso de elementos da região na arquitetura. Estes hotéis, além de incríveis, são amigos do ambiente

A piscina do Six Senses Douro Valley, com vista para o rio: campeão de sustentabilidade

A piscina do Six Senses Douro Valley, com vista para o rio: campeão de sustentabilidade (Divulgação/Divulgação)

De todas as grandes novidades de Portugal nos últimos anos (e olha que não foram poucas!), talvez as mais radicais – no ótimo sentido! – tenham sido na hotelaria. O país saltou de um ponto onde quase não havia opção de hotel de charme e de luxo para um patamar onde eles pipocam a todo momento e por todo canto. Neste dia do consumo consciente, aqui vão quatro dicas de hotéis incríveis e sustentáveis, pés no chão e que prezam (de verdade) pelas boas práticas amigas do ambiente.

A horta orgânica do Six Senses Douro Valley: exemplo

A horta orgânica do Six Senses Douro Valley: exemplo (Divulgação/Divulgação)

Vista aérea do Six Senses Douro Valley

Vista aérea do Six Senses Douro Valley (Divulgação/Divulgação)

Six Senses Douro Valley, Douro
Considerado o grande líder da indústria hoteleira mundial no quesito sustentabilidade, a rede Six Senses está comprometida com o tema desde que foi criada, em 1995. Os dados do último relatório do grupo, que hoje conta com 19 hotéis e 37 spas espalhados por 14 países, revelam o que isso significa para eles, na prática: 45% dos resíduos sólidos foram desviados de aterros sanitários; 40.500 quilos de frutas e vegetais orgânicos foram cultivados não só para os hóspedes, mas também para as comunidades vizinhas; 223 toneladas de composto e fertilizante natural foram devolvidos à terra; mais de 1 milhão de garrafas de água de vidro substituíram garrafas plásticas descartáveis; e exatos 2.831 empregos locais foram criados. O desafio até 2022? Eliminar completamente o uso de plástico, em todas as áreas (os canudos, grande bandeira ostentada hoje em dia, já não são usados há anos). Especificamente em Portugal, o Six Senses Douro Valley, às margens do Rio Douro, tem um Fundo de Sustentbilidade destinado a apoiar três projetos nas comunidades locais, mas os cuidados estão também nas práticas corriqueiras do dia a dia. Os gastos de água, gás e eletricidade, por exemplo, são monitorizados internamente e duas vezes por ano é realizada uma auditoria de energia externa, da qual resulta um plano de ação a longo prazo para a otimização da eficiência nas operações. A maior parte da iluminação do hotel é feita por LED e a exceção é garantida por lâmpadas de poupança de energia. Completa o pacote a auto-suficiência no abastecimento de lenha, garantida pela poda e limpeza das árvores na floresta que circunda o hotel. Tudo isso sem mencionar a horta, onde são produzidos legumes, verduras e ervas aromáticas orgânicos para abastecer o restaurante. Diárias desde € 357.

A arquitetura moderna do Areias do Seixo

A arquitetura moderna do Areias do Seixo (Divulgação/Divulgação)

Vista do restaurante do Areias do Seixo: imerso na natureza, com respeito

Vista do restaurante do Areias do Seixo: imerso na natureza, com respeito (Divulgação/Divulgação)

Detalhe da horta orgânica do Areias do Seixo

Detalhe da horta orgânica do Areias do Seixo (Divulgação/Divulgação)

Areias do Seixo, norte de Lisboa
Plantado à beira-mar num belo trecho de costa, este hotel de arquitetura imponente e ares boho foi o único do país a figurar na seleta Gold List da revista Condé Nast Traveller no ano passado. Até aí, nenhuma surpresa. O incrível spa, os quartos decorados cada um à sua maneira, as piscinas particulares, as lareiras do quarto… todo o projeto impressiona. A surpresa vem dos bastidores: ele foi concebido para ser um dos hotéis mais sustentáveis do país. E logo de cara foi o vencedor do Green Project Awards 2012 do selo Green Key na categoria Agricultura, Mar e Turismo. Aos fatos: os materiais usados na construção eram abundantes na região; privilegiou-se o uso da cortiça para garantir isolamento térmico aos quartos; há um sistema hi-tech de gestão de recursos em tempo real, além de um projeto de captação e reutilização da água das chuvas; o hotel faz a própria compostagem dos resíduos orgânicos e adotou a política do zero papel; seu restaurante é adepto do conceito farm to table e praticamente se auto-abastece pelo cultivo orgânico da propriedade. Desnecessário dizer: os painéis solares garantem o total abastecimento da propriedade. Diárias desde € 315.

Detalhe da arquitetura do Quinta da Comporta: produtos locais

Detalhe da arquitetura do Quinta da Comporta: produtos locais (Divulgação/Divulgação)

Um dos quartos do Quinta da Comporta: rústico-chique

Um dos quartos do Quinta da Comporta: rústico-chique (Divulgação/Divulgação)

A piscina do spa do Quinta da Comporta: tratamentos à base de arroz

A piscina do spa do Quinta da Comporta: tratamentos à base de arroz (Divulgação/Divulgação)

Quinta da Comporta, Comporta
Ao se aproximar da Comporta, o destino mais badalado de praia em Portugal, dois elementos da natureza chamam a atenção. O primeiro são os imensos ninhos de cegonhas; o segundo, os arrozais que se estendem como autênticos tapetes, verdinhos, até onde a vista alcança. É justamente esse último elemento, grande ícone da região, a base dos tratamentos do spa deste novíssimo hotel. E esse é apenas um dos detalhes da ligação do projeto com a cultura local. Os outros? A arquitetura, assinada pelo superarquiteto português Miguel Câncio Martins, procurou manter os traços tradicionais da região, integrando os espaços internos e externos de forma fluida. A decoração, em tons neutros, privilegia os elementos que abundam na região: madeira, vime, vidro, pedra. A preocupação foi ser fiel ao estilo de vida local, sem grandes impactos. A lista de práticas sustentáveis inclui ainda a eletricidade gerada por painéis solares, um moderno sistema de tratamento de resíduos para reutilização da água e a prioridade de transporte em bicicletas elétricas dentro da área do hotel. Diárias desde € 260.

Uma das construções do São Lourenço do Barrocal: luxo pé no chão

Uma das construções do São Lourenço do Barrocal: luxo pé no chão (Divulgação/Divulgação)

A piscina do São Lourenço Barrocal: camuflada na natureza

A piscina do São Lourenço Barrocal: camuflada na natureza (Divulgação/Divulgação)

São Lourenço do Barrocal, Alentejo
A sensação que se tem, ao entrar na imensidão do Barrocal (são 7,8 milhões de metros quadrados!) é a de adentrar uma típica vila alentejana, com suas casinhas brancas, de portas e janelas azuis. Não é por acaso. Todo o projeto do luxuoso hotel, considerado um dos melhores do país, procurou recuperar, literalmente, o patrimônio que estava em ruínas – e isso incluiu cerca de 250 mil telhas e 70 mil tijolos originais. Cercada de um sem fim de oliveiras, azinheiras e vinhedos, a propriedade produz vinho, azeite e alimentos como aveia. A horta biológica ocupa impressionantes 10 mil metros quadrados. Diante desse cenário, a conclusão parece óbvia: o que é colhido vai direto para a cozinha do restaurante, um dos melhores da região. Painéis solares, furos subterrâneos para o abastecimento de água e políticas constantes de cuidado com o meio-ambiente estão na alma do hotel, que garante, ainda, que a população local ocupe 80% dos postos de trabalho. Diárias desde 289.

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