Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Amarante: uma bela surpresa entre o Porto e o Douro

Um lindo centro histórico, um hotel num palácio, um restaurante com estrela Michelin - razões de sobra para um pit stop sem pressa

Por Rachel Verano Atualizado em 27 dez 2019, 16h36 - Publicado em 19 dez 2019, 22h06
O centro histórico de Amarante, às margens do Tâmega: lindo e poético mesmo em dias invernais Bruno Barata/Reprodução

A meio caminho entre o Porto e a região do Douro, a pequenina Amarante é uma joia que muitas vezes passa despercebida de quem está interessado apenas no ponto de partida ou de chegada de uma das mais belas – e saborosas – rotas do Norte de Portugal. Não deveria. Cortada pelas águas do poético Rio Tâmega (que vai desaguar no Douro quilômetros adiante) e cercada de vinhedos premiados, a cidadezinha de pouco mais de 10 mil habitantes é dona de um encantador centro histórico que parece cenário de filme, com tudo encaixado no lugar certo: os edifícios avarandados, as fachadas barrocas, a ponte de granito do final do século 18, um belo mosteiro… 

O casarão amarelo da Casa da Calçada: de camarote para o melhor da cidade Divulgação/Divulgação

Razões para visitá-la há muitas, além das estéticas. Mas, mais que o próprio mosteiro e a sua igreja do século 16, ambos dedicados a São Gonçalo e à sua fama de santo casamenteiro, ou que o Museu Amadeo de Souza-Cardoso, dono de um belo acervo do filho mais ilustre da cidade (reconhecido como um dos mais importantes pintores portugueses do início do século 20, representante das vertentes do Impressionismo e do Cubismo no país), são as razões mais, digamos, mundanas os seus maiores atrativos. Os vinhos. Os queijos e embutidos defumados. Os foguetes, são gonçalos, amarantinos e um sem-fim de representantes da doçaria conventual portuguesa típica da região. E um palacete amarelo escancarado para tudo isso que atende pelo nome de Casa da Calçada, que sozinho já justificaria o desvio. À ele, portanto.

Um dos quartos da Casa da Calçada: viagem no tempo Bruno Barata/Reprodução

Construída no século 16 para ser a residência do Conde de Redondo, a Casa da Calçada já viu muita água passar debaixo da ponte (literalmente, uma vez que está de camarote para ela). Em 2001 o palacete foi transformado em hotel e desde 2004 faz parte da cadeia Relais & Châteaux. Os interiores, decorados com móveis de época e tons quentes, são um eterno convite a uma deliciosa viagem no tempo. Nos meses mais quentes é hora de curtir a piscina e a jacuzzi aos pés dos vinhedos ao fundo. Nos mais frios, de tomar bons vinhos e relaxar no spa. No ano inteiro, entretanto, um programa é absolutamente fundamental: experimentar as criações do chef Tiago Bonito no restaurante Largo do Paço, que acaba de reafirmar a sua estrela Michelin no guia 2020.

O chef Tiago Bonito, do Largo do Paço: uma estrela Michelin Bruno Barata/Reprodução
O salão do restaurante: só para jantares Bruno Barata/Reprodução

Aberto apenas ao jantar, o Largo do Paço propõe uma bela reinterpretação da cozinha portuguesa com toques modernos e releituras que narram a trajetória do chef. Além do menu a la carte, há duas opções de menus degustação, ambos com 5 amuse bouches mais sete etapas. No Caminhos (€ 115 por pessoa), somos apresentados a clássicos e às raízes do chef. A harmonização com vinhos sai a € 55. No Identidade (€ 130), Tiago presta uma homenagem a lugares por onde passou. A harmonização, aqui, custa € 65. No dia da nossa visita, mergulhamos em algumas das melhores criações em uma degustação transversal, com os pratos preferidos do chef. O resultado foi uma noite de belas surpresas, como mostro através das fotos a seguir (by Bruno Barata).

Copo defumado com madeira, caldo de porco e espuma cremosa de uísque para finalizar, com noz moscada ralada na hora:

Bruno Barata/Reprodução

Macaron de aspargos com pó de trufa, recheio de trufas, copita de porco preto e alface:

Bruno Barata/Reprodução

Falsas rochas: capa de mirtilo fermentado e recheio de mousse de queijo, finalização de flores e gel de mel:

Bruno Barata/Reprodução

Bacalhau a brás envolvido em uma capinha de batata, coroado por gel de gema de ovo e pó de salsa:

Bruno Barata/Reprodução
  • Tempura, tapioca, gel de espumante e caviar de salmão:

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    Bruno Barata/Reprodução

    Brioche feito na hora, acompanhado por três tipos de manteiga – tradicional dos Açores; com pimentões vermelhos e tomates; defumada, com ervas aromáticas:

    Bruno Barata/Reprodução

    “Pintxo” – bacalhau com óleo de pimentão e salsa, gelatina de cenoura com espuma de patanisca, pó de escabeche, gel de pimentões e de alho negro:

    Bruno Barata/Reprodução

    Lavagante com creme de abacate, emulsão de bouilabasse, finalizado com gel de kalamanzi:

    Bruno Barata/Reprodução

    Pescada com emulsão de amêijoa, purê de raiz de salsa e gel de salsa, gema de ovo com tostas, cogumelos e suco de aves:

    Bruno Barata/Reprodução

    Cordeiro com purê de abóbora, échalotte trufada, pasta recheada com berinjela assada, em molho de redução de cordeiro e hortelã:

    Bruno Barata/Reprodução

    Sorbet de vinho doce, pera cozida, crocante de amêndoa e calda de pera:

    Bruno Barata/Reprodução

    “Memória de infância”: algodão doce, bala de açúcar recheada com espuma de pipoca, pérolas de avelãs e aquelas “estrelinhas” que explodem na boca:

    Bruno Barata/Reprodução

    Anote ai: Amarante fica a 60 quilômetros do Porto (cerca de 45 minutos). As diárias na Casa da Calçada custam desde € 122, com café da manhã. Para jantares no Largo do Paço, é recomendado fazer reserva com antecedência.

    Reserve a sua hospedagem na Casa da Calçada aqui.

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