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Bueno Brandão: um guia completo de um pico logo ali com 65 cachoeiras, cafés e queijos dos bons, romance, vistas de babar…

Por Bruno Favoretto Atualizado em 27 fev 2017, 15h10 - Publicado em 26 fev 2016, 14h00

Si, si, craro, diria Didi Mocó: é legal viajar pelo mundo, mas também é batuta conhecer o nosso quintal. Ora, tem alguns lugares logo ali que agradam e não fazem a gente gastar tanto, surpreendem que é uma beleza.

Caso de Bueno Brandão, no Sul de Minas, bem na divisa com este estado bandeirante, dá umas 3 horas (ou 168 quilômetros) da Pauliceia. Uma Mantiqueira cheia de cachoeiras e de paz interior lindamente retratada na Viagem e Turismo de fevereiro pelo brilhante, pra dizer o mínimo, Jeferson de Sousa.

Peguei as dicas dele, adicionei umas minhas e está tudo aí embaixo, o essencial para curtir BB, a terra das cachoeiras.

O Vale das Águas / Divulgação

O Vale das Águas / Divulgação

Bueno Brandão, como chegar

Há dois jeitos saindo da capital paulista, o primeiro mais longo e seguro, o segundo mais legal:

a) Bandeirantes até Campinas, depois SP-340 até o trevo de Mogi Mirim, aí SP-147 até Lindoia, depois SP-360 até o trevo de Ouro Fino, aí vá até Inconfidentes e entre para Bueno Brandão;

b) Fernão Dias até Bragança Paulista, depois BR-146 até Socorro, aí vem o pior trecho, o da Rodovia José Vicente Lomônico até Bueno Brandão. Acho este mais esquema, até porque a Fernão Dias tem o pedágio mais barato do Brasil, R$ 1,80.

Brasil, meu Brasil cafeeiro em BB / Adriano Camolez (Divulgação)

Brasil, meu Brasil cafeeiro em BB / Adriano Camolez (Divulgação)

Bueno Brandão, a origem

Com cerca de 10 mil habitantes, a pequena cidade onde é moleza se achar já se chamou Bom Jesus do Ribeirão das Antas, Bom Jesus da Pedra Fria e Campo Místico. Aí homenagearam, em puro corporativismo político, Júlio Bueno Brandão, governador mineiro na República Velha.

A pousada Encantos do Vale, esquema zen / Divulgação

A pousada Encantos do Vale, esquema zen / Divulgação

Onde ficar em Bueno Brandão

Num lugar sossegadão, a pousada pode servir até de destino. Entre as ótimas está a Vizinho das Estrelas, com quatro chalés simples e aconchegantes e diárias desde R$ 200, com café da manhã.

A pousada Chave do Céu tem 3 suítes / Divulgação

A pousada Chave do Céu tem 3 suítes / Divulgação

Fica na Estrada Bueno Brandão/Socorro, ao lado da zen Encantos do Vale (diárias desde R$ 240 com café da manhã), com chalés charmosos, spa e cachoeira no terreno, assim como a Chave do Céu, ideal para casais (não aceita crianças) em busca de isolamento, tem apenas três aposentos. Perto da Cachoeira dos Félix tem a Som das Águas e a Recanto das Flores, daquelas para levantar para ir ao banheiro durante a noite, pois o som sugestivo das corredeiras estão ali pertinho…

A Cachoeira dos Félix tem pousos na redondeza / Divulgação

A Cachoeira dos Félix tem pousos na redondeza / Divulgação

Agora, se o plano é ficar num lugar mais rústico, há os chalés baratex da Tia Nirta (Estrada Bueno Brandão/Monte Sião, km 1, 35/3463-1301).

 

Passeios: fazendas de cafés, queijos de cabra, cachaças, chocolates….

Há quem pague caro pelos hedonistas queijos franceses e italianos nos empórios das grandes cidades. Bûchette, fontina, reblochon, stracchino e outros são produzidos no Laticínio Serra das Antas (MG-295, km 11, 35/3442-1098), pela metade do preço que a gente acha costumeiramente.

Estão aí para provar camembert (R$ 4, 100 gramas), Saint-Marcellin (R$ 5, 100 gramas), chèvre a l’huile (R$ 11, 150 gramas) e mais um monte preços aqui. É legal ir com crianças, que podem admirar as cabrinhas que fornecem a commodity para os queijos. Ao lado, a Chocolates Andréia também vende compotas.

Outro barato é visitar produtores de café: tem Sítio o Bela Vista (Bairro do Cafundó, 35/99931-6483), que produz os cafés Ouro Minas e Cafundó de Minas, e o Sítio Santa Rita, que produz o Café Campo Místico, com visitas guiadas aos sábados, basta agendar (R$ 80 por pessoa). Dá para achar orgânicos por R$ 7 (meio quilo).

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A cachaça-legenda de Bueno Brandão / Divulgação

A cachaça-legenda de Bueno Brandão / Divulgação

Minas Gerais, óbvio, remete às cachaças. Bons alambiques são o famoso Bueno Brandão, na estrada pra Socorro, Constâncio (Estrada para Monte Sião, km 6, 35/99927-2403) e Duminor (Bairro Sertãozinho, 35/3463-1039).

 

Bueno Brandão: onde comer

A pousada Vizinho das Estrelas, lembrada no bloco das hospedagens acima, é uma latitude gastronômica no fim de semana comandada pela chef Andréa Lépore. A paulistana, que há 12 anos está em Bueno, prepara na unha massas, pães, até o tomate seco. Sua Pizza na Pedra abre todo sábado à noite com a aclamada pizza de alface (R$ 40). Já a Cantina na Roça só serve almoço aos domingos, com destaque para o stratinato da Nona Angelina (R$ 30).

Redonda de alface da Pizza na Pedra / Adriano Camolez (Divulgação)

Redonda de alface da Pizza na Pedra / Adriano Camolez (Divulgação)

Quem prefere o esquema boteco-bistrô acha inventivas porções como a de queijo brie com geleia de pimenta no Allegro Bar, ao lado da Cachaça Bueno Brandão na estrada pra Socorro. Mais econômico e menos saboroso é O Cumpadi (Rua do Café, 165, 35/3463-1910), de comida mineira, assim como o Villa Bueno (Praça da Matriz, 46, 35/3463-2162), vizinho à igreja.

Depois, o Café com Mistura (Rua Professor Domingos de Franco 228, 35/99895-0601) é legal para provar uma dose de coador com petit gateau e tudo que é bolo. Outra opção pós-almoço/jantar é o Galpão Mineiro (Rua da Saudade, 303, 35/99741-8486), que também vende artesanato e produtos locais.

Compras no Galpão Mineiro / Adriano Camolez (Divulgação)

Compras no Galpão Mineiro / Adriano Camolez (Divulgação)

Cachoeiras e aventuras de Bueno Brandão

Há 65 cachoeiras, a maioria com acesso pela Estrada para Munhoz. Trinta estão catalogadas, mas somente sete são sinalizadas e acessíveis com segurança sem um guia. Com 30 metros metros de altura, a Dos Luís (R$ 8) reúne duas quedas paralelas contornadas por vegetação que formam pequenos poços para banho. O acesso é por trilha fácil e há restaurante na área.

A Cachoeira dos Luís e seus 30 metros / Divulgação

A Cachoeira dos Luís e seus 30 metros / Divulgação

Com 18 metros, poço de água raso e prainha, a Santa Rita (R$ 7) também é bacana.

A Cachoeira do Mergulho / Marcel Favery (Divulgação)

A Cachoeira do Mergulho / Marcel Favery (Divulgação)

Entre as não sinalizadas, belíssimas são a Do Mergulho, com uma gruta embaixo da quedona, e a Do Sertãozinho (I e II), que despenca de 10 metros.

A Cachoeira do Mergulho tem uma gruta sob a queda / Divulgação

A Cachoeira do Mergulho tem uma gruta sob a queda / Divulgação

 

Outros passeios memoráveis são a Trilha da Pedra Fria, o Mirante da Pedra do Amor e o Vale das Furnas, onde o pôr do sol cativa.

4 x 4 com o povo da Buenaventura / Marcel Favery (Divulgação)

4 x 4 com o povo da Buenaventura / Marcel Favery (Divulgação)

Receptivo firmeza para conduzir a esses e outros tantos passeios/aventuras é a Buenaventura. Outro paulistano que conhece o pico como poucos e leva para o turismo rural e afins é o Yuri (35/99952-6920). Se preferir, ligue para o Centro de Apoio ao Turista (35/3463-2384).

A angulosa Serra da Mantiqueira tem um arominha... / Divulgação

A angulosa Serra da Mantiqueira tem um arominha… / Divulgação

Festejos em Bueno Brandão

Além do Carnaval, o que pega é o Arraiá do Zé Bagunça, no início de julho na Praça Virgílio de Melo Franco. Dura quatro dias. Começou em 1982. Seu José Coutinho, o “Zé Bagunça”, recebeu uma graça e montou uma festança em sua rua com grupo de congado, quentão, bolo de fubá, pipoca, pinhão… O tempo passou, a festa caiu no gosto da galera e cresceu tanto que foi incorporada ao calendário da cidade.

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