Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Mianmar, o destino do momento (só que não)

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h41 - Publicado em 28 out 2013, 17h53
Templos de Bagan: você chegou atrasado

Templos de Bagan: você chegou atrasado

 

Na minha viagem mais recente pelo Sudeste Asiático, a princípios deste ano, um dos objetivos era conhecer o Mianmar. Já com passagem comprada, comecei a tentar esboçar um plano. Então, através de um amigo em comum, entrei em contato com um chileno que está morando no país, trabalhando em projetos sociais. Para começo de conversa, ele me mandou o link para uma reportagem da CNN cuja manchete dizia o seguinte: Mianmar: É uma boa hora para ir? A resposta era rotundamente “não”. Os viajantes que encontrei pelo caminho confirmaram algumas profecias. E eu desisti de ir por tempo indeterminado.

 

Até meados de 2011, a aventura pela antiga Birmânia começava na hora de conseguir o visto, um processo penoso, nem sempre com final feliz.  Isolada do mundo desde 1950 por uma ditadura sanguinária, esta ex-colônia britânica manteve, por mais de meio século, os seus templos, florestas e cidades quase como um segredo de estado. O panorama começou a mudar em 2011,  (quatro anos após a trágica Revolução Açafrão, liderada por monges budistas), quando os turistas passaram a ser bem-vindos.

 

Aberto ao turismo, só deu Mianmar nas listas de “destinos para conhecer em 2012”. Resultado? Um milhão de turistas visitaram o Mianmar em 2012, o que representeou um aumento de 67% do faturamento do país com o turismo em relação a 2011. Em 2013, os números devem ser ainda mais assustadores. Bom pra eles, ruim pra nós.

 

De 2011 pra cá, as tarifas dos hotéis aumentaram em 350%. Só que os hotéis continuam os mesmos, quase sempre caindo aos pedaços. Não ouve tempo, ainda, para que novas hospedagens sejam construídas. Passar perrengue, pra mim, faz parte do pacote. E não me importo de matar baratas num quarto de US$ 10. O duro é fazer isso pagando dez vezes mais.

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Alguns mochileiros com quem conversei contaram que até conseguiram hospedagem a preço de Sudeste Asiático, mas em condições quase sub-humanas. Além do mais, é praticamente impossível encontrar vaga de última hora. O jeito é reservar com muuuuita antecedência (sem ver e nem cheirar o lugar) e se preparar para topar com algo muito pior do que a encomenda.

 

O mesmo tem acontecido com os bilhetes dos (poucos) voos, inflacionados e congestionados. Vale dizer, também, que os trens e ônibus, que serviriam como alternativa, são lentos, precários, lotados e pouco seguros – bem piores do que nos países vizinhos, incluindo o Camboja e o Laos, que já são “nível avançado” em questão de perrengue.

 

 

Sabe o que isso significa? Que nós chegamos atrasados. O momento certo para conhecer o Mianmar misterioso e inacessível já era. Só nos resta esperar pelo novo Mianmar, minimamente preparado para a invasão estrangeira e sem pretensões off the beaten track. C’est  la vie.

 

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