Ilha da Madeira: guia essencial do “melhor destino insular do mundo”

Quando ir, onde ficar, o que fazer e outras dicas essenciais

O arquipélago da Ilha da Madeira acaba de ser eleito, pelo quarto ano consecutivo, o Melhor Destino Insular do Mundo no World Travel Awards. Baseado em votos de viajantes (peso 1) e de profissionais da indústria do turismo (peso 2), que avaliam os serviços e produtos oferecidos por cada indicado, em 2018 a premiação coloca Portugal no alto do olimpo – não só os brasileiros estão em um relacionamento sério com o país! Clique aqui para ver os resultados completos.

Cores de outono em um fim de tarde no Funchal, capital da Ilha da Madeira

Cores de outono em um fim de tarde no Funchal, capital da Ilha da Madeira (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Ainda que escolher um ”melhor do mundo” seja sempre tema de controvérsia, não há dúvidas de que este naco de Portugal perdido na costa da África é um destino completo, bem estruturado e com personalidade forte. Com suas estradinhas panorâmicas que serpenteiam por encostas forradas de terraços cultivados, a Ilha da Madeira concentra uma combinação eclética de atrativos que você dificilmente verá em outras partes do mundo – e isso vai bem além da famigerada estátua de Cristiano Ronaldo na frente do aeroporto.

Arco-íris mágico na aldeia de Paul do Mar

Arco-íris mágico na aldeia de Paul do Mar (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Cara a cara com a fúria do Atlântico em Paul do Mar

Cara a cara com a fúria do Atlântico em Paul do Mar (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Onde mais há vinhedos ao lado de bananais? Tampouco é corriqueiro que vilarejos de arquitetura portuguesa se abram para praias vulcânicas. Por essas e outras, esse arquipélago cercado pela imensidão do Atlântico (e de baleias, golfinhos…) é um convite para quem gosta de sair da rota mais batida, que pode ser facilmente ser combinado com um pulo na Europa continental, em qualquer época do ano. Eis o que você precisa saber:

Um quadro perfeito em uma estradinha a caminho do vilarejo de Santana

Um quadro perfeito em uma estradinha a caminho do vilarejo de Santana (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Bosque com neblina poética poucos metros depois do cenário da foto anterior.

Bosque com neblina poética poucos metros depois do cenário da foto anterior. (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Plantas tropicais ao lado de vinhedos: coisas da Madeira

Plantas tropicais ao lado de vinhedos: coisas da Madeira (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Afinal, é ilha ou arquipélago?

A Ilha da Madeira propriamente dita é a maior e mais populosa (250 mil habitantes) do arquipélago homônimo, que tem outra ilha habitada (Porto Santo, com 5 mil habitantes) e mais dois grupos de ilhotas virgens.

Como chegar

O arquipélago tem dois aeroportos, um em Funchal (capital da Ilha da Madeira) e outro em Porto Santo. Há voos diretos de Lisboa (1h45) e da Cidade do Porto (2h) com a TAP, a EasyJet, a Transavia e a Azores Airlines. Também há rotas diretas de Londres (British Airways e EasyJet), Paris (TAP e Aigle Azur), Frankfurt (Condor) e outras grandes cidades europeias.

Quando ir

A melhor época para visitar o arquipélago é o verão (junho a setembro). Mas um dos trunfos da Madeira é ter um clima sem extremos. Não faz tanto calor no verão (quando o termômetro oscila entre uma média de 13oC e 20oC), nem tanto frio no inverno (entre 7o e 14o). Os madeirenses também adoram se gabar de seus sete microclimas. Isso faz, por exemplo, que o sul da ilha seja mais quente; o norte ventoso e úmido e, os picos mais altos, sempre frescos. Tem pra tudo mundo, ora pois.

Quarto com vista (e muitos mimos) do Belmond Reid’s Palace

Quarto com vista (e muitos mimos) do Belmond Reid’s Palace (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Vista do meu quarto…

Vista do meu quarto… (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

A elegância clássica do Belmond Reid’s Palace

A elegância clássica do Belmond Reid’s Palace (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Onde ficar

A Ilha da Madeira tem 54km de largura por 23km de comprimento. Em teoria, dá pra fazer só uma base e rodar tudo em passeios de bate-volta. No entanto, as estradas secundárias (que revelam as paisagens mais bonitas), são cheias de curva, subidas, túneis e trechos com desmoronamentos. Por isso, não é má ideia hospedar-se uns dias no oeste e outros no leste para explorar as duas bandas sem ralar tanto na direção. No Funchal, fiquei no majestoso Belmond Rieds Palace (entra no stories @drisetti para ver mais detalhes sobre o hotel e a minha viagem). Na costa oeste, passei duas noites de rainha no Savoy Saccharum, um espetáculo de hotel decorado pela designer local Nini Andrade, uma grande descoberta desta viagem.

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Para compensar as praias de pedras pretas, alguns hotéis têm piscinas escandalosas, como esta do Savoy Saccharum

Para compensar as praias de pedras pretas, alguns hotéis têm piscinas escandalosas, como esta do Savoy Saccharum (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Como são as praias?

Na ilha principal, todas as praias são de pedras pretas e as ondas podem ser beeem fortes (alô surfistada!). A única faixa de areia para deitar gostosinho fica em Porto Santo (aonde você pode checar de ferry, partindo de Funchal, em duas horas). Dito isso, não acho que praia seja a grande vocação da Madeira (se este for o seu foco, repense). Em compensação, há algumas piscinas naturais e artificiais lindas que facilitam o banho na água do mar. Ah! E os hotéis de luxo costumam ter infinity pools matadoras…

Rola um agito?

Se você tinha esperança de que se tratasse da ibiza portuguesa, lamento desapontá-lo. A Madeira tem agitinho no Réveillon e no carnaval e, como toda cidade que se preze, Funchal tem um centrinho com bares, restaurantes e até um ou outro lugar para sacudir o esqueleto. Mas é só.

O que fazer na Ilha da Madeira?

Aqui vão os meu top 6:

1. Avistar baleias e golfinhos

A baleia-piloto e o golfinho roaz são residentes. Fora isso, uma lista enorme de espécies visitam o arquipélago ao longo do ano, o que faz com que seja altamente provável avistar esses animais em passeios de barco. As empresas contam com a ajuda de “olheiros” e até dão uma nova rodada de graça se a empreitada acabar no zero a zero. Fiz o passeio com a Rota dos Cetáceos e recomendo.

Pelas levadas da Madeira surgem visuais como este, mirando na Ribeira da Janela

Pelas levadas da Madeira surgem visuais como este, mirando na Ribeira da Janela (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

2. Explorar as trilhas

A Madeira é mar e montanha tudo junto e misturado. Dá pra sair do nível do mar e subir a mais de 1500 metros de altitude em questão de minutos. E há uma quantidade enorme de trilhas para explorar a natureza e os visuais do alto das encostas. A marca registrada madeirense é sua rede de mais de 2 mil quilômetros de “levadas” (pronuncia-se l’vadas), que são canais de irrigação seculares, construídos para trazer água do norte (mais úmido), para o sul (mais árido). A maioria das levadas são fáceis de percorrer. Os outros trekkings “estrelas” são entre a Ponta de São Lourenço e o Cais do Sardinha e a escalada do Pico do Ruivo, o ponto mais alto da ilha, com 1862 metros de altitude.

Blogueira meio verde (à esquerda) no carro de cesto do Funchal

Blogueira meio verde (à esquerda) no carro de cesto do Funchal (Carros de Cesto/Reprodução)

Um dos “carreiros do monte” sentado em um cesto: mistura de cesta de palha com trenó (a “pantufa” de sola de pneu é basicamente o freio)

Um dos “carreiros do monte” sentado em um cesto: mistura de cesta de palha com trenó (a “pantufa” de sola de pneu é basicamente o freio) (Adriana Setti/Reprodução)

3. Andar de carro de cesto

Prepare-se para dar aquela gargalhada histérica de nervoso. Ao longo de dois quilômetros, um cidadão o empurra ladeira abaixo (no meio do trânsito!) dentro de uma mistura de cesto de palha com trenó, tendo como freio apenas uma espécie de pantufa com sola de pneu. Hoje em dia, os carros de cesto formam a atração mais surrealista e emblemática da Ilha da Madeira. Mas, até os anos 1930, serviam como meio de transporte entre a cidade alta e a cidade baixa do Funchal (que também vale uma tarde de passeio). É caro – de €25 a €45 para uma a três pessoas. Mas não dá pra não ir. Passa no stories @drisetti para ver o vídeo.

Vista alucinante do Cabo Girão, no promontório mais alto da Europa (só que na África)

Vista alucinante do Cabo Girão, no promontório mais alto da Europa (só que na África) (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

4. Visitar o Cabo Girão

No promontório mais alto da Europa (mesmo que seja na África…), uma plataforma de vidro a 580 metros de altura entrega uma vida de 180o para o mar.

5. Nadar nas piscinas naturais

No verão, todos os caminhos levam às piscinas de água do mar. As mais famosas da ilha ficam em Porto Moniz, onde há um conjunto de piscinas urbanizadas e outro natural, no meio das pedras.

6. Fazer um passeio de 4X4

Se você tem pouco tempo para investir em trekkings, esta é uma forma alternativa de se embrenhar por vilarejos, caminhos rurais, bosques e outros lugares aonde o carro normal chega. Fiz um passeio com o ótimo David da Mountain Expedition.

A tal da poncha: versão madeirense da caipirinha que cura de dor de corno a resfriado

A tal da poncha: versão madeirense da caipirinha que cura de dor de corno a resfriado (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Lojinha de bolachinhas e outros quitutes em Funchal, hipster sem querer

Lojinha de bolachinhas e outros quitutes em Funchal, hipster sem querer (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

7. Comer, beber, comer, beber

A gastronomia local é bem interessante, assim como seus vinhos fortificados. Também não dá pra arredar o pé de lá sem tomar a tal da poncha, uma versão local da nossa caipirinha: aguardente de cana madeirense, limão e melaço, misturado com um instrumento carinhosamente chamado de “caralhinho”. No verão, toma-se com gelo. Mas pode ser na base do shot também. Desce macio e reanima.

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