Dubai e Abu Dhabi: confesso que até gostei

E para facilitar as coisas, desde junho de 2018 brasileiros não precisam mais de visto para visitar os Emirados Árabes Unidos

No ano passado, fiz uma lista dos “10 lugares para NÃO conhecer antes de morrer”. Como disse na época, a listinha não tinha a pretensão de convencê-lo a não ir a esses cantos do mundo. Era apenas uma mera uma compilação de minhas manias e implicâncias, o suprassumo do não fui e não gostei.

O autointitulado hotel mais luxuoso do mundo, Burj Al Arab, em DubaiO autointitulado hotel mais luxuoso do mundo, Burj Al Arab, em Dubai

Sofá absuuuurdo no lobby do Burj Al ArabSofá absuuuurdo no lobby do Burj Al Arab

O destino número 2 da minha lista era Dubai. No número 3, coloquei a vizinha Abu Dhabi. Copio aqui o que escrevi:

Dubai

O edifício mais alto do mundo, o maior shopping center do mundo, o primeiro hotel Armani do mundo, o hotel mais luxuoso do mundo, a maior pista de esqui indoor do mundo. Eu tenho medo de altura, sou zero consumista (e menos ainda viajando), só fico em hotel barato e não posso esquiar por causa de uma lesão no joelho. Ah, e se pudesse, esquiaria nos Alpes. Dubai não é pra mim. Simples assim.

 Abu Dhabi

Abu Dhabi terá uma filial do Louvre. Terá uma filial do Guggenheim. Terá uma proposta mais intelectual e menos consumista. Terá tudo o que já existe, só que em lugares mais interessantes do mundo, onde as mulheres não são tratadas como lixo e as coisas não são construídas por imigrantes de países paupérrimos em regime de semi-escravidão (essa última parte também vale pra Dubai).

Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundoBurj Khalifa, o edifício mais alto do mundo

Só que o destino conspirou: entre os amigos queridos que moram lá e a necessidade absoluta de fazer um stop-over para quebrar a interminável viagem para a Austrália, eis que passei três dias nos Emirados Árabes Unidos. E quer saber? Gostei.

Mas gostei do meu jeito. Fui ao maior shopping center do mundo (o Dubai Mall), mas não comprei nada. Fui ao hotel supostamente mais luxuoso do mundo, o Burj Al Arab, mas não me hospedei lá – apenas tomei um drinque (sim, o mais caro do mundo). Vi o edifício mais alto do mundo, mas não fiz questão de subir ao mirante (nem de pagar US$ 142 só para dizer que subi).

Mas eu gostei do que, afinal? Em primeiro lugar, achei interessantíssimo ver de perto como é viver num lugar que definitivamente não foi feito para o ser humano. Mão de obra escrava e petrodólares à parte, é louvável o que aqueles sheiks malucos fizeram em pleno deserto. Quem mora em Dubai ou Abu Dhabi está acostumado a praticamente não sair ao ar livre durante uns 8 meses ao ano, quando a temperatura exterior pode superar os 50 graus. Quem mora em Dubai ou Abu Dhabi está acostumado a queimar o dedo na água da torneira; a se divertir dentro dos hotéis e dos shoppings; a precisar de uma carteirinha para comprar bebidas alcoólicas (fora dos hotéis); a lidar com as tempestades de areia; a entender os mais variados sotaques em inglês; a não dar demonstrações de afeto em público.

Nem sempre é fácil entender as normas de conduta num lugar como os Emirados Árabes. Em Dubai, 90% da população é de estrangeiros, sendo uma boa parcela de expatriados que estão lá curtindo uma vida loka, montados na grana e nas concessões morais que o mundo árabe teve que fazer para atrair investimento e mão de obra ocidental. Já em Abu Dhabi, a sociedade é muito mais conservadora, apesar da clara “Dubaização” que vem acontecendo nos últimos anos. Beijo na boca? Não pode. Minissaia? Depende. E por aí vai…

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Aliás, arrisco dizer que  Abu Dhabi foi a maior surpresa, a começar pela matadora mesquita Sheikh Zayed, um delírio absoluto em forma de edifício, que vale a viagem. O que até pouco tempo era conhecido como “o emirado ao lado de Dubai” está definitivamente saindo da sombra do irmão com atributos peso-pesado. Em 2017 foi inaugurado uma filial do Louvre em um projeto embasbacante do francês Jean Nouvel; se tudo correr bem, o próximo a abrir as portas será um Guggenheim desenhado pelo canadense Frank O. Gehry (o mesmo do Guggenheim de Bilbao, na Espanha), além de um gigantesco museu nacional. Isso sem falar nos hotéis e shoppings de luxo que brotaram nos últimos anos e na orla da cidade (a corniche), que vem ganhando arranha-céus a uma velocidade impressionante.

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Meu amigo que mora em Dubai perguntou o que que eu tinha achado de tudo aquilo. Disse que para mim, Dubai é como um navio, daqueles mais extravagantes e cheios de néon, com direito a um calabouço obscuro onde um séquito dá muito duro para que a festa aconteça nos deques superiores e nas suítes. Mas a festa, não há dúvida, é da boa.

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