Como perdi 10 quilos na quarentena

Sempre viajando, aproveitei a oportunidade de estar em casa para focar na saúde

Algumas pessoas estão realizando grandes feitos nesta quarentena. Só no meu círculo mais próximo, há quem tenha começado a escrever um livro, outros que descobriram novos talentos e gente que se reinventou profissionalmente em tempo recorde. Devo dizer que também venho conseguindo aproveitar a maioria do tempo de confinamento de forma intelectualmente produtiva. Mas estou particularmente orgulhosa de uma façanha: emagreci 10 quilos nos últimos três meses.

O perigo mora ao lado (mas estou acostumada)

Fazendo home office e trabalhando com o pé na estrada desde 2004 – bem antes desse estilo de vida ser batizado de “nomadismo digital” –, estou acostumada com a ameaça que a geladeira perto representa. E, se para muita gente tem sido missão impossível controlar o ímpeto de comer e beber como se não houvesse amanhã nas condições atuais, para mim é bem mais difícil fazer isso quando estou rodando o mundo. Foi por isso que olhei para a quarentena como uma grande oportunidade de focar na saúde.

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Viajar, para mim, significa provar coisas novas e mergulhar em culturas diferentes. Provar novos sabores é, a meu ver, uma das partes mais emocionantes da experiência. Através da comida, e da forma de comer, aprendemos muito sobre como pensa e vive um povo e, simplesmente, não consigo não viver isso com o freio de mão puxado.

O resultado de tanta fome é sempre o mesmo: quilos a mais depois de uma viagem. E tudo bem. De olho na saúde, procuro correr atrás do prejuízo comendo direitinho e fazendo exercício. Só que, nos últimos anos, acabei perdendo um pouco a mão. Tudo começou com uma jornada pantagruélica de um mês pelo sul da Itália, no verão de 2018, quando consumi a quantidade de carboidrato equivalente à minha quota de uns 5 anos, com direito a massa e sorvete todos os dias. Depois, fui emendando uma viagem na outra sem pensar muito no assunto.

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A política do “eu mereço”

Passei mais ou menos um ano nesse oba-oba alimentar, coroado com um cruzeiro para celebrar os 70 anos da minha mãe, de onde saí com um braço paralisado por uma crise brutal de hérnia na coluna cervical. A esse grande susto seguiu-se mais um mês de muito sofrimento e cortisona, até a cirurgia em que o disco espatifado foi substituído por uma prótese de titânio. Uma vez recuperada (a vida é bela!), mergulhei com força em uma época de “eu mereço” (acreditem, eu realmente merecia), com direito a uma temporada de quatro meses no Brasil, durante a qual devorei a saudade que estava do meu país, após quatro intermináveis anos de ausência.

E dá-lhe macaxeira, moqueca, feijoada, pão de queijo, cocada, tapioca, pastel, catupiry, caipirinha, escondidinho, farofa, biscoito Globo, milho verde, chopp, carne seca, costela no fogo de chão, pizza paulistana, goiabada, açaí. Voltei do Brasil feliz como há tempos não me sentia, mas com 14 quilos mais que meu peso normal.

Saúde X estética

Depois de passar os anos dourados da minha juventude sendo magérrima e me achando gorda mesmo assim, graças aos padrões opressivos de beleza feminina com os quais convivemos caladas até pouco tempo atrás, há tempos fiz as pazes com o espelho, não importando se o manequim do momento é 40 ou 44. Motivo de orgulho no auge da minha insegurança, com 20 anos recém feitos, minha foto com 56kg (tenho 1m76) e bracinhos esquálidos hoje me provoca uma imensa pena de mim mesma.

Mas ultrapassar a barreira do saudável foi uma experiência bem diferente que a de brigar com a estética. Com o peso extra, me sentia eternamente cansada, além de pouco ágil, inclusive mentalmente. O joelho começou a reclamar e completar uma mera aula de pilates exigia um esforço enorme.

Eu já estava embalando numa rotina de alimentação saudável, exercício e detox quando a quarentena foi decretada aqui na Espanha, no dia 14 de março. Mas o confinamento intensificou o meu foco no objetivo, na base do “preciso tirar algo de bom disso tudo”. Com mais tempo disponível, venho preparando 100% de tudo o que como e buscando receitas para fugir da mesmice. Sem vida social real, dispensar um bom drinque tornou-se mais fácil. A necessidade de se mexer para manter o ânimo nesta fase tão difícil também vem fazendo com que esteja mais ativa do que nunca. Sem outras alternativas, me adaptei com facilidade surpreendente a fazer exercícios com a ajuda de apps, lives e afins. Quando tudo passar, estarei em forma para devorar o mundo novamente.

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