A praia de Ksamil na Albânia: um lugar que PODERIA ser lindo

Saindo de Berat, assunto do post passado, o destino mais lógico na sequência seria Girokastra, a outra cidade histórica da Albânia que foi tombada pela UNESCO em 2008. Mas estávamos tão curiosos para ver o tal litoral albanês, que decidimos cruzar uma montanha básica para chegar antes na praia. Depois de demorar seis horas para vencer 230 dirigindo por estradinhas rústicas (sendo gente boa…), o que mais queríamos era ver o sol desaparecer no Adriático com uma cerveja Tirana nas mãos.

 

Bateu um certo pânico ao passar por Sarandë, a maior cidade do litoral sul da Albânia, a meros 14 quilômetros do nosso destino final, Ksamil. Pelas fotos que tinha visto anteriormente, o lugar parecia um mini Guarujá com praias menores, só que de água cristalina. Mas a realidade é muitíssimo pior do que qualquer balneário praiano sem noção que lembro de ter visto. Filial do inferno, Sarandë é um aglomerado de edifícios que quase despencam em cima de umas prainhas mixurucas (um dia eles vão despencar). A cidade estava às moscas e ainda assim havia trânsito, por causa da meia dúzia de busões polacos estacionados na única, e estreitíssima, rua principal. A arquitetura é um espanto. Os prédios são pintados de roxo, rosa-choque, verde-limão. As varandas têm grades douradas, que se misturam a balaustradas inventivas (tipo em formado de sereia) e outras pérolas.

 

Enfim chegamos a Ksamil que… digamos…. é o que Sarande deve ter sido há uns 15 anos. Filhotes dos monstros verde-limão já estão invadindo o pedaço. E, na dúvida, eles deixam os ferros da estrutura pra fora da laje, caso resolvam fazer um puxadinho no ano que vem. Mas evitando girar muito o pescoço, e focando na paisagem, você consegue ser feliz. Depois de sondar algumas pousadinhas de dar medo, encontramos um lugar decente, de frente para o mar, numa parte bem pouco urbanizada da praia. “Ufa, até que enfim um pouco de bom gosto”, disse em português, na frente da dona da pousada. Maridão arregalou os olhos e sussurrou: “você viu aquilo?”. No corredor, um maravilhoso veado empalhado (sim, de verdade) fazia as vezes de enfeite. Mas as paredes eram brancas o que, àquelas alturas, bastava.

 

Fim de tarde da varanda da nossa pousada (e que se dane o veado empalhado!)

Fim de tarde da varanda da nossa pousada (e que se dane o veado empalhado!)

Outro tom de fim de tarde, com vista para a ilha grega de Corfu

Outro tom de fim de tarde, com vista para a ilha grega de Corfu

Um exemplo da maravilhosa arquitetura. Repare na escada que leva ao nada e no edifício verde lá no fundão. É prêmio Pritzker na certa!

Um exemplo da maravilhosa arquitetura. Repare na escada que leva ao nada e no edifício verde lá no fundão. É prêmio Pritzker na certa!

Doi no coração ver o bonito que poderia ser aquele lugar. Bem na frente da ilha de Corfu, Ksamil por pouco não é uma ilha (veja o mapa abaixo para entender a geografia). Na frente, o mar. Atrás, há uma belíssima lagoa de água salgada. A poucos metros do povoado ainda há um grupinho de ilhotas, que desenham uma paisagem lindíssima. A areia da praia é absurdamente branca e fina, raridade na região, e a água é de um agressivo azul caribenho. Por essas e outras, curti. Apesar da breguice, apesar da falta de noção de sustentabilidade, apesar do veado empalhado.

Captura de Tela 2014-10-16 às 16.26.09

 

A caminho da praia

A caminho da praia

O que deve funcionar como um barzinho simpático no verão

O que deve funcionar como um barzinho simpático no verão

Uma das prainhas de Ksamil

Uma das prainhas de Ksamil

A cor do mar é a melhor recompensa

A cor do mar é a melhor recompensa

Caribe?

Caribe?

Olho no degradê!

Olho no degradê!

Entrando no clima, alugamos um pedalinho em forma de golfinho azul e fomos explorar as ilhotas. Depois de alguma musculação, atracamos nossa “embarcação” na praia. Eis mais um lugar que poderia ser maravilhoso só que… o governo albanês explodiu um bar clandestino que funcionava por ali há não sei quantos anos e… tcharan! Esqueceu de levar os escombros embora! Há ferros retorcidos, pregos enferrujados e entulho jogados pelos cantos.

 

Nosso possante

Nosso possante

Pedaaaaala!

Pedaaaaala!

As imagens abaixo dão uma noção do drama. A primeira é a foto safada que você posta no Instagram (fiz isso, confesso) e a segunda é a realidade. Bora subir no golfinho antes que a gente espete o pé, amorrr….

 

Foto safada

Foto safada

Realidade

Realidade

O jeito foi ficar na praia vazia, curtindo a areia branca, o mar absolutamente cristalino e o sol do fim do verão. E, à noite, comer no único restaurante aberto do povoado na baixa estação, onde conhecemos a fofíssima Josefina, uma menina espertíssima que em poucos dias estava arranhando umas palavras de português — enquanto nós lutávamos para memorizar um reles “faleminderit” (obrigada, em albanês). Também foi interessante conversar com alguns dos outros pouquíssimos turistas…. todos kosovares! Nunca tinha conversado com kosovares antes.

 

Se eu aconselho que você despenque daí do Brasil até Ksamil? Nope! Mas no fim das contas peguei carinho. Sobre as cenas do próximo capítulo, posso adiantar que a Albânia tem praias beeeem melhores.

 

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Ksamil15

 

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