Um roteiro de trem pelos cafés e recantos artísticos da França

11 noites de maravilhas pelos campos e cidades de Paris, Avignon, Arles, Aix-en-Provence e Marselha

PARIS — 4 noites

Um bar cheio de clientes, visto da parte lateral do balcão e de frente para a porta, por onde entra a luz do sol. O bar e restaurante La Recyclerie, uma antiga estação de trem em Paris

O bar e restaurante La Recyclerie, uma antiga estação de trem em Paris (Facebook/Divulgação)

Paris merece uma viagem só para ela, é verdade. Mas quem já conhece a cidade de outros carnavais pode combiná-la aos destinos da Provence, coroados com uns dias em Marselha. Antes de rumar ao sul, explore atrações menos usuais da capital, como a Fundação Louis Vuitton, prédio futurista que abriga boas exposições temporárias, ou a antiga estação de trem La Recyclerie, hoje convertida em bar e restaurante.

Apesar de estar em uma estação ainda em funcionamento, o restaurante Le Train Bleu também remete ao passado, já que conserva a mesma decoração rococó do século 19. Fica dentro da Gare de Lyon, de onde sai o TGV, o trem-bala francês que vence, em 2h40min, os 700 quilômetros que separam Paris de Avignon.

AVIGNON — 2 noites

Janela aberta de moradia típica de Provence As casinhas dos vilarejos de Provence são assim, bonitinhas e simples

As casinhas dos vilarejos de Provence são assim, bonitinhas e simples (Party Lin/Flickr)

Um palácio medieval imponente se ergue no canto esquerdo da foto, cercado por turistas. À direita, uma escultura imita um elefante se equilibrando perfeitamente pela tromba O Palais de Papes, em Avignon

O Palais de Papes, em Avignon (Luca Perino/Flickr)

A cidade é uma ótima base para explorar a Provence em bate e voltas e merece pelo menos dois dias de dedicação voltados à visita ao gigantesco Palais des Papes, que já foi residência oficial dos papas da Igreja Católica, e à Pont d’Avignon, uma ponte medieval que cruzava o Rio Rhône até ser parcialmente destruída pela força das águas, em 1668. Encaixe no roteiro uma passada no Mercado Municipal, bem central, para comprar insumos para um piquenique à beira do rio ou no parque Rocher des Doms, que tem ótimas vistas.

ARLES — Bate e volta

Foto de uma rua de Arles, estreita e cercada por casas de três a quatro andares Arles, a cidade em tons pastel

Arles, a cidade em tons pastel (Tristan Taussac/Flickr)

Usando os trens regionais TER, dá para esticar de Avignon até Arles em menos de 20 minutos. A impressão de que a charmosa vila em tons pastel saiu diretamente de um quadro não é à toa: Van Gogh pintou quase 300 telas por lá, muitas vezes retratando o casario da cidade.

Muita gente passa por Arles justamente para seguir os passos do holandês que ali protagonizou uma das cenas mais emblemáticas de sua existência – o surto que culminou na mutilação de parte de sua orelha. Além dos ares artísticos, Arles tem ainda um impressionante anfiteatro romano, que data do século 1 antes de Cristo.

AIX-EN-PROVENCE — 2 noites

Fachada de uma loja de bolos e biscoitos, decorada em estilo antiquado, nas ruas de Aix-en-Provence O charme de Aix-en-Provence

O charme de Aix-en-Provence (Ralf/Flickr)

Apesar de estar a apenas 87 quilômetros de Avignon, Aix merece bem mais que um bate e volta. Tente se hospedar nos arredores da Cours Mirabeau, pomposa avenida principal da cidade, e passe os dias imitando os franceses bon-vivants, a flanar por ruelas coalhadas de cafés charmosos.

Se Arles é o xodó de Van Gogh, Aix foi musa inspiradora de Cézanne: seu ateliê na cidade é aberto ao público. Os estudantes universitários que moram ali contribuem para dar um toque de vida real a uma cidade que poderia ser cenográfica, além de agitarem à noite nos bares e restaurantes.

MARSELHA — 3 noites

Imagem lateral da ponte acima do mar em direção ao museu de Marselha, no centro da foto. O modernão Mucem, em Marselha

O modernão Mucem, em Marselha (Pierre Metivier/Flickr)

Para dar um respiro do pacato estilo de vida provençal, escolha Marselha, segunda cidade mais populosa da França, a 40 minutos de trem de Aix. Cheia de referências do Oriente Médio e do norte da África, a metrópole foi considerada por muitos anos o patinho feio francês, mas começou a mudar sua fama com a inauguração do Mucem, um belíssimo museu sobre a história das civilizações mediterrâneas, em 2013.

As melhores vistas do Vieux-Port, o fotogênico porto antigo marselhês, são do alto da Catedral de Notre-Dame de la Garde, igreja neobizantina encarapitada a 161 metros de altura. Dedicar três noites a Marselha permite ao viajante um dia de passeio nos arredores até as calanques de Cassis, enormes falésias que escondem praias de água clarinha, acessíveis de barco ou por trilha.

Melhor época

Em setembro, ainda faz algum calor, e as multidões das férias de verão já se foram. Evite ir no fim do outono e no inverno, quando muita coisa fecha na Provence e o vento forte é um castigo.

Que tal acompanhar o roteiro pelo Google Maps?

Texto publicado na edição 256 da Viagem e Turismo (fevereiro/2017)

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