Roteiro: 48 horas em Montevidéu, a capital do Uruguai

Destino ideal para um fim de semana, a capital uruguaia traz um profundo sentimento de nostalgia

Por Fábio Vendrame Atualizado em 19 jul 2021, 12h52 - Publicado em 4 Maio 2012, 22h23

Atualizado em fevereiro de 2019

Montevidéu inspira saudade. É impossível desvencilhar a capital da República Oriental do Uruguai de um profundo sentimento de nostalgia. Com a discreta e habitual elegância acentuada no inverno, seus moradores parecem eternos figurantes de filmes de época enquanto flanam pelas alamedas centenárias da Ciudad Vieja (Cidade Velha).

Ciudad Vieja (Cidade Velha) em Montevidéu, no Uruguai
Ciudad Vieja (Cidade Velha) em Montevidéu, no Uruguai Caio Vilela/Reprodução

No verão o destino também é atraente e convida a esticadas até Punta del Este e roteiros casados com a capital argentina, Buenos Aires, do outro lado do Rio da Prata. O escritor Eduardo Galeano, uma das referências literárias locais ao lado de Mario Benedetti, a define como a cidade em que “as pessoas se amam sem dizer e se abraçam sem se tocar”.

Voos diretos a partir de São Paulo ajudam a fazer de Montevidéu destino ideal para um fim de semana ou feriado. Confira o que fazer nessas 48 horas em Montevidéu (de preferência de mãos dadas com a pessoa amada).

 

Dia 1

Não convém ter pressa em Montevidéu. Nem é necessário, diga-se. A cidade é bastante plana e convida a passeios a pé, ou de bicicleta, modalidade em voga entre boa parte de seus 1,5 milhão de habitantes. De cara, procure pelo Mercado del Puerto.

Mercado del Puerto - Montevidéu, Uruguai
Mercado del Puerto, endereço certo para esbaldar-se nas parrilladas Suedehead/Flickr

Ninguém está autorizado a perdê-lo de vista na capital cisplatina. Endereço certo para esbaldar-se nas parrilladas, sempre uma ótima pedida para o almoço. Até porque ali você já pode se familiarizar com o nome dos diferentes tipos de cortes e também com o vinho nacional. Ainda que você não seja fã de carne vermelha, vale visitar o antigo prédio, de 1868, que abriga essas e outras especialidades uruguaias, do doce de leite a lojinhas de artesanato e de roupas de couro.

Duas ou três horas depois, já devidamente abastecido, a pedida é seguir a pé sem muito roteiro definido, explorando o resto da Ciudad Vieja (Cidade Velha). Não tem como errar. Aqui se concentram construções da época colonial, livrarias e bons museus.

Uma das joias arquitetônicas do distrito é o Teatro Solís, de 1856, refinado palco da cultura no país. A visita guiada a suas dependências leva cerca de uma hora. Pertinho dali fica a Puerta de la Ciudadela, um dos poucos resquícios remanescentes do período em que a cidade era cercada por uma muralha, na Plaza Independencia.

Plaza Independencia, Montevidéu, Uruguai
Plaza Independencia, Montevidéu, Uruguai Wikimedia Commons/Reprodução

Situada no final da Avenida 18 de Julio, a artéria mais importante da cidade, cujo trajeto é pontuado por praças acolhedoras e por todo lado há casas de câmbio, lojas, restaurantes e hotéis.

Ao desembocar na praça você dará de cara com o monumento em homenagem ao general Artigas, responsável pelo movimento de independência do país que culminou em 1828 – vale lembrar que o Uruguai chegou a ser anexado pelo Brasil. Dali é possível avistar o facilmente reconhecível Palácio Salvo, um dos prédios mais emblemáticos de Montevidéu.

Agora, indo em direção à Plaza de la Constitución, você irá se deparar com a Igreja Matriz, de 1799, e o Cabildo, onde eram tomadas as decisões políticas mais importantes do país e hoje abriga o Museu e Arquivo Histórico Municipal. O conjunto é formado por cinco casas históricas, e cada qual guarda um tipo diferente de acervo. Entrada franca.

Ainda no centro antigo, e de uso exclusivo dos pedestres, o peatonal Sarandí, um calçadão que concentra livrarias, lojas, cafés. Um bom lugar para se perder entre tragos de mate, colheradas de doce de leite ou taças de vinho.

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Peatonal Sarandí, em Montevidéu, no Uruguai
No centro velho, caminhe pelo peatonal Sarandí, um calçadão que concentra livrarias, lojas, cafés em Montevidéu, no Uruguai Gabriel Millos/Wikimedia Commons

E também para dedicar algum tempo àquele que talvez seja o museu mais interessante da capital, o Museu Torres García. Principal artista plástico uruguaio, Joaquín Torres García tem entre suas criações o mapa invertido da América do Sul, em que situa seu país natal acima dos demais. Essa figura clássica naquelas bandas estampa de camisetas a relógios de mesa.

À noite, uma ideia pode ser conferir os shows de tango e candombe promovidos pelo Bar Fun Fun. É feito para agradar aos turistas, claro, mas divertido o suficiente para valer a dica. Se quiser curtir o lado mais boêmio de Montevidéu, siga sem dúvidas para Pocitos, onde há um bom número de bares e casas noturnas, como El Pony Pisador e o Café Bar Tabaré, entre outros.

 

Dia 2

Você pode começar o dia, ou fazer uma estratégica parada no meio da tarde, na Oro Del Rhin, um dos templos nacionais de cafés, pães e doces, muitos doces. Tudo o que você sempre quis combinar com o melhor doce de leite do mundo está ali.

Com energia de sobra acumulada, uma opção para manter o clima nostálgico montevideano é emendar uma visita ao Estádio Centenário, palco da primeira Copa do Mundo, em 1930, onde há um acervo aberto à visitação. Ali a Celeste Olímpica escreveu algumas de suas passagens mais memoráveis. Para chegar lá, no entanto, será preciso pegar um táxi.

Dedique a tarde a um largo passeio pelas Ramblas, avenidas que margeiam o Rio da Prata, ao qual os uruguaios se referem sem pestanejar como “mar”. E, de fato, é belo como tal.

Ramblas, em Montevidéu, no Uruguai
As ramblas, avenidas que margeiam o Rio da Prata, em Montevidéu, no Uruguai Gabriel Millos/Wikimedia Commons

Na hora em que a fome bater, procure por uma das lanchonetes da rede La Pasiva. Panchos, chivitos e outras combinações compõem deliciosos e nutritivos sanduíches nesse clássico ponto de encontro montevideano.

Se quiser conferir a habilidade manual uruguaia, vá ao Mercado de los Artesanos. Lá você encontra boas lembrancinhas a preços honestíssimos.

Mercado de los Artesanos, em Montevidéu
Mercado de los Artesanos, em Montevidéu Mercado de los Artesanos/Reprodução

Outros artigos impreteríveis numa visita a Montevidéu são os confeccionados em lã, encontrados na Manos del Uruguay. Há também ótimas lojas especializadas em roupas de couro, embora os preços só baixem depois de agosto.

Em seu tour de compras tampouco podem faltar exemplares do ótimo vinho tannat, uva típica do país, além de, claro, potes e potes de doce de leite. Os lugares mais indicados para se abastecer tanto de um como do outro são os mercadinhos de bairro – na região central há quase um a cada esquina –, cujas prateleiras estão sempre fartas desses produtos.

É o tal negócio, nada melhor do que fazer como os próprios uruguaios fazem, oras. Para se enturmar de vez, opte por uma bela refeição num dos restaurantes frequentados pelas famílias cisplatinas. No El Fogón, as parrillas crepitam noite adentro, criando uma atmosfera que não há igual em nenhum outro canto.

E, pode apostar, não vai tardar para você sentir saudades de Montevidéu. Até porque esse sentimento tem tudo a ver com a mais serena das capitais sul-americanas.

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