Alto custo do RT-PCR é entrave para a retomada das viagens

Pesquisa da IATA revela que o custo médio de uma passagem só de ida pode duplicar; OMS argumenta que governos devem arcar com o valor dos testes

Por Bruno Chaise Atualizado em 10 Maio 2021, 16h35 - Publicado em 10 Maio 2021, 16h23

A retomada das viagens internacionais esbarra não apenas nas fronteiras fechadas e a lentidão da vacinação, cenário que o Brasil hoje enfrenta, mas também no custo dos exames. A exigência de testes, em especial o RT-PCR, encareceram as passagens. Não à toa que o interesse de brasileiros por destinos como o México tem aumentado, tendo em vista que o país não exige exames para entrar. Temendo que isso prejudique a recuperação do setor, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) chamou a atenção dos governos internacionais para o fato de que os altos custos dos testes poderão inviabilizar viagens ao exterior. 

A IATA analisou o valor do RT-PCR, o teste mais exigido pelos governos, em 16 países, entre eles o Brasil, e constatou que em média o custo mínimo é de US$ 90 e o máximo é de US$ 208. A inclusão do valor dos testes nas tarifas aéreas representaria um aumento de quase 90% no custo das passagens. Segundo dados de 2019, antes da crise uma passagem aérea só de ida, já com taxas, custava em média US$ 200. 

Agora, com a soma dos custos dos exames, necessários tanto na ida quanto na volta, o custo médio chega a quase US$ 400 para apenas um passageiro. No caso de uma família de quatro pessoas, uma viagem que custaria US$ 1.600 antes da covid poderá custar quase o dobro e chegar a US$ 3.040 – sendo US$ 1.440 apenas gastos com testes.

“Com a suspensão das restrições de viagens nos mercados domésticos vemos um forte aumento da demanda, que poderá ficar comprometida de forma significativa com os custos dos exames, principalmente o RT-PCR”, afirmou Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Veja abaixo o levantamento feito pela IATA do quanto pode custar, em dólares, um exame RT-PCR em 16 países do mundo:

IATA/Divulgação
  • OMS defende a gratuidade dos testes 

    O comitê de Emergência da Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS) já se posicionou afirmando que os países não devem cobrar pelos testes, vacinas e nem emissão de certificados. O parlamento Europeu apresentou proposta no final de abril para que os testes sejam universais, acessíveis, rápidos e gratuitos em toda a Comunidade Europeia. Entre os países presentes na pesquisa da IATA, a França é a única em que o teste para residentes é gratuito (a pessoa faz o exame e pede um reembolso através de um formulário apresentado à previdência social). Nos Estados Unidos o teste é pago em âmbito nacional, mas moradores de Nova York podem realizar o RT-PCR de forma gratuita através de agendamento. 

    “Os custos dos testes não devem interferir na liberdade das pessoas de viajar. A retomada das viagens significa muito, como a segurança de emprego, oportunidades de negócios e a necessidade de ver familiares e amigos. Os governos devem agir rapidamente para garantir que os custos dos testes não atrasem ainda mais a retomada das viagens”, disse Walsh.

    Até o momento a vacinação no Brasil anda a passos lentos. Segundo dados divulgados no sábado (8), o país está 58º lugar no ranking global da aplicação da vacina, considerando o número de doses para cada 100 habitantes. Em números absolutos o Brasil está em 4º lugar, com mais de 52 milhões de doses aplicadas, o que corresponde a 12,5% da população, segundo dados do Vaccine Tracker, da Bloomberg. Ou seja, tudo indica que os testes terão uma vida longa por aqui.

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