Como foi viajar para as Bahamas na pandemia

As burocracias do embarque, os testes de covid, os brasileiros que são barrados por não terem toda a documentação e, o que mais importa, a vida nos resorts

Por Bárbara Ligero Atualizado em 10 jan 2022, 10h46 - Publicado em 26 nov 2021, 16h11

(Atualização: Em janeiro de 2022, o governo das Bahamas atualizou os protocolos de entrada no país. Os viajantes que foram totalmente vacinados com Pfizer, AstraZeneca, Janssen ou Moderna, além das crianças de 2 a 11 anos, devem apresentar resultado negativo para exame RT-PCR ou de antígeno feito no máximo três dias antes da chegada. Já os viajantes que ainda não foram totalmente vacinados devem obrigatoriamente fazer o teste do tipo RT-PCR, dentro do mesmo prazo. Independente do status de vacinação, é necessário realizar um teste de antígeno após a chegada ao país, cujo preço já está incluído no pagamento do obrigatório Bahamas Travel Health Visa, em um dos locais aprovados pelo governo.)

Os preparativos para a minha primeira viagem internacional desde o início da pandemia começaram cinco dias antes da data de chegada nas Bahamas. Sim, cinco dias é o prazo máximo que se tem para realizar um exame do tipo RT-PCR em uma farmácia, laboratório ou hospital que emita o resultado em inglês (veja aqui onde fazer o seu). Certifiquei-me que o exame ficaria pronto pelo menos dois dias antes do embarque porque precisaria dele para aplicar para o Travel Health Visa, outro pré-requisito para entrar nas ilhas durante a pandemia. 

A solicitação do visto de saúde é feita através deste site, onde inseri dados pessoais, informações da viagem e anexei o resultado negativo do RT-PCR. Caso você já tenha sido vacinado há pelo menos 14 dias com Pfizer, AstraZeneca, Moderna ou Janssen, que são os imunizantes reconhecidos pelo país, é necessário anexar também o comprovante em inglês obtido através do Conecte SUS (veja o passo a passo aqui).

Assim que o cadastro foi aprovado pela autoridade de saúde de Bahamas, recebi um e-mail solicitando o pagamento com cartão de crédito ou por boleto bancário de uma taxa de US$ 50 a US$ 70 – o valor varia de acordo com a duração da viagem e o status de vacinação do passageiro (quem não está imunizado paga mais porque precisa fazer um teste de antígeno no quinto dia de viagem). Só então o Travel Health Visa foi emitido e enviado por e-mail. No meu caso, todo o procedimento demorou menos de 12 horas, mas é sempre aconselhável aplicar com antecedência.

No dia da viagem, 25 de setembro, apresentei-me no guichê da Copa, em Guarulhos, para despachar as malas e mostrar a documentação. Depois de uma fila longa e sem qualquer tipo de distanciamento social, fui atendida por um funcionário que me pediu, além do passaporte, o Travel Health Visa, o resultado negativo do teste RT-PCR e, não menos essencial, o Certificado Internacional de Vacinação Contra Febre Amarela (CIVP). 

Como estava com toda a papelada em mãos, fui liberada para embarcar pouco tempo depois disso, mas não posso dizer o mesmo dos demais. Foi uma surpresa ver uma série de passageiros sendo barrados pela simples falta do comprovante de vacinação contra febre amarela. Quem já tomou a vacina consegue emitir gratuitamente o comprovante pela internet em até cinco dias úteis. Um baita prejuízo.

Apertem os cintos: o serviço de bordo sumiu

A opção mais rápida para chegar nas Bahamas é voar com a Copa Airlines, que faz conexão na Cidade do Panamá. Arrisquei uma conexão de apenas 40 minutos e o tempo foi suficiente para trocar de aeronave, já que não é preciso passar pela imigração, mas obviamente não sobrou nem um minuto para vasculhar o free shop panamenho. Com o dólar nas alturas, nem senti falta das comprinhas, mas pagaria mais para não ter voos tão sofridos.

Tanto na primeira perna, de seis horas e meia, quanto na segunda, de três horas, foi um jejum tanto de comida – ofereceram apenas uns salgadinhos de banana made in Panamá –, quanto de entretenimento de bordo. Sim, nada de TVs individuais, mesmo sendo aeronaves Boeing Max novas. 

Uma alternativa seria voar com a American Airlines, que faz conexão em Miami. Como os Estados Unidos ainda estavam fechados para brasileiros em setembro, essa não foi uma possibilidade para mim, mas é algo a se considerar hoje caso você esteja com o visto de turismo (B-2) em dia ou tenha um visto de trânsito (C-1).

Bahamas
Pelo menos o assento era na janela! Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

Na chegada à imigração do Aeroporto Internacional de Lynden Pindling, em Nassau, aquela mesma papelada que apresentei em Guarulhos foi solicitada – a única diferença é que questionaram também onde eu me hospedaria.

O clima, porém, já era de ócio: enquanto esperávamos em uma curta fila, assistíamos à apresentação de uma banda de jazz. “Sim, todos os dias é assim”, me respondeu a funcionária antes de carimbar meu passaporte e “bem-vinda às Bahamas!”.

Testes de Covid-19 + Questionário de saúde

A rapidez e a hospitalidade perdurariam nos dias que se seguiram. Depois de uma viagem de menos de quinze minutos de transfer do aeroporto ao complexo turístico de Baha Mar, fui recebida com um copo de Bahama Mama na recepção do Rosewood, onde ficaria hospedada.

O drink típico do país, que leva xarope de romã, suco de laranja, suco de abacaxi e dois tipos de rum, ainda estava praticamente intacto nas minhas mãos enquanto uma enfermeira colocava o cotonete nas minhas duas narinas para o teste de antígeno, rápido e surpreendentemente menos invasivo do que o RT-PCR que eu já tinha feito no Brasil (entenda a diferença entre os exames aqui).

Na sequência, fui acompanhada até o meu quarto, onde deveria aguardar até que o resultado chegasse no meu e-mail. O sol estava a pino e a vista da janela revelava aquele azul turquesa arrebatador, mas nem tive tempo de ficar ansiosa para ir à praia: depois de tirar algumas coisas da mala, tomar um banho e colocar o biquini, já tinha recebido o laudo negativo e estava liberada para turistar.

Rosewood Baha Mar, Bahamas
Vista da janela do quarto no Rosewood Baha Mar e o que me esperava lá fora. Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

Apesar de não ser uma exigência do governo das Bahamas testar os estrangeiros na chegada ao país, resortões como Baha Mar, Atlantis, Riu, Margaritaville Beach e Sandyport Beach montaram suas próprias infraestruturas para realizar exames de Covid-19, que são incluídos no valor da diária e praticamente fazem parte do procedimento de check-in.

Esses espaços vêm à calhar na hora de fazer outros testes durante a viagem. Os protocolos sanitários das Bahamas estabelecem que todos os estrangeiros que ainda não foram completamente vacinados (ou que receberam vacinas não reconhecidas pelo país, como a Coronavac) devem fazer um teste de antígeno no quinto de viagem em um dos locais credenciados – e os resorts mencionados acima estão entre eles (veja a lista completa aqui). Esse exame obrigatório já está incluído no valor pago pelo Travel Health Visa e o resultado é enviado diretamente para o governo, com uma cópia para o seu e-mail. 

Bom, e seja qual for o status de vacinação, para embarcar de volta ao Brasil é necessário fazer um teste de Covid-19, além de preencher a Declaração de Saúde do Viajante (saiba mais aqui).

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Na época (parece que foi em outra vida, mas foi agora em setembro), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) só aceitava exames do tipo RT-PCR feitos nas últimas 72 horas, de forma que tive que desembolsar US$ 165, absurdos R$ 912 na cotação daquele dia, no centro de testagem do Atlantis. Desde 5 de outubro, porém, a Anvisa aceita também os testes de antígeno feitos nas últimas 24 horas, uma alternativa mais rápida e, principalmente, mais barata.

Também faz parte das obrigações de quem visita as Bahamas responder diariamente um questionário de saúde, chamado de Bahamas Travel Visa Survey. Ignorá-lo implica em multas, quarentena obrigatória e até deportação. O formulário em inglês é enviado todos os dias por volta das 22h para o mesmo e-mail que você utilizou para solicitar o Travel Health Visa – importante checar a caixa de spam caso a mensagem pareça estar demorando para chegar.

Bahamas
Depois de preencher a pesquisa de saúde diária, o recado avisando que está tudo certo. Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

Sobre máscaras e os brasileiros que encontrei

A eficiência e a naturalidade com as quais todos esses protocolos se desenrolam demonstram que o país já está bem adaptado a um “novo normal”. Afinal, as ilhas fortemente dependentes do turismo estão recebendo viajantes do mundo inteiro desde julho de 2020.

Nos lugares onde me hospedei – Baha Mar, Four Seasons The Ocean Club e Atlantis -, a sensação é quase de normalidade. As máscaras continuam obrigatórias, mas na prática a maioria das pessoas acaba não usando nos ambientes ao ar livre. Especialmente nas praias, piscinas e parque aquáticos, que geralmente são grandes o suficiente para manter um bom distanciamento entre as pessoas. As baladas ainda estão fechadas, é verdade, mas já há uma certa animação noturna nos bares e cassinos.

Atlantis, Bahamas
Mesas disputadas no cassino do Atlantis. Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

O lugar que mais sofreu com a pandemia talvez seja justamente o gigante do pedaço, o Atlantis. A queda no movimento foi a desculpa que o resort-símbolo de Bahamas precisava para reduzir o número de funcionários e fechar o The Beach, um dos cinco hotéis do complexo, para uma reforma que ainda nem começou. Ainda assim, o impacto na experiência do hóspede é mínimo: notei que o staff não dava conta de manter a área da praia limpa e organizada ao longo do dia e ouvi alguns habitués relatando que a qualidade da comida decaiu. 

The Cove, Atlantis, Bahamas
Toalhas e espreguiçadeiras largadas na praia em frente ao Atlantis. Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

Fora dos complexos turísticos, a situação também não é muito diferente. Claro que alguns restaurantes e lojas não sobreviveram à pandemia, mas com a retomada dos cruzeiros pelo Caribe milhares de cruzeiristas voltaram a ser despejados diariamente no centro de Nassau, injetando dinheiro na economia local. A única coisa que chama atenção é a exigência de comprovante de vacinação ou teste de Covid-19 para embarcar nos passeios de barco rumo a Exumas, arquipélago paradisíaco sobre o qual falarei em uma matéria à parte.

Nassau, Bahamas
Os cruzeiristas já voltaram a encher o centro de Nassau (e a comprar souvenires). Crédito: Bárbara Ligero/Arquivo pessoal

Dessa forma, resta pontuar que a abertura precoce da qual falamos há pouco atraiu uma porção de brasileiros endinheirados para Bahamas, que viram nas ilhas uma espécie de trampolim para os Estados Unidos. Durante minha viagem entre o fim de setembro e o início de outubro, todos os conterrâneos que encontrei estavam ali com “segundas intenções”.

Uns estavam passando 14 dias fora do Brasil para terem a entrada liberada no território norte-americano. Era o caso de uma brasileira que conheci no Four Seasons The Ocean Club que, oh God, disse que não podia perder de jeito nenhum o Festival de Cinema de Nova York, que começaria dali uns dias.

Outros estavam renovando o visto americano na Embaixada dos Estados Unidos em Nassau. Um casal com quem conversei na piscina do Rosewood relatou que o processo por lá tinha sido bem rápido. Um cenário bem diferente daqui do Brasil, onde a espera continua longa, apesar da promessa dos consulados de aumentar a quantidade de entrevistas ainda em 2021.

Alguns brasileiros tinham feito a viagem pelos dois motivos. E ainda esbarrei no aeroporto com um senhor que aproveitou para tomar a dose única da Janssen, mesmo já tendo sido totalmente vacinado, porque achava que a Coronavac e a Astrazeneca, da Fiocruz, não seriam aceitas na terra de Biden.

O temor dele não se concretizou e, com a reabertura dos Estados Unidos para todos os brasileiros vacinados no dia 8 de novembro, esse tipo de turismo chegou ao fim. Assim, o protagonismo voltou para onde deveria: o mar morno e azul-turquesa, as praias de areia branca e fininha, os drinques coloridos…

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