Como é a procissão do Círio de Nazaré, em Belém do Pará

Um relato sobre o Círio de Nazaré, uma espécie de maratona religiosa que reúne cerca de 2 milhões de pessoas nas ruas de Belém do Pará, em outubro

Primeiro domingo de outubro. Ainda falta uma semana, mas a maniçoba já está no fogo, anunciando a chegada do Círio de Nazaré, em Belém do Pará.

O fogão não descansa um único minuto: sai a panela com a folha da mandioca, entra o pato para assar; sai o pato, refoga o jambu… E, nesse ritmo, o perfume que se desprende da cozinha atrai familiares e amigos para a principal data do calendário paraense.

O Círio não é apenas uma das maiores, mas também está entre as mais longevas festas religiosas do Brasil. Em 2017 vai para sua 225ª edição e costuma reunir cerca de 2 milhões de pessoas.

Pessoas se reúnem em frente ao Mercado Ver-O-Peso, em Belém, para acompanhar a festa do Círio de Nazaré (Celso Abreu/creative commons/Flickr)

No sábado, véspera da procissão, famílias inteiras se aglomeram na Escadinha do Cais do Porto, no Centro da cidade, à espera da padroeira.
Como grande parte do visitantes, ela chega de barco, vinda do bairro de Icoaraci e acompanhada por uma romaria fluvial repleta de barulhentos jet skis, lanchas e embarcações maiores que agitam as águas da Baía de Guajará.

Em terra firme, o fuzuê fica a cargo do também ensurdecedor barulho de buzinas e do ronco de escapamentos de 15 mil motocicletas, já na concentração para a “motorromaria” que segue com a Virgem de Nazaré até a parada seguinte, o Colégio Gentil Bittencourt.

Neste momento, a cidade ferve. Literalmente, com as temperaturas nada amenas da região amazônica, ou no sentido figurado, com a programação cultural intensa que acompanha a festa religiosa. Em paralelo ao sagrado, shows e apresentações folclóricas pipocam em vários pontos da capital.

Fim de tarde, o calor finalmente dá uma trégua, e está na hora de a Virgem de Nazaré andar de novo. Desta vez até a Catedral da Sé, em uma procissão conhecida como Trasladação da Santa, em que os fiéis iluminam o caminho com velas.

Quer ver a imagem? A hora é essa, especialmente se você agir estrategicamente, montando tocaia na Praça Frei Galvão, em frente à Catedral, e conseguindo marcar terreno até ela passar.

Afinal, no domingo, não basta reza brava para acompanhar a procissão perto da corda que conecta os fiéis à imagem da santa. É preciso também madrugar.

Às 5h30, uma multidão de fiéis já se aglomera em frente à catedral para ver a missa. O sol ilumina o mar de gente, e a caminhada de fé se inicia em direção à Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.

Os mais fervorosos – e corajosos – formam um cordão humano em toda a extensão da corda e mal encostam os pés no chão, sendo levados no corpo a corpo por outros fiéis.

Alguns seguem descalços, outros carregam pesadas cruzes, réplicas da santa ou objetos que remetem a alguma graça alcançada. Nessa imensidão humana, ver pessoas saindo em macas do meio da romaria é a coisa mais comum do mundo. Uma ópera da vida real ao som de cânticos religiosos.

E não pense que o Círio acaba aí. A imagem fica exposta por mais uma semana na praça do Santuário, em frente à Basílica de Nazaré, mas a festividade só termina 15 dias depois, com o chamado Recírio.

Nesta última procissão, os fiéis se despedem da Santa e a imagem volta para sua “casa”: o altar da Basílica de Nazaré. Até o próximo Círio, naturalmente.

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Comer, rezar e comprar

Para aguentar toda a programação, só se hidratando e se alimentando bem. Quem não tem família na cidade pode se fartar no restaurante Remanso do Bosque, dos irmãos Felipe e Thiago Castanho, casa eleita a 44ª melhor da América Latina em 2016 pelo ranking da revista Restaurant.

Convém reservar, já que, durante o Círio, fica ainda mais lotada. Assim como os hotéis. Decidiu ir? Reserve já para este fim de semana pelo Booking.

E não deixe de aproveitar a festa para comprar os tradicionais brinquedos de miriti, confeccionados com o levíssimo caule dessa palmeira. É difícil encontrá-los em Belém em outras épocas do ano.

Texto publicado na edição 254 da revista Viagem e Turismo (dezembro/2016)

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