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Ciclismo em São Paulo: o hábito de andar de bicicleta na cidade está conquistando adeptos

Sexta-feira, 6 da tarde, chuva em boa parte da cidade, congestionamento ultrapassando 160 quilômetros e, na Avenida Rebouças, somente os motoqueiros e ciclistas não param em meio ao mundaréu de carros. Fernando Mafra, de 27 anos, é um dos que encaram a chuva em cima de uma bicicleta. “Enquanto os motoristas levam quase uma hora para atravessar os 4 quilômetros que separam a Brigadeiro Faria Lima da Paulista, eu perco só 20 minutos”, diz o analista de marketing, que, assim como cerca de 100 pessoas, estava a caminho da Bicicletada Continental, ato em favor de mais ciclovias e em solidariedade aos 12 ciclistas que foram atropelados em Porto Alegre em 25 de fevereiro.

Movimento bem menos político, mas bem mais intenso, acontece todo domingo de manhã na CicloFaixa, que liga os parques do Povo, Villa-Lobos e do Ibirapuera. Ao todo são 30 quilômetros de faixas demarcadas, permitidas apenas a bicicletas, que podem circular das 7 às 14 horas. Em dias ensolarados, mais de 40 mil pessoas chegam a percorrê-los. A Bradesco Seguros, patrocinadora da iniciativa, em parceria com a Caloi e o Instituto Ciclobr (www.ciclobr.com.br), oferece o SOS Bike, serviço gratuito de pequenos reparos, para o ciclista de fim de semana não ficar na mão se um pneu furar, por exemplo. Há seis bikers mecânicos em todo o percurso e uma tenda fixa no Parque das Bicicletas (no Ibirapuera) para auxiliá-los. “Pedalar aqui é ótimo para interagir de uma forma diferente com a cidade, com segurança e tranquilidade”, diz o bancário Mário Cunha. Mas nem todo mundo acha a iniciativa tão positiva. “A CicloFaixa é temporal e não uma via real. Isso colabora para a ideia de que a bike é apenas uma ferramenta de lazer”, comenta Fernando Mafra lá da Rebouças.

Atualmente São Paulo tem apenas 37,5 quilômetros de ciclovias – o Rio de Janeiro tem quatro vezes mais, 150 -, e a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) prepara a licitação para três novos trechos, nas zonas Leste, Norte e Sul, que somarão 55 quilômetros. As pistas exclusivas que já existem têm poucos acessos e não são interligadas. A do Rio Pinheiros, por exemplo, acompanha 14 quilômetros da linha do trem e tem apenas três pontos de apoio para os usuários. Mesmo assim, em seu primeiro ano, 200 mil pessoas utilizaram a via. “A expansão é lenta e não acompanha o crescimento do número de ciclistas”, diz Marcos Mazzaron, diretor da Federação Paulista de Ciclismo. De acordo com pesquisa realizada em 2007 pelo Metrô de São Paulo, 156 mil das viagens realizadas por dia na cidade são feitas de bicicleta, isso representa apenas 0,6% dos deslocamentos, mas é um número 186% maior do que o mensurado em 1997.

Para incentivar as pessoas a pedalar no dia a dia, desde 2009 o instituto Parada Vital (www.paradavital.org.br) mantém bicicletários em pontos estratégicos, como estações de metrô e de trem. Com patrocínio da Porto Seguro, começou a atuar também em estacionamentos da rede Estapar e agora, em parceria com a Sabesp, pretende chegar aos parques. “O primeiro será o do Ibirapuera, mas queremos expandir mais a nossa teia, que já conta com 24 locais”, diz Ismael Caetano, diretor do instituto. Nos bicicletários das estações de metrô e da rede Estapar, maiores de 18 anos podem alugar uma bicicleta gratuitamente nos primeiros 60 minutos e, depois desse período, por R$ 2 a hora. Nos demais locais o ciclista pode guardar a bike sem pagar nada, levando apenas um cadeado.

Para quem quer voltar a pedalar mas tem medo ou preguiça de ir sozinho, há grupos que organizam passeios, competições e viagens, como o Sampa Bikers (www.sampabikers.com.br). No dia 13 de março, eles realizaram o Bike Pedal Mulher Tour, que reuniu 100 ciclistas no Centro de São Paulo para um passeio a favor do respeito no trânsito e contra a violência doméstica. No dia 17 de abril, o Sampa Bikers organiza a Pedalada de Outono, partindo do bairro da Lapa às 9 horas.

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