Oh, sorry: Britânicos e a mania de se desculpar o tempo todo

Uma pessoa no Reino Unido diz a palavra “sorry”, em média, oito vezes por dia – às vezes sem necessidade. De onde vem esse costume?

Se você já foi para o Reino Unido, talvez uma das palavras que mais escutou da boca dos locais tenha sido “sorry”. Isso porque os britânicos são conhecidos por se desculpar muito (até demais e sem motivo). Eles pedem desculpas pelo clima. Ao sentar do lado de um desconhecido, ou para pedir informação. Até quando são esbarrados na rua – não deveria ser o contrário? E existem números que comprovam esse hábito. 

Uma pesquisa de 2015 constatou que, em média, os britânicos dizem “sorry” oito vezes por dia. Isso resulta em mais de 4 mil vezes ao ano. Se esse número já não fosse alto, uma em cada oito pessoas do Reino Unido se desculpam – acreditem – 20 vezes em um dia. 

O curioso é que, em muitas das vezes, o “sorry” é completamente dispensável: no estudo, 88% dos entrevistados britânicos admitiram se desculpar por algo que nem era sua culpa. Mais da metade pede perdão quando uma pessoa esbarra neles e, por mais absurdo que seja, 7% dos participantes ainda solta um “sorry” em um acidente de carro causado por outro motorista.

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Ok, assim fica nítido que se desculpar muito e desnecessariamente é um costume inerente dos britânicos – quase um tique –, que pode confundir a cabeça de estrangeiros que não estão acostumados. Mas de onde vem essa mania?

Culturalmente, as pessoas do Reino Unido são mais reservadas. Começar uma conversa já se desculpando, principalmente com desconhecidos, é a forma britânica de mostrar respeito, sem ser invasivo, e especialmente sem chamar muito atenção para si mesmo. 

Também não estranhe caso algum britânico te peça desculpas pela chuva, por exemplo. Ele sabe que a culpa não é dele. Mas esse tipo de perdão rotineiro, por situações que fogem do controle de qualquer pessoa, é uma maneira de expressar empatia por alguém em circunstâncias desfavoráveis.

No entanto, se desculpar o tempo todo não faz dos britânicos “bonzinhos”, ou humildes – na verdade, sua fama vai um pouco na direção contrária. É muito mais uma formalidade. Assim como o homem cordial teorizado por Sérgio Buarque de Holanda não é sinônimo de “homem bom”. Mas isso já é outra história.

E você, por acaso percebeu essa mania quando esteve no Reino Unido? 

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