Oh, sorry: Britânicos e a mania de pedir desculpas o tempo todo

Uma pessoa no Reino Unido diz a palavra “sorry”, em média, oito vezes por dia – às vezes sem necessidade. De onde vem esse costume?

Por Giovanna Simonetti Atualizado em 4 jan 2021, 19h20 - Publicado em 23 jan 2020, 18h32

Se você já foi para o Reino Unido, talvez uma das palavras que mais escutou da boca dos locais tenha sido “sorry”. Isso porque os britânicos são conhecidos por se desculpar para quase tudo (até demais e sem motivo): pelo clima, para sentar do lado de um desconhecido, para pedir “com licença” ou solicitar informação. E existem números que comprovam esse hábito. 

Uma pesquisa constatou que, em média, os britânicos dizem “sorry” oito vezes por dia. Isso resulta em mais de 4 mil vezes ao ano. Se esse número já não fosse alto, uma em cada oito pessoas do Reino Unido se desculpam – acreditem – 20 vezes em um dia. 

O curioso é que, em muitas das vezes, o “sorry” é completamente dispensável: no estudo, 88% dos entrevistados admitiram se desculpar por algo que nem era sua culpa. Mais da metade pede perdão quando leva um encontrão na rua e, por mais absurdo que seja, 7% ainda solta um “sorry” em um acidente de carro causado por outro motorista.

Ok, assim fica nítido que se desculpar muito e desnecessariamente é um costume inerente dos britânicos – quase um tique –, que pode confundir a cabeça de estrangeiros que não estão acostumados. Mas de onde vem essa mania?

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Culturalmente, as pessoas do Reino Unido são mais reservadas. Começar uma conversa já se desculpando, principalmente com desconhecidos, é a forma britânica de mostrar respeito, sem ser invasivo, e especialmente sem chamar muito atenção para si mesmo. 

Também não estranhe caso algum britânico peça desculpas pela chuva, por exemplo. Ele sabe que a culpa não é dele. Mas esse tipo de perdão rotineiro, por situações que fogem do controle de qualquer pessoa, é uma maneira de expressar empatia por alguém em circunstâncias desfavoráveis.

No entanto, se desculpar o tempo todo não faz dos britânicos “bonzinhos”, ou humildes – na verdade, sua fama vai um pouco na direção contrária. É muito mais uma formalidade. Assim como o “homem cordial” brasileiro, teorizado por Sérgio Buarque de Holanda, não é sinônimo de “homem bom”. Mas isso já é outra história.

E você, por acaso percebeu essa mania quando esteve no Reino Unido? 

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