Nadando nas nuvens

O Marina Bay Sands de Cingapura, hotel mais comentado do momento, custou US$ 5,5 bilhões e tem a maior piscina de “altitude” do mundo

Ao olhar esta foto, parece ilusão de ótica. Talvez truque de Photoshop. Mas acredite: não é. Esta incrível piscina, localizada no 56º andar do mega-hotel Marina Bay Sands (10 Bayfront Avenue, 65/6688-8888, www.marinabaysands.com; diárias desde US$ 350), em Cingapura, existe de verdade. Eu mesmo, confesso, quando vi imagens do projeto pela primeira vez, não acreditei que fosse possível nadar em uma piscina que parecia tocar os céus. Porém, dentro da água, a sensação foi ainda melhor. Era como se a cidade estivesse a meus pés. E eu a tinha, de fato.

O Marina Bay Sands é um complexo hoteleiro gigante do grupo americano Las Vegas Sands. Esses caras são responsáveis por resorts nababescos na Sin City, como o impressionante The Venetian, que tem uma réplica dos canais e das gôndolas de Veneza. O projeto de Cingapura não fica atrás: são três torres de 55 andares interligadas no topo por uma espécie de pátio, no 56º piso, onde está a piscina. Estima-se que esse tenha sido o hotel mais caro da história. O dono anterior do título era o Emirates Palace, em Abu Dhabi, que consumiu US$ 3 bilhões até sua inauguração, em 2004. O Marina Bay precisou de US$ 5,5 bilhões para ficar pronto. E o que esses US$ 5,5 bilhões podem oferecer a você? Um conglomerado com mais de 2 500 quartos, cassino, shopping center, 50 restaurantes, dois teatros (com capacidade para 3 800 pessoas), centro de convenções e, claro, a maior piscina a céu aberto do mundo em altura tão elevada. Mas já falamos dela. Primeiro, o entretenimento. Em março estreia o musical da Disney O Rei Leão e, ainda em obras, está sendo construído um museu de ciências, que terá o formato de uma flor de lótus. Mas você já pode ajudar a financiar os gastos do hotel deixando seu dinheiro nas 500 mesas de jogos e nas 1 600 máquinas caça-níqueis do cassino. No shopping, marcas como Gucci, Burberry e Manolo Blahnik disputam os visitantes. Na gastronomia, o Marina Bay Sands ostenta restaurantes de chefs badalados, como o DB Bistro Moderne, de Daniel Boulud, dono do Daniel, o famoso três-estrelas do Guia Michelin de Nova York; e também o Mozza, do cozinheiro-sensação Mario Batali. Com tamanho apelo, o Marina virou atração turística instantaneamente, com centenas de visitantes espalhados pelo saguão fazendo fila para os restaurantes, para a piscina…

O hotel foi inaugurado em junho com um atraso de seis meses – o que, com a crise financeira rondando o setor hoteleiro, parece uma bênção. No meu check-in, tive algumas surpresas. Na recepção, por exemplo, deparei com uma fila que lembrava o aeroporto de Congonhas em véspera de feriado. Demorei 40 minutos para conseguir chegar ao balcão, que, naquele momento, contava apenas com uns cinco funcionários.

Fiquei hospedado no 14º andar que tinha uma vista deslumbrante – ainda que parcialmente obstruída pelo centro de convenções. Aliás, a localização de todo o complexo não poderia ser melhor. Situado do lado oposto ao centro financeiro de Cingapura, em uma pequena península entre a cidade e o mar, todos os apartamentos dão vista para o skyline ou para o oceano. E, tal qual o espírito da cidade-Estado, o quarto é todo high-tech. Basta colocar a chave no interruptor do quarto e, pronto!, as cortinas se abrem automaticamente. É tanta tecnologia que você fica perdido – assim como os funcionários. Na hora de apagar as luzes para dormir, eu não conseguia achar o interruptor. Fui pedir ajuda à recepção e, para meu espanto, ninguém soube me informar. Em meio a tanta modernidade, tentei a sorte batendo palma. Não funcionou. Quando já pensava em desistir, achei, em uma gaveta da mesa de cabeceira, o interruptor. Fica a dica.

Na manhã seguinte, com céu nublado e garoa, resolvi me aventurar pelo Sky Park, como é chamado o andar da piscina. Logo de cara fui informado que, por causa da chuva, eu não poderia entrar. Meia hora depois, o mau tempo amenizou e pulei direto na água. Entre uma braçada e outra, eu dava uma espiada no topo dos outros edifícios, que pareciam estar logo ali ao lado.

A 200 metros de altura, a piscina parece estar à beira do abismo. Essa impressão é causada pela borda infinita, a técnica que cria essa ilusão de ótica. Ao todo, são 150 metros de comprimento – ou três piscinas olímpicas em sequência. Só ela ocupa 25% da área do Sky Park. Lá em cima, ainda há deque de observação, bosque e a filial do restaurante Ku De Ta, um famoso beach club de Bali. O deque é a única área aberta a visitantes, que têm de pagar uma entrada de US$ 20.

Como hóspede você acaba se tornando parte da atração, especialmente dentro d’água, onde uma câmera quase sempre está apontada na sua direção. Se o seu negócio é privacidade, talvez seja melhor procurar outro lugar. Também não é de estranhar que o ambiente ali em cima esteja mais para parque turístico que para piscina descolada. Mas, se essa for a sua praia, perfeito: desfaça as malas, suba ao 56º andar e se jogue!

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