Na fila

Visto para os Estados Unidos: com mais de 1 milhão de brasileiros viajando para lá por ano, a espera pelo visto americano pode chegar a quatro meses

Com o dólar abaixo de R$ 1,60, um patamar digno de 1999, o brasileiro tem ido em peso aos Estados Unidos. Em 2010, ultrapassamos a barreira de 1 milhão de passageiros – 35% mais que 2009. Somos também os que mais gastam entre todos os turistas em solo americano. A força desses números e a esperança de que eles possam rapidamente dobrar fizeram com que a US Travel, entidade que representa o setor turístico do país, intensificasse o lobby para que caia a exigência de visto. A questão depende de acordo bilateral – o governo brasileiro precisa endossar a decisão. Enquanto isso, os consulados de São Paulo, Rio e Recife e o setor consular da embaixada dos estados unidos em Brasília tentam fazer sua parte. Com plantões aos sábados e mais funcionários, vêm emitindo número recorde de vistos. Graças ao novo momento econômico, hoje apenas 5% dos pedidos do documento são recusados (contra 55% em 2001). Mas a espera segue longa.

Mais agilidade

“Marquei a ida ao consulado de São Paulo em março, mas só consegui agendar a entrevista para julho”, contou à VT, enquanto aguardava na fila, o aposentado paulistano Gilson Campelli. Ele pretende viajar a Chicago neste mês de agosto e, confiante de que conseguiria o visto, já tinha sua passagem aérea comprada. Em São Paulo foram emitidos, de janeiro a maio, 194 mil vistos americanos, 31% mais do que no mesmo período de 2010. Hoje o tempo de espera médio para a emissão no Brasil é de pouco mais de três meses. A exceção é Recife – 75 dias. Apenas estudantes, viajantes a negócios e pessoas que necessitam de emergências médicas têm prioridade no agendamento. A vice-cônsul americana em são Paulo, Linda Neilan, disse à VT que a melhora da economia do Brasil é hoje responsável pelo baixo número de recusas. “O principal motivo para o visto ser negado é a não comprovação de vínculos econômicos com o Brasil”. Hoje, não são tantos os brasileiros que querem imigrar, diferentemente dos anos 1990 e 2000.

Cai ou não cai?

Roger Dow, presidente da US Travel, encabeça a cruzada contra o visto nos Estados Unidos. Ele dá voz a um setor que congrega parques temáticos, companhias aéreas e hotéis. Dow crê que o número de brasileiros possa dobrar em até dois anos, caso a exigência do visto caia. Foi o que aconteceu com a Coreia do Sul, que teve a isenção regulamentada em 2008, e pulou de 600 mil para 1,1 milhão de turistas em 2010. “A demanda por viagens do Brasil é extraordinária, e o fim do visto ajudaria a criar novos empregos nos Estados Unidos”, disse à VT. Segundo ele, o índice de 5% de rejeição dos pedidos brasileiros já está nos patamares exigidos pelo programa visa Waiver, que isenta 36 países de visto de entrada (nenhum da América Latina, a propósito). Além da citada Coreia do Sul, Grécia e algumas nações do Leste europeu entraram recentemente para o programa. Os argentinos, por outro lado, desde 2002 precisam do visto, ainda que a reciprocidade não seja exercida em solo platense. Com efeito, há mais turistas americanos na Argentina do que no Brasil. Para Dilson Verçosa, diretor de vendas e marketing da American Airlines para o Brasil, o visto é um “fator inibidor”. “Com a burocracia do processo de obtenção do visto, se um turista norte-americano tiver de escolher entre Buenos Aires e Rio, opta pelo primeiro destino”, diz. Outra questão é, claro, o preço. O americano paga, aproximadamente, US$ 250 para tirar o visto brasileiro.

Razões de Brasília

O Ministério do Turismo disse, em nota, que “a exigência de vistos dificulta o incremento do turismo internacional” e que “é importante tomar medidas para facilitar sua emissão.” Já o Ministério das Relações Exteriores chamou atenção para a presença do embaixador Eduardo Gradilone Neto em Washington, no fim de agosto, em reunião para discutir a entrada do Brasil no visa Waiver. No Legislativo, o deputado Jonas Donizette (PSB-SP), presidente da Comissão de turismo e Desporto da Câmara Federal, acredita que o visto possa cair até 2013, quando ocorre a Copa das Confederações, grande evento preparatório à Copa de 2014. Mas ele supõe que exista em Brasília um “receio” de que o déficit nas contas externas aumente muito com a liberação. “São Paulo já é a décima cidade mais cara do mundo, e fazer compras em Miami virou realidade até para a classe média”. Ele também acha que o “governo resiste em abrir mão de uma receita importante, a que vem do visto”. Em off, a VT ouviu que Brasília teme que, com o fim da exigência, os Estados Unidos se tornem “um grande Barajas”, em referência ao aeroporto espanhol onde 1.695 brasileiros tiveram a entrada negada em 2010.

Para tirar o visto

– Para agendar a entrevista em qualquer consulado é preciso retirar uma senha pelo www.visto-eua.com.br ou pelo 11/5181-8730 (São Paulo), 21/4004-4950 (Rio), 61/3312-7000 (Brasília) e 81/3461-3050 (recife). Exige-se o pagamento de uma taxa de R$ 38 (pode ser em cartões de débito ou crédito e boleto bancário). Com os cartões, você agenda em tempo real. Tenha em mãos também o número de seu passaporte.

– Preencha, em inglês, o formulário de solicitação do visto DS-160 até dois dias antes da entrevista. Esse preenchimento é direto no site. E envie uma foto digital, seguindo as exigências descritas.

– A taxa do visto custa US$ 140 e deve ser paga nas agências do Citibank, em dinheiro (real), de acordo com o câmbio do dia. Se o visto for negado, não há reembolso.

– Compareça ao consulado na data marcada com todos os documentos e a confirmação de preenchimento do formulário em mãos. Confira a lista de documentos pelo www.visto-eua.com.br ou www.embaixada-americana.org.br

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