Na dúvida, embarque

Doente no avião: viajar em condições limitadas de saúde não é só possível - pode ser até mesmo desfrutável

Depois de experimentar pela segunda vez a hospitalidade do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, de onde saí com o coração recondicionado e uma dificuldade temporária de locomoção, fiquei num impasse. Eu tinha uma viagem de negócios para os Estados Unidos marcada para dali a uma semana e não gostaria de adiá-la.

Mas meu cardiologista só me liberou depois que prometi não caminhar em hipótese alguma. E lá fui eu viajar de cadeira de rodas. Mas, como diz a sabedoria indiana, todas as experiências são desfrutáveis. E eu aprendi com isso. A primeira lição é que se pode viajar nessas condições desde que algumas medidas sejam tomadas. Como informar a companhia aérea com 72 horas de antecedência. Para isso, seu médico precisa preencher um MEDIF, sigla em inglês para Formulário Padrão de Informações Médicas para Viagem Aérea.

Assim, no check-in, em Cumbica, lá estava o funcionário da TAM com a cadeira de rodas. Na chegada ao JFK, em Nova York, foi a vez de um indiano figuraça me conduzir do desembarque ao táxi. Lá pelas tantas, quando surgiu um declive, meu “motorista” apoiou os pés na cadeira para descermos juntos na banguela. Houve mais surpresas na volta ao Brasil. No embarque, novamente no JFK, fui recebido com um sorriso pelo funcionário do scanner. Em tempos de Al Qaeda e Talibã, receber um sorriso num aeroporto americano é como achar a tal nota de 3 dólares. Mas se você estiver numa cadeira de rodas…

Eis três coisas que aprendi sobre viajar em condições especiais que gostaria de dividir:

1. Qualquer um que tiver uma condição limitante – a não ser que ela seja extremamente grave – não deve deixar de viajar. Com o MEDIF, deslocamentos, carregamento de malas e todas as tarefas normais que se tornam extremamente problemáticas para “nós” são executados por funcionários das companhias aéreas.

2. É possível fazer check-in em primeira classe mesmo pagando econômica.

3. Pode-se passar pelo detector de metais furando filas e sem sentir um pingo de ansiedade diante do policial.

Sei que não deve ser fácil a vida de quem depende de uma cadeira de rodas. Mas, se usá-la for a condição para viajar, viaje.

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