Montreal, Canadá: atrações para ir em qualquer época do ano

Montreal se transforma quando mudam as estações. A metrópole sabe ser feliz no verão, linda no outono, deliciosa no inverno e cheia de luz na primavera

Montreal, a segunda maior cidade do Canadá, com quase 4 milhões de habitantes em sua região metropolitana, pode ser o que você quiser. Cosmopolita, como provam os cidadãos de 80 etnias diferentes que a habitam, os muitos festivais de verão ou os 500 quilômetros de ciclovias; pode ser pitoresca também, mudando de cenário a cada três meses, no ritmo e no compasso das estações do ano. Essa paisagem em transformação, uma marca da metrópole, extasia até mesmo os mais experientes viajantes.

Por ter vivido três felizes anos nessa cidade, tenho até hoje gravados na mente o tom branquíssimo da neve nos telhados escuros das casas de pedra das ruas do bairro antigo, Vieux-Montréal; a luz suave dos primeiros raios de sol refletidos nos altos prédios da Rue Sainte Catherine nas manhãs frias de primavera; o dourado do sol forte tingindo a multidão durante os festivais de verão; e, mais marcante ainda, a beleza das alamedas de maple tree com suas folhas cor de laranja e vermelhas, especialmente se vistas desde o Mont Royal, a elevação de 234 metros de altura que é um dos cartões-postais da cidade.

Espalhada por uma ilha fluvial que se estende por uma área de 800 quilômetros quadrados, a Montreal que interessa aos turistas é bem mais à mão. Ela começa em Vieux-Montréal, às margens do Rio São Lourenço, passa pela área central, onde estão a Rue Sainte Catherine e o Boulevard Saint Laurent, e avança até o Plateau Mont-Royal, área vizinha do Mont Royal cheia de bares e restaurantes. Dá para acessar as principais atrações caminhando, de táxi, de metrô e também de bicicleta.

A cidade tem um sistema público de aluguel de bikes, o Bixi, ativo de abril a novembro. A malha cicloviária é extensa, fazendo da cidade uma das mais bike-fiendly das Américas. A metrópole, que estreia neste ano atrações como um novo planetário no Montreal Space for Life, seu principal museu de ciências naturais, e o museu de cera Grévin – Céline Dion, Justin Bieber e Barack Obama estão entre as 120 figuras em tamanho natural do acervo –, não é, paradoxalmente, dependente dessas novidades para se manter como grande destino turístico. Sua identidade já está muito bem assentada no charme francês – o apelido de “Paris Americana” não é novo, mas segue muito justo – e nas mesas de nacionalidades variedades, uma alegria para o turista, que se pode imaginar, de uma tacada só, viajando por muitos países. Há casas vietnamitas, mexicanas, gregas, italianas, francesas.

Todas as cores da primavera no jardim botânico da cidade Todas as cores da primavera no jardim botânico da cidade

Todas as cores da primavera no jardim botânico da cidade – Foto: Hemis/Renault Philippe/Diomedia

Mudam as estações

A percepção de que a cidade muda constantemente não vem fácil para quem visita Montreal pela primeira vez. É preciso deixar-se estar mais tempo para notar que, como em um espetáculo do Cirque du Soleil, criado ali em 1984, Montreal troca sempre de cenário. Lagos dão lugar a pistas de patinação, palcos tomam espaço dos carros. Vem a próxima estação, e com ela chegam novas atrações.

Montreal é apaixonante no verão, quando a população festeira se multiplica. É a hora em que locais e visitantes largam tudo para celebrar a vida e degustar a cidade até a última ponta. Aproveite o clima para visitar os dois principais mercadões da cidade, o Jean Talon, em Petite Italie, e o Atwater Market, à beira do Canal Lachine, que abastecem a casa dos locais com frutas, verduras, carnes e alguns dos melhores queijos do mundo. Visitar qualquer um desses mercados é um must go. Outro passeio bacana é o Vieux-Port, que já foi o porto mais movimentado do continente e nos anos 1970 teve seus espaços ociosos ocupados por atrações de lazer e cultura. Ali, entre outras coisas, dá para você visitar o Centre des Sciences ou fazer algum passeio de barco.

Tudo vira jazz Tudo vira jazz

Tudo vira jazz – Foto: Superstock/Diomedia

Mas é o outono a estação mais esplendorosa do ano na opinião desta fã derramada da cidade. O show de cores que as árvores de maple tree (cuja folha você vê na bandeira do país) proporcionam a moradores e turistas sem cobrar couvert é espetacular. Difícil não sair fotografando uma maple atrás da outra. As folhas caídas forram o chão das calçadas e anunciam o frio que vem pela frente. Os cafés reforçam seus estoques de bebidas quentes, e a boulangerie Première Moisson, uma das mais populares da cidade, vira um endereço incontornável graças a seus pães artesanais e suas delicadas cheesecakes (minhas preferências: morango e frutas vermelhas). Já a Juliette et Chocolat, outra queridinha dos moradores de Montreal, localizada no Boulevard Saint Laurent, uma das principais artérias da cidade, conforta corpo e espírito com a fondue de chocolate, a especialidade da casa.

Vida subterrânea

No inverno faz frio, muito frio. Os termômetros podem chegar a 20, 30 graus negativos. Mas isso não é necessariamente uma má notícia. Montreal é preparada para enfrentar as temperaturas baixas. Todas as lojas, restaurantes, igrejas e museus têm calefação, garantia de conforto em qualquer lugar fechado. E, se não há aquecimento nas ruas, que tal explorar a maior galeria subterrânea do mundo, com seus cerca de 30 quilômetros? O transporte público também é aquecido e funciona pontualmente. O frio é bom pretexto para incrementar o guarda-roupa. Se precisar de um bom casaco ou de acessórios de inverno, lojas como L’Aubanerie e Winners têm boas ofertas – um casaco pode custar cerca de US$ 70. Para se divertir, caia na noite: a Place des Arts, que concentra os principais teatros e auditórios da cidade, tem sempre grandes espetáculos (não à toa a região é conhecida como Quartier des Spectacles). O jantar pode ser em Vieux-Montréal, onde está, por exemplo, o Le Bremner, do famosinho chef Chuck Hughes, que serve lagostas, trutas e ostras frescas. É no inverno que ocorre a Nuit Blanche, quando museus, teatros e restaurantes mantêm as portas abertas durante toda a madrugada – a Virada Cultural Glacial supersegura de Montreal. Depois da farra, a melhor pedida é repor (muitas) calorias no La Banquise, uma lanchonete apertadinha aberta durante as 24 horas do dia que reúne turmas que em comum têm a adoração pelo poutine, uma espécie de batata fita servida com molho gravy e queijo no topo.

Ringue de patinação montado no Centro de Montreal Ringue de patinação montado no Centro de Montreal

Ringue de patinação montado no Centro de Montreal – Foto: Photononstop/Tibor Bognar/Diomedia

Face iluminada

Na primavera, o cheiro muda, o ar muda,o humor muda. Ao som do primeiro canto de um passarinho mais afoito diante de uma nova florada, Montreal revela uma face iluminada. O mais bonito dos parques, o Parc du Mont-Royal, fica no coração da cidade. Lá, jovens, crianças e velhos extravasam a vontade de estar ao ar livre depois dos rigores do inverno. Perto, a La Croissanterie Figaro faz com que nos sintamos em uma cena parisiense com as mesinhas na calçada, o jazz de fundo musical, um café e um croissant macio e quentinho ao alcance da mão. Estenda a caminhada até a Avenue Fairmount, onde o simples e tradicional Fairmount Bagel Bakery vende 20 tipos de bagels quentinhos.

Tons de outono no esplendoroso Parc du Mont-Royal Tons de outono no esplendoroso Parc du Mont-Royal

Tons de outono no esplendoroso Parc du Mont-Royal – Foto: Rubens Abboud/Keystone

Mas o melhor fica mesmo em Vieux-Montréal, o bairro histórico cheio de cafés, restaurantes, galerias de arte e butiques. As inevitáveis lojas de suvenires também estão aqui, ao longo da Rue Saint Paul, com todos os clichês canadenses que se pode imaginar e desejar trazer na bagagem. O epicentro da área é a Place Jacques Cartier, com jeito de praça de interior e atividade frenética de artistas de rua. No alto dela fica o Hotel de Ville (Prefeitura), suntuoso prédio ao estilo French Empire concluído em 1878. Noivos vestidos como tal não se cansam de usar a construção como cenário de suas fotos românticas.

À noite, os restaurantes de toda a ilha colocam mesas na calçada. Há os refinados, como o Chez L’Épicier, os descolados, caso do Les Enfants Terribles, os consagrados – Joe Beef, Garde Manger – e também as lanchonetes com fila na porta, como a Schwartz’s, conhecida internacionalmente pelo sanduíche de carne defumada em pão de centeio. Com tanto para ver em Montreal, o Schwartz’s pode não ser o lugar da cidade que mais vai deixar saudade. Mas, quando você for contar dessa viagem para alguém, poderá dizer que visitou essa casa pitoresca e familiar que faz a gente se sentir um pouquinho montrealense. Uma experiência que eu recomendo a todos os que me acompanharam até aqui.

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