Miniguia VT – Miami: roteiros de viagem

Três roteiros perfeitos em Downtown, Design District e South Beach

A Miami versão 2010 está mais para a celebração da boa vida do que para a bateção de pernas desenfreada. Outlet sempre, mas também design; Guess ainda, agora com Louboutin. O centro da cidade, a Downtown, assiste ao lançamento de hotéis-butique grandiosos e esconde Rio Miami adentro surpresas como os peixes fresquíssimos do restaurante Garcia’s. O Design District, ao norte, vira uma capital da moda e da arte contemporânea. E Miami Beach segue a divertir como uma espécie de Arpoador adensado, com turistas de todo o mundo, em que se sai da praia (de água quente) para cair na balada, nas mesas de restaurantes ou nas camas de hotéis de fachada art déco.

DOWNTOWN

A nova cara da bilionária do centro de Miami

Tempos atrás, ficava no centro de Miami quem não queria se deslocar muito – no máximo de um shopping a outro. Hoje Miami assiste a uma revalorização total da área, com alguns dos lançamentos hoteleiros mais chiques do país. Se não der para ficar neles – as diárias, em geral, partem de 300 dólares -, apareça para o brunch de domingo ou para um expresso à beira da piscina. Têm brunchs concorridos aos domingos o Four Seasons (1435 Brickell Avenue, 358-3535) e o Mandarin Oriental (Brickell Key Drive, 913-8288). Mas o hotel mais impactante da região é o Viceroy (485 Brickell Avenue, 503-4400), cuja marca de distinção são as colunas externas que emulam moais da Ilha de Páscoa. A piscina de 91 metros de comprimento (quase a medida de duas piscinas olímpicas) é de embasbacar. Parece que vai desaguar no mar, 15 andares abaixo. Do outro lado da foz do Rio Miami está o Epic (270 Biscayne Boulevard Way, 424-5226), com marina própria. Ao lado do Epic está o Bayfront Park, ótimo para uma caminhada para contemplar o skyline e o Atlântico. Em 1933, no Bayfront, como ocorreria na Rua Tonelero, em Copacabana, 21 anos mais tarde, um assassinato que vitimou a pessoa errada entrou para a história. O alvo em Miami era o recém-empossado presidente Franklin Delano Roosevelt, mas quem tombou foi Anton Cermak, prefeito de Chicago. O parque deverá receber em 2013 o remodelado Miami Art Museum, com projeto da dupla suíça Jacques Herzog e Pierre de Meuron, a mesma do Estádio Ninho de Pássaro, em Pequim. Espera-se que o prazo não se alargue a ponto de serem necessárias as mesmas duas décadas que a calçada do Biscayne Boulevard, contígua, precisou para receber os desenhos do brasileiro Burle Marx – olha aí Copacabana de novo. Para radicalizar no Rio de Janeiro, vá ao Botequim Carioca (900 Biscayne Boulevard, 675-1876; Cc: todos). Não que você esteja desesperado por uma feijoada ou uma porção de pastéis, mas a caipirinha de Sagatiba a 7 dólares dá um up. Passe longe do chope, o fraquíssimo Cruz Light. A vista das mesas do Botequim dá para o American Airlines Arena, ginásio de 20 mil lugares e local de grandes shows de pop e dos jogos do Miami Heat, o time de basquete local, no qual atuou Shaquille O’Neal.

O limite geográfico da região é também um dos responsáveis pela transformação da área, o Adrienne Arsht Center (Biscayne Boulevard, 1300, www.adriennearsht.com), casa de espetáculos e sede de uma sinfônica, de uma companhia de ópera e do Miami City Ballet. Espetáculos da Broadway têm feito turnês por ali. Se a fome aguentar, dirija-se à estação Adrienne Arsht do MetroMover (www.miamidade.gov/transit/metromover.asp), o veículo leve sobre trilhos. O carrinho não tem quem o conduza, mas – ou talvez por isso mesmo – cumpre bem sua missão. A boa: é de graça e para usá-lo não é preciso tíquete, ficha, carteirinha, nada. Desça na estação Government Center e pegue um táxi para cobrir os cinco quarteirões até o Garcia’s (398 NW North River Drive, 375-0765; Cc: todos), um dos melhores restaurantes da cidade.

Os donos cubanos garantem peixes sempre frescos (a casa, aliás, tem uma peixaria na entrada). Vá fundo no ceviche e no king crab – uma cerveja dominicana acompanha bem. Em dias solares, escolha as mesas à beira-rio. E, já que os trabalhos foram iniciados, siga até o (quase) centenário Tobacco Road (626 South Miami Avenue, 374-1198, www.tobacco-road.com; Cc: todos). O lugar é pouco mais que um corredor sombrio que se abre para uma área externa, mas ali já se apresentaram algumas lendas americanas, como o maluco do funk George Clinton. Há música ao vivo todas as noites.

DESIGN DISTRIC

Os endereços bacanas do bairro mais cool de Miami

Surpresa: Miami não é só outlet, praia e lobbies cinematográficos de hotéis. Uma faceta cool da cidade ganhou espaço na região conhecida como Design District, cerca de 5 quilômetros ao norte de Downtown. Por ali se concentram galerias de arte, lojas de moda e decoração e restaurantes badalados. Mesmo se a ideia não for redecorar a casa, vale a pena visitar a região. Mas comece pelo bairro de Wynwood, onde estão as novas galerias de arte e os depósitos de atacadistas que ainda resistem à especulação imobiliária. Na rua 29 fica a Rubell Family Art Collection (95 NW 29th Street, 573-6090, www.rfc.museum; 4ª/dom 10h/18h; US$ 10), o primeiro museu da cidade a surgir para expor a coleção particular de uma família. Até maio segue a mostra Beg Borrow and Steal, organizada em torno da ideia de que a arte contemporânea, talvez toda a arte, se alimenta do que já existe. A caixa de sabão de Andy Warhol, um homenzinho pendurado do italiano Maurizio Cattelan e um néon do local Bert Rodriguez criticando o mercado de arte e a si mesmo são alguns destaques. Tome então o táxi até o Design District para ver o novíssimo De la Cruz Collection (23 NE 41th Street, 576-6112, www.delacruzcollection.org; 5ª/dom 10h30/16h), museu aberto em dezembro pelo casal cubano Rosa e Carlos de la Cruz.

O prédio de três andares é maior que o do Miami Art Museum e expõe 56 artistas. A duas quadras está o 4141 Building (4141 NE 2nd Avenue), edifício que ocupa um quarteirão inteiro, com algumas lojas de moda e design e galerias de arte. Uma vez lá dentro comece dando tratos à bola no Fratelli Lyon (572-2901; Cc: todos), restaurante que ocupa parte do espaço (e do mobiliário) do showroom da companhia de móveis e objetos de design italiana Driade. O cardápio é totalmente italiano com toques orgânicos e os vinhos vêm de pequenos produtores. No mesmo quarteirão, se o paladar pedir algo mais à Ibéria, está o Señora Martinez (4000 NE 2nd Avenue, 573-5474; Cc: todos), da chefcelebridade Michelle Bernstein – ela é popular na TV a cabo americana. Suas tapas têm mais apresentação que conteúdo, mas mesmo assim vale muito experimentar os brussels (couve-de-bruxelas) a la plancha e o tenríssimo rabo encendido (rabo de boi com um toque imperceptível de mascarpone).

O notável prédio histórico ao lado é o Moore Building (191 NE 40th Street). A fachada austera não dá pistas de seu interior com instalações que lembram amebas, cortesia da badalada arquiteta iraquiana Zaha Hadid. Os estandes-conceito com marcas como Fendi mudam de tempos em tempos. Bem ao lado, está a loja da Kartell (155 NE 40th Street, 573-4010, www.kartell.com; Cc: todos), mais uma marca italiana famosa de mobiliário a marcar presença no distrito. Os preços não são exatamente convidativos, mas dá para levar uma luminária por 119 dólares ou uma cadeira por 187 dólares. No mesmo edifício abriu em dezembro passado a loja de Christian Louboutin (155 NE 40th Street, 576-6820, www.christianlouboutin.com; Cc: todos), o badaladíssimo designer de sapatos que tem como marca registrada o salto altíssimo e o solado vermelho. O modelo mais básico custa 500 dólares. O Design District não atravessa a madrugada como South Beach, e uma sugestão é terminar o dia com um drinque no Mai Tardi (163 NE 39th Street, 572-1400, www.maitardimiami.com; Cc: todos), nos confortáveis sofás sob a copa das árvores. É um esquenta bacana para uma visita ao Michael’s Genuine Food (130 NE 40th Street, 573-5550, www.michaelsgenuine.com; Cc: todos). Ali você escolhe o tamanho do prato e há de tudo – de saladas a pizzas.

SOUTH BEACH

Praia, art déco e hotéis que parecem galerias de arte

É muito provável que você já esteja bem instalado às 9 ou 10 da manhã – há muitos voos diretos do Brasil que chegam bem cedo a Miami. E, como café da manhã em hotel ali é quase inexistente, escolha um da Ocean Drive para curtir o visual. Considere o Cardozo (Ocean Drive, 1300, 535-6500; Cc: todos), o hotel da cantora Gloria Estefan cuja seleção de ovos com torradas começa, como na concorrência, em 4,25 dólares. A partir de uma certa temperatura, o vaporizador é acionado sobre as mesas da calçada, uma bênção. No vizinho The French Porch (1418 Ocean Drive, 531-8300; Cc: todos), o plus é o pratinho com fatias de frutas. Câmeras a tiracolo, faça suas primeiras fotos das centenas de prédios art déco da região. Bons exemplos na Ocean Drive são o Victor Hotel (no número 1144), de 1937, e o Colony (nº 736), mas uma passada no Art Deco District Welcome Center (1001 Ocean Drive, 672-2014; 10h/19h30) ajuda a entender melhor o assunto. Há audioguias e saídas para tours de 90 minutos. A praia a essa hora já está interessante. Aos sábados, muitos brasileiros se concentram na areia entre a 1th Street e a 5th Street. No almoço, melhor não estar de sunga branca ou canga no DeVito (150 Ocean Drive, 531-0911; Cc: todos), restaurante do ator Danny De Vito, presença rara ali. Saídas de praia não ornariam com o ambiente classudo – mas sim com a cozinha cantineira, onde um carpaccio vale como uma refeição inteira.

Um passeio “cultural” é o tocante Memorial ao Holocausto (1933 Meridien Avenue, 538-1663), com espelho-d’água e pequeno jardim que atenuam o expressionismo sem metáforas das esculturas. Siga então pelo Dade Boulevard até encontrar a 23th Street e vá até a Collins Avenue para começar um minitour por alguns dos hotéis mais bonitos do mundo. O lobby do W (2201 Collins Avenue) tem quadro do pintor (vivo) mais caro do mundo, o inglês Damien Hirst; nos andares estão retratos de rockstars. O Gansevoort (nº 2377), ao lado, tem um pequeno tubarão num aquário. Mas é o Sagamore (nº 1671) o art hotel por excelência, decorado com a coleção particular dos proprietários – e em rodízio permanente. Aproveite a proximidade para relaxar nos bares do Delano (nº 1685), o primeiro hotel-butique de South Beach e até hoje com a fama de ser o lugar onde “Madonna se hospeda”. Miami Beach vive intensamente a arte contemporânea, pois realiza uma das maiores feiras do mundo. E é lá também que vive o Paulo Coelho das artes visuais, Romero Britto. Sua loja (818 Lincoln Road, 531-8821) tem “colecionáveis” que você pode comprar como suvenires.

Depois, percorra a Española Way, a ruela romântica cheia de restaurantes para um descanso do appeal Ivete Sangalo da Ocean Drive. O versátil Tapas y Tintos (448 Española Way, 538-8272, www.tapasytintos.com; Cc: todos) tem polvo à galega e muita animação nas noites de salsa, às terças. Por fim, tenha em mente que South Beach é o melhor lugar de toda Miami para andar de bicicleta e bicicleta é o melhor transporte em South Beach, dados o trânsito e, pior, a dificuldade para estacionar. Se vai pedalar, conheça a Venetian Way, a melhor e menos movimentada ligação entre Miami Beach e Miami. O caminho, por ilhas e pontes móveis, é seguro – há ciclovias bem demarcadas. Use a magrela no dia seguinte para ir ao decano Fontainebleau (4441 Collins Avenue), em Mid Beach, o hotel de 1 504 quartos, renovado à força de 1 bilhão de dólares. No lobby principal, os candelabros do chinês Ai Weiwei rivalizam com o bar de piso iluminado por luzes azuis, ideia original do arquiteto Morris Lapidus, que também decorou lindamente o vizinho Eden Roc (4525, Collins Avenue).

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