Minha primeira vez

Paulistanos de nascença ou adoção da VT descobrem atrações de sua cidade, como o D.O.M., o Museu do Futebol, a ciclofaixa...

Tá tudo dominado

Por Gilvan Filho

A ideia de ir a um lugar como o D.O.M. (Rua Barão de Capanema, 549, 3088-0761; Cc:A, D, M, V), o sétimo melhor restaurante do mundo pela revista Restaurant, soava tão remota pra mim quanto acordar na hora do Bom Dia Brasil. Diante da rara oportunidade, me vieram à cabeça coisas do tipo “como eu vou?”, “que raios vou fazer lá?!” Nordestino nato, gosto de comer bem, e muito, ao estilo do sertão, que não é bem o da cozinha contemporânea. Na grande noite, ganhei boasvindas ainda na calçada da casa, dadas pelo funcionário do valet que abriu a porta do táxi. Começava ali um spa de massagem no ego. A hostess me recebeu como um amigo íntimo e o maître ouviu atentamente minhas restrições – em resumo, ostra e carne de porco, porque até bode como de colher. Foi um jantar completo, do couvert ao cafezinho, que parecia um café colonial em miniatura. Durante a refeição, percebi que os clientes agiam com a naturalidade de quem está na padoca da esquina. Ok, também vi deslumbre. Um elegante casal tirou fotos do confit de pato e, não satisfeito, do próprio Alex Atala. Acostumado a fotografar tudo nas minhas viagens, fiquei tentado a fazer o mesmo, mas, em meu debute no D.O.M.,aquilo seria o King Kong da tietagem. Estava mais focado em saborear o camarão tenro e perceber outra função do vinho além de me fazer perder a vergonha. Saí de lá achando tudo natural: quando a hostess me disse que esperava me ver em breve, acreditei. Apesar dos R$ 836 da conta, R$ 418 por cabeça. Hoje, digo que o luxo é aquela cortesã cara e difícil, mas que recompensa cada esforço quando está em seus braços. Desde que fique claro quem está no comando.

GILVAN FILHO, de 33 anos, designer da VT, é pernambucano e gosta de espuma só na cerveja

Bola dentro

Por Paulo Vieira

Demorei exatos três anos, dois meses e 20 dias para conhecer um dos museus mais bacanas da cidade onde vivo há 40 anos. Não foi ruim esperar tanto – no domingo em que os gandulas japoneses tiveram mais posse de bola que o santos, o Museu do Futebol (Praça Charles Muller, 3664-3848; 3ª/ dom, 9h/18h; R$ 6; grátis 5ª) estava sem filas. O lugar é prodigioso: difícil é não gostar dele, amando ou ignorando o futebol. Estou no primeiro time: cresci jogando três dentro três fora, frequento estádios desde criança e chorei quando a geração de 82 cumpriu seu destino trágico. Como crítico, portanto, sou suspeito. Mas minhas  filhas, que jamais foram a um estádio, estavam lá. E se divertiram – acho até que se emocionaram. Vitória gostou de ver a camisa 10 do tri, ela e Eduarda adoraram mexer nas tabuletas com as fichas dos times (cantamos juntos o hino da Portuguesa e do Avaí), impressionaram-se com as imagens das torcidas e jogaram a valer nos campinhos virtuais. A bola que chutamos de verdade num gol projetado não fez muito a cabeça delas – eu meti uma bica, descalço, no travessão. Foi lindo quando pudemos ver o Pacaembu de um pedacinho da arquibancada que se conecta ao museu. Ali estava o estádio onde Alcino fez o gol que Pelé não fez, onde minha Lusa perdeu do Goitacaz, onde mulheres vendiam cafezinho por Cr$ 1. Não disse a elas que víamos um dos lugares de que eu mais sentiria saudade se precisasse deixar São Paulo. Por fim, dica a pais e filhos: uma oficina segue até dia 29 com monitores simpáticos, massinha, origami, teatrinho e duas mesas de futebol de botão. Leve sua bola de feltro.

PAULO VIEIRA, de 44 anos, redator-chefe da VT, queria que Telê colocasse ponta na seleção de 82

Cinderela procura

Por Júlia Gouvea

Por causa do meu espírito shopaholic, vinha adiando uma visita ao Shopping Cidade Jardim (Marginal Pinheiros, 3552-1000), o mall com uma das maiores concentrações de lojas de luxo do país. Sabe aquela máxima “o que os olhos não veem o coração não sente”? Logo que entrei ao primeiro piso, o das megagrifes, me senti transportada para a Quinta Avenida, em Nova York, ou para a Via Montenapoleone, em Milão: Chanel, Giorgio Armani, Emilio Pucci, Jimmy Choo, todas ali, em plena Marginal. As vitrines pareciam obras de arte (na Louis Vuitton, por exemplo, elefantes coloridos contracenavam com as bolsas). Os seguranças, aliás, lançavam um olhar de quem zela por quadros de Van Gogh. Seguindo pelos corredores e seus jardins com plantas exóticas, cheguei à cobertura, onde estão a filial do restaurante Due Cuochi Cucina e um dos cinemas mais chiques da cidade (as poltronas são reclináveis e a pipoca, coberta com azeite trufado, é servida na sala de projeção). Ironicamente, um dos trunfos do Cidade Jardim não custa nada: do próprio terraço avista-se um skyline incrível de são Paulo.

JÚLIA GOUVEIA, de 25 anos, repórter da VT, perdeu um sapatinho de cristal em frente à Tiffany

Noite glam

Por Betina Neves

Passava da 1h30 da madrugada quando a pista da Mynt Lounge (Rua Clodomiro Amazonas, 482, 3071-0004), cercada por gigantescos telões com projeções malucas, começou a bombar. Aberta há um ano, a balada de luxo atende o público de casas da mesma pompa, como Disco e Kiss & Fly: mulheres de vestidos curtos e saltos altíssimos, boys de camisa e sapatênis. Lá, é quase obrigatório ocupar as mesas dos numerosos camarotes, que deixam pouquíssimo espaço para meros mortais, como eu. Ao som de música eletrônica e hip hop, garrafas de absolut na mão (a R$ 460 cada uma), a maioria dançava em pé nos sofás reservados. O preço da entrada básica é salgado: até R$ 80 (R$ 60 consumíveis) para mulheres e até R$ 250 (R$ 200 de consumação) para homens. O das bebidas, mais ainda. Mesmo assim, perdi a conta de quantas garrafas de champanhe com faíscas no gargalo atravessaram o salão. Do lado oposto ao do bar fosforescente, modeletes tiravam fotos em uma cabine do uísque Chivas. “Quem pedir a bebida ganha a foto aqui; se não, só por e-mail”, diziam. Fica para próxima…

BETINA NEVES, de 21 anos, estagiária da VT, já teve uma fase “pati”, mas passou

Bike me

Por Raquel Beer

Nunca entendi as pessoas que acordam cedo no domingo, pegam a bike e vão pedalar na ciclofaixa (www.ciclofaixa.com.br; dom 7h/16h). Pensava mais no impacto sobre o trânsito… até que resolvi encarar. Domingão. Cedinho. Em tese, as magrelas locadas no Parque Villa-Lobos (R$ 8 com marcha − valor por hora) não podem circular fora dele, mas os funcionários fazem vista grossa e os ciclistas aproveitam. Há sete primaveras sem subir em uma bike, fui logo atropelando um cone. Ninguém riu, sequer me olhou. Quem anda por ali quer curtir o momento, aproveitar a brisa, pegar uma cor. Ciclistas profissionais usam trajes especiais e capacete (todos deveriam!); os amadores vestem roupa de ginástica; os solitários ouvem MP3. tudo muito organizado e bem sinalizado: nos 45 quilômetros de percurso, cerca de 500 funcionários controlam a via nos semáforos e dão informações sempre de bom humor. Se você quiser apreciar o passeio devagar, fique à direita para não atrapalhar os mais rápidos. Para mudar de faixa, estenda o braço; para ultrapassar, vá com cuidado ou use o sininho. Até cidadania você pratica! Ida e volta até a ponte da Cidade Universitária, pedalei por cerca de uma hora. E acho que me saí muito bem.

RAQUEL BEER, de 21 anos, estagiária da VT, descobriu um novo sentido na palavra equilíbrio

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