Mania de clique

Hoje em dia é possível postar fotos nas redes sociais no momento em que são tiradas. Genial, não? Sim, mas até certo ponto

Há 15 anos, quando a gente só tinha à disposição as tradicionais câmeras com filmes fotossensíveis, havia uma rigorosa economia no ato de fotografar. Lembro que durante as viagens minha máquina ficava a maior parte do tempo na mochila, esperando a hora e o local exatos para ser sacada e produzir lembranças raras e preciosas.

Fotografar também era bem mais complicado. O que naquela época chamávamos de “câmeras automáticas” eram aparelhos de foco fixo, toscos se comparados com as mais simples digitais hoje à venda no mercado. Zoom, só em modelos caros e pesados, cuja “inteligência” se resumia a oferecer prioridade de abertura ou velocidade, e ponto final.

As melhores imagens de nossas viagens acabam recheando nossos perfis no Facebook e transformando-se em tema de comentários dos amigos de nossos amigos. Smartphones, hoje, tiram fotos que rivalizam com câmeras profissionais do século passado e que podem ser postadas instantaneamente via Twitter, mesmo que a gente se encontre do outro lado do mundo. E elas ainda vêm com as coordenadas GPS embutidas.

Genial, não? Sim, mas só até certo ponto. Todas essas facilidades potencializam nossa tendência de guardar o maior número de recordações turísticas, e podem até estragar momentos chave para alguns viajantes. Há pouco mais de um ano, no coração do Taj Mahal, dentro da tumba que o imperador Shah Jahan mandou construir para sua esposa preferida, vi um turista sendo arrastado para fora pelos seguranças, por sua insistência em não respeitar os avisos de não fotografar. Ainda que nem sempre a coisa descambe para isso, é fato que muita gente gasta mais energia detrás das lentes do que verdadeiramente desfutando dos lugares por onde passa. E essa vontade de reter o momento único, de provar que estivemos lá, acaba sendo multiplicada por nosso crescente vício de interação por meio das redes sociais.

Apesar de ser entusiasta da tecnologia, não tenho como negar que câmeras, celulares, Facebook e Twitter são um irresistível convite à compulsão. Por isso, tome cuidado para que a fotografia digital não roube parte de seu autêntico prazer de viajar.

Leia mais:

Junho de 2011 – Edição 188

Destino – Índia

O que fazer – Taj Mahal

Câmara escura revisitada

7 dicas para fotografar a natureza

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s