Hotel Boca: dormindo com o inimigo

Com a camisa do Corinthians, o nosso repórter fez check-in no Hotel Boca, casa do rival da final da Libertadores

Sob o sol acolhedor do inverno portenho, saí no final da manhã do Hotel Ibis, no Congreso, para uma caminhada de oito quarteirões até o Hotel Boca, na Calle Tacuari, no Centro. Paramentei-me com a camisa do uniforme número dois, a preta com listas brancas, o escudo bem grande, vistoso, para sentir as reações nas ruas. E elas vieram. A maioria, de rejeição, mas nenhuma ríspida. “Pierde!“, “Bocaaa!“.

Ao chegar no novíssimo Hotel Boca com a mesma camisa preta (tem uma tag #vivemosdeCorinthians enorme nas costas), do porteiro aos recepcionistas a cara geral foi de estarrecimento. “¿Que hace este loco aca?“, devem ter pensado. Em resposta a um “hola” muito desconfiado, avisei, em tom respeitoso: “Yo tengo una reserva“. Profissionais ao extremo, desde então eles me trataram com muita atenção. Sem a menor pressa, só para mostrar as funções da TV, do telefone, dos cambau, o recepcionista levou uns 15 minutos. Depois eu detalho mais, mas sinto-me um hincha de Boca no modernoso hotel temático dos hermanos, que, de fato, es increible.

Curiosamente, o Hotel Boca fica a apenas 100 metros do hotel escolhido pela delegação do Corinthians, o Intercontinental – escrevo de um locutório bem em frente a ele. Em outra consulta informal com a Fiel, apurei que muita gente não tem ingresso a apenas 7 horas do jogo. E não terá.

Nacho, o agente com nome de snack mexicano que ficou de me conseguir a entrada na torcida do Corinthians, na Bombonera, declinou. O ingresso vai rolar, ele diz, mas nas populares mesmo. Possivelmente, alerta-me o recepcionista do Hotel Boca, na La Doce, a organizada mais temida dos xeneizes. Inversamente, seria como se um hincha do Boca estivesse infiltrado na Gaviões, no Pacaembu, em plena final de Libertadores. No me gusta. Pero es lo que hay.

Agora vou encontrar um fotógrafo argentino para almoçar na parrilla La Brigada, um reduto futebolístico em San Telmo. Às 18 horas, a três quadras do hotel, pego a van para o estádio – se é que a van vai passar, se é que o ingresso vai rolar. Por precaução, trouxe uma camisa do Boca que comprei como suvenir na primeira vez em que estive em Buenos Aires. É com ela que eu deverei ir ao estádio. Embaixo dela, porém, MEU CORAÇÃO É CORINTIANO. Espero que ele não me entregue…

Se não voltar a escrever antes da partida, o que é provável, suerte a toda Nação. Cassio, Alessandro, Castan, Chicão, Fabio Santos, Ralf, Paulinho, Danilo, Alex, Emerson, Jorge Henrique e quem mais vier, JOGAI POR NÓS!!!

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