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Livrarias pelo mundo: nosso colunista diz que passaria metade da vida em uma livraria. A outra metade ele não conta, mas é de se desconfiar que seja em uma biblioteca

Desde a antiguidade as bibliotecas fascinam viajantes. A de Alexandria, no Egito, fundada em 295 a.C. e que abrigava 700 mil pergaminhos, foi um símbolo importante da mais culta e refinada cidade que o mundo havia conhecido até então. Se o esplendor da cidade de Alexandre já se foi, suas ideias conquistaram o mundo em forma de livros. A Europa primeiro e depois quase todo o globo encheram-se de bibliotecas, que não só guardam obras raras mas são arquitetonicamente deslumbrantes e muitas vezes preteridas nos roteiros de quem viaja. Pretendo aqui fazer justiça a algumas delas.

Superbibliotecas

No Vaticano, a Biblioteca do Vaticano (www.vaticanlibrary.va) guarda pelo menos uma preciosidade em meio a um acervo de 1,6 milhão de obras: a mais antiga edição da Bíblia, datada de 325 d.C, que teria sido compilada a mando do imperador Constantino.

Em Melk, a 107 quilômetros de Viena, na Áustria, a Stif Melk (www.stifmelk.at) é uma abadia do século 18 que, além de abrigar uma preciosa coleção de manuscritos, ainda tem vista para o Danúbio. Curiosidade: Umberto Eco fequentou a biblioteca enquanto escrevia O Nome da Rosa e homenageou o lugar ao batizar um de seus personagens com o nome Adso Von Melk.

Portugal tem duas das mais bonitas bibliotecas da europa (e uma livraria incrível, falarei dela a seguir): a Joanina (www.bibliotecajoanina.uc.pt), na Universidade de Coimbra, é um belo exemplar do barroco e tem prateleiras cobertas de ouro. Em Mafa, a Biblioteca do Palácio Nacional (www.ipmuseus.pt), obra do reinado de Dom João V, tem duas excentricidades: não há espaço entre os livros, a fim de evitar que a umidade os danifique; e são mantidos no recinto alguns morcegos, para que devorem insetos que, de outra forma, acredita-se, devorariam as raridades ali guardadas.

Na Espanha, o Mosteiro do Escorial, em San Lorenzo, é o símbolo acabado do poder e da religiosidade da monarquia espanhola. Idealizado por Felipe II, a biblioteca tem um acervo de mais de 40 mil itens entre mapas, tratados etnográficos e globos usados para estudos das grandes navegações.

Na Inglaterra, Oxford tem um complexo de 100 bibliotecas, sendo a Bodleian (www.bodleian.ox.ac.uk) e seu edifício adjacente, a Radcliffe Camera, as mais conhecidas. Cambridge não fica atrás. A Wren (www.trin.cam.ac.uk), projetada no século 17 por Christopher Wren, foi inovadora na época por ter recebido estantes situadas abaixo do nível das janelas, maximizando assim espaço e luz.

A França tem muitas bibliotecas históricas, mas até para fazer um contraponto às construções clássicas e barrocas vale destacar a moderna Biblioteca Nacional (www.bnf.f), inaugurada em 1996, inovadora até na forma de acesso: a linha de metrô que leva a ela foi a primeira de Paris, e do mundo, a não ter um condutor.

Mais que livrarias

Como sou um viciado em livros, observo com indisfarçável prazer o grande boom das livrarias nos últimos tempos, que deixaram de ser lugares de simples comércio para se tornarem destinos turísticos até. Escolho três delas como minhas favoritas.

A Livraria Lello, na Cidade do Porto, em Portugal, foi fundada em 1881, mas o edifício atual é de 1906 em estilo art noveau com elementos mouriscos, tão ao gosto português. A escada interna de madeira é uma obra de arte em si.

A livraria Selexyz (www.selexyz.nl) em Maastricht, na Holanda, é considerada uma das mais bonitas do planeta. De fato, é difícil competir com esse templo (literalmente) de livros situado dentro de uma igreja dominicana de 1260. A decoração interna é minimalista para que os olhares se voltem para o alto, onde estão os detalhes góticos.

Fechando a lista das minhas livrarias favoritas cito, sem medo de errar, a El Ateneo Grand Splendid, em Buenos Aires, na Avenida Santa Fé. Instalada em um muito bem restaurado cineteatro do início do século passado, o palco se transformou num agradável café e os camarotes foram mantidos, recantos perfeitos para ficar lendo horas e horas. Acho que passaria metade da minha vida ali.

Concluo falando das nossas livrarias: a Cultura (www.livrariacultura.com.br) e a da Vila (www.livrariadavila.com.br), em São Paulo, e a Argumento (www.livrariaargumento.com.br) e a Travessa (www.travessa.com.br), no Rio de Janeiro, valem menção, exemplos de que a moda pegou por aqui. Afinal, como reza um antigo provérbio, um bom livro é o melhor dos amigos.

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