Caminhando pela América do Sul: 16 paisagens da Qhapaq Ñan, as estradas dos Incas

Os caminhos cortam toda a Cordilheira dos Andes, passam por florestas, deserto e chegam ao mar – aos poucos eles vão sendo restaurados e abertos para o turismo

Por Lívia Aguiar | Edição: Ludmilla Balduino Atualizado em 29 jan 2021, 17h51 - Publicado em 14 mar 2016, 19h18

Assim como o Império Romano, os incas construíram um vasto sistema de acesso ao seu território de dominação política e econômica. Se na Europa todos os caminhos levavam a Roma, nos Andes todos os caminhos chegavam em Cusco, cidade que hoje é peruana, mas foi a grande sede do Império Inca antes da dominação espanhola.

As rotas do Qhapaq Ñan estão espalhadas por terras que hoje são parte da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru, que antes dos espanhóis compunham o Tahuantisuyo, nome quéchua do Império Inca que significa “Quatro Territórios”. Pesquisadores ainda estão descobrindo novos trechos dessa extensa malha viária inca. Esses caminhos vão sendo restaurados e abertos ao turismo aos poucos, mas já há vários abertos para trilhas que contam com o apoio das comunidades locais.

Além da Trilha Inca para Machu Picchu

Muita gente já ouviu falar da Trilha Inca, que vai de Cusco a Machu Picchu passando por ruínas enormes, montanhas verdejantes com picos nevados e pequenos povoados que conservam sua tradição indígena apesar da força massacrante da globalização. Essa bela trilha é apenas um pequeno pedacinho do Qhapaq Ñan. É o trecho mais batido dele – há outros caminhos menos explorados e mais intocados que podem ser visitados por turistas e alguns deles inclusive também levam a Machu Picchu, se esse é seu objetivo final.

Por ser a trilha mais procurada para a Cidade Perdida dos Andes, o acesso à Trilha Inca está todo controlado pelo governo peruano e sua visita deve ser programada com antecedência. Apenas 500 pessoas (entre turistas, guias, carregadores e cozinheiros) podem percorrê-la ao mesmo tempo e a entrada a Machu Picchu está restrita a 2,5 mil pessoas por dia (deve ser reservada no site do governo).

Se seu objetivo é conhecer a natureza andina, seu povo e ruínas arqueológicas vistas por poucos, considere ir além da Trilha Inca e aproveite que ainda há muitos passeios que são feitos por poucas pessoas e que também levam à Machu Picchu. Calce botas de caminhada confortáveis, faça um check-up de saúde (especialmente dos joelhos, porque as subidas e descidas exigem muito deles) e contrate agências confiáveis que podem levá-lo por rotas menos trafegadas com segurança e comodidade.

A melhor época pra ir seria julho por ser o mês mais seco, mas também é a mais procurada (e por isso mais difícil conseguir agendar sua entrada a Machu Picchu), além de ficar muito frio à noite. Os guias também recomendam os meses de setembro e outubro, quando as temperaturas já estão (um pouco) mais amenas, o acesso às ruínas em Machu Picchu está menos disputado e o tempo continua seco. Essa época também é ótima para observar a Via Láctea, especialmente na região de Chinchero, povoado a cerca de 35 quilômetros de Cusco e a quase 3.800 metros de altitude.

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