Café com bandidos

Violência no hotel: como o turista pode se proteger em situações extremas dentro de um lugar supostamente seguro

Por Fabio Steinberg Atualizado em 14 dez 2016, 12h01 - Publicado em 14 set 2011, 12h21

Quando amanheci às 8h no quarto 327 do Hotel Intercontinental do Rio de Janeiro em 27 de agosto e fui tomar café, descobri que os quatro elevadores não funcionavam e os telefones estavam mudos. Uma hora antes, um grupo de 60 bandidos, nove fortemente armados, entraram no prédio para escapar da polícia. Mantinham 35 reféns, cinco deles hóspedes como eu. Marginais e vítimas encontravam-se encurralados na cozinha por dezenas de policiais militares enquanto outras dezenas deles vasculhavam a área em busca de foragidos que pudessem estar escondidos no resto do hotel. Gerência desarticulada e sem informações confiáveis, hóspedes e camareiras dos andares sem saber como agir. Os boatos eram os únicos que subiam e desciam livremente as escadas de incêndio, mas o que estava acontecendo de verdade ninguém sabia. Quem se atrevia a ir lá embaixo para verificar? A solução foi descobrir pela tevê, mas que, por estar do lado de fora dos acontecimentos, trazia mais desinformação que ajuda. O resto todo mundo sabe. Milagrosamente deu tudo certo, a polícia prendeu os invasores e ninguém se feriu.

Fica a pergunta: em um incidente como este, quando o hóspede se descobre sozinho e tem de enfrentar a situação por conta própria, como agir? Com a ajuda da especialista em viagens de negócios Eliane Martins, eis algumas dicas que ajudam a minimizar o sufoco, que não desejo a ninguém.

– Se tiver de abandonar o local, esqueça a bagagem. Sua integridade física deve ser prioridade.

– Se abordado por um bandido, não banque o herói nem tente reagir.

– Se ameaçado por uma arma, faça o que o sujeito mandar. Sem pânico.

– Dê ao agressor a sensação de que ele está no comando.

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– Com as mãos sempre à vista, sem movimentos bruscos, explique com antecedência cada ação que tomar.

– Lembre que o invasor está nervoso. Evite contato visual direto.

– Se o agressor mandar você sair do quarto, não se interponha na porta e ceda espaço para ele entrar.

– Coopere com o criminoso e não faça menção de correr.

– Registre traços pessoais ou roupas que permitam descrever o assaltante.

Esse check-list está longe de ser agradável e torço para que nunca seja preciso usá-lo. Entretanto, não custa ler os conselhos acima mais uma vez, pois servem não só para o Rio de Janeiro – que, apesar de tudo, continua lindo – mas para qualquer outra cidade do planeta.

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