Brincando de guia

Que lugares de São Paulo você exibiria a um estrangeiro? Seis especialistas da cidade dão seus roteiros

Por Katiuscia Zanatta Atualizado em 16 dez 2016, 09h02 - Publicado em 11 out 2011, 16h02

Se você tivesse de mostrar São Paulo para um amigo forasteiro, que roteiro escolheria? Os botecos da Vila Madalena, o Ibirapuera, a Liberdade? Mas qual Liberdade? A da feirinha aos domingos ou a dos izakayas, bares especializados em saquês? Lançamos o desafio a seis personalidades que vivem a cidade. Cada um, à sua maneira, escolheu os programas fundamentais para quem vem de fora.

Lugares hypados

Por Cristiana Arcangeli

“Eu levaria uma amiga estrangeira a algum salão de beleza. Adoro os tratamentos estéticos do Ash Hair & Estethics (Rua Colômbia, 229, Jardim América, 3085-0051; Cc: todos; Cd: todos), um salão melhor que muitos de Nova York. Meus horários de trabalho são bem malucos e eles me atendem tarde da noite e até aos domingos. Outra recomendação são os day spas, como o Kennzur (Avenida República do Líbano, 577, Ibirapuera, 2348-1200; Cc: A, M, V; Cd: todos). Adoro a massagem relaxante e também o solarium, de onde se vê o lago do Parque do Ibirapuera. A noite de São Paulo, claro, também não pode faltar. Eu começaria com um jantar no Sky (Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 4700, Jardins, 3055-4700; Cc: A, D, M, V; Cd: todos), no Hotel unique, que tem uma vista linda, e seguiria para a Mynt (Rua Clodomiro Amazonas, 482, Itaim Bibi, 3071-0004; Cc: A, D, M, V; Cd: todos), que lembra muito a casa de Miami, com projeções nas paredes e ótima música house. Para uma saideira, sugiro o Bar Número (Rua da Consolação, 3585, Jardins, 3061-3995; Cc: todos; Cd: todos; reserve), projeto do arquiteto Isay Weinfeld e que é fequentado por estilistas, empresários, gente da música, modelos.”

Lugares alternativos

Por Fabrício Corsaletti

“Mesmo em bairros notoriamente turísticos há coisas que passam despercebidas. É o caso das casas de saquê na Liberdade, chamadas de izakayas. Quem vê de fora pensa se tratar de mais um restaurante oriental, mas o negócio ali é beber saquê e shochu, um destilado que pode ser feito de batata, trigo ou arroz. Para mim, os dois melhores izakayas são o Kintarô (Rua Tomás Gonzaga, 57, 3277-9124), simplérrimo, barato e que só aceita dinheiro; e o Izakaya Issa (Rua Barão de Iguape, 89, 3208-8819; Cc: D, M, V; Cd: todos), mais arrumadinho. Indo para um lado menos profano, levaria um amigo para assistir a uma missa na Capela do Cristo Operário (Rua Vergueiro, 7290, Vila Brasílio Machado, 5062-5520; missas: sáb 19h, dom 8h30), próxima ao metrô Alto do Ipiranga. O lugar foi restaurado e tem lindos afrescos de Volpi no altar e nas laterais. Não muito longe dali, na Vila Mariana, sugiro a Casa Modernista (Rua Santa Cruz, 324, 5083-3232), que foi a primeira residência modernista do país e tem um jardim lindíssimo. E, para terminar, uma passada no Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111, Vila Mariana, 5574-7322; entrada gratuita), que vale a visita tanto pelos quadros e pelas esculturas do artista quanto pelo bonito prédio.”

Arquitetura

Por Regina Meyer

“Considero fundamental o Parque do Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, Moema, 5574-5177), onde estão o Auditório e a Oca, obras emblemáticas de Oscar Niemeyer. Eu também levaria alguém que me visitasse para passear no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073), outro importante projeto paulistano. O espaço amplo e o pé-direito altíssimo caracterizam bem o que foi a arquitetura dos anos 1950. Também iria ao Edifício Martinelli (Avenida São João, 35, Sé, 3204-2477; visitas sob agendamento), o primeiro arranha-céu da cidade, de 1929, projetado pelo arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena. No alto de seu 26º andar, tem-se uma das mais belas vistas panorâmicas da região central. Para o almoço, depois de tanta arquitetura, indico o bufê do Theatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, 3331-1874; Cc: M, V; Cd: M, V), que ficou lindo depois da reforma. Outro lugar de que gosto muito é o edifício dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Rua Maranhão, 88, Higienópolis), uma residência art nouveau da família Penteado do início do século 20.”

Compras

Por Alice Ferraz

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“Um lugar em onde vou sempre é a Cartel 011 (Rua Artur de Azevedo, 517, 3081-4171; Cc: todos; Cd: todos), em Pinheiros, que reúne em um único local desde peças de designers ainda desconhecidos até coleções assinadas por Jean Paul gaultier e Jeremy scott. Ali também funcionam escritórios de moda, salão de beleza e um bar que fica bem agitado aos sábados à tarde. Para roupas baratas, prefiro a Marisa (Avenida Paulista, 1713, 3262-0073; Cc: A, M, V; Cd: todos) à José Paulino ou ao Brás. Na Marisa da Paulista, já encontrei coisas muito parecidas com o que vi nas vitrines de magazines Fast Fashion na Europa. Mas, se eu tivesse apenas um dia para levar uma amiga às compras, iria de Shopping Cidade Jardim (Avenida Magalhães de Castro, 12000, 3552-1000). Primeiro, porque reúne em um único espaço lojas de departamentos, como a Zara, e excelentes grifes internacionais. Segundo, porque tem um clima diferente e jardins a céu aberto, o que diminui a sensação de estar em um lugar fechado. E ainda tem delícias para degustar, como o nhoque do Due Cuochi (3758-2731; Cc: todos; Cd: todos), seguido de um curto na cafeteria Santo Grão (3552-7700; Cc: todos; Cd: todos), que fica dentro da Livraria da Vila.”

Botecos

Por Miguel Icassatti

“Eu levaria um gringo aos botecos da Vila Madalena, como o São Cristóvão (Rua Aspicuelta, 533, 3097-9904; Cc: A, D, M, V; Cd: todos), que serve chope na temperatura ideal e tem decoração futebolística, ou o Melograno (Rua Aspicuelta, 436, 3031-2921, Cc: A, D, M, V; Cd: todos), que tem uma carta de cervejas com mais de 100 rótulos. Também passaria no Astor (Rua Delfina, 163, 3815-1364; Cc: A, D, M, V; Cd: todos), um bar dois em um: no salão de cima, sugiriria o gratinado de calabresa com gorgonzola, acompanhado de torradas, que vai muito bem com chope; no subsolo, o subastor seria a opção para beber bons drinques e paquerar. O bairro do Pari, próximo ao Brás, tem boas surpresas, como o Carlinhos (Rua Rio Bonito, 1641, 3315-9474; Cc: A, D, M, V; Cd: todos). O carro-chefe ali é a picanha, mas eu iria nas receitas de ascendência árabe e armênia, como o arais, kafta prensada no pão árabe que considero a melhor entrada que já comi na vida; e o basturmalã, lâminas de carne crua curtidas em temperos e misturadas com ovo fito. No bairro do Ipiranga, tanto o Bar do Magrão (Rua Agostinho Gomes, 2988, 2061-6649; Cc: D, M, V; Cd: todos) quanto o anexo, a Cantina do Magrão, são recomendáveis. a perna de cabrito é divina, mas é preciso encomendar.”

Shows

Por Marco oliveira

“São Paulo está mais do que inserida no circuito mundial de shows, que vai de megaconcertos a bandas indie, passando por revivals. Neste mês, é a vez do Tears For Fears, que se apresenta dia 6 no Credicard Hall (Avenida das Nações Unidas, 17955). A banda volta ao Brasil depois de 15 anos para cantar hits como Shout e Woman in Chains. Mas eu levaria um gringo para conhecer bandas indie que despontam, como a australiana Cut Copy, que se apresenta dia 21 de outubro no HSBC (Rua Bragança Paulista, 1281; ingressos pelo site www.ingressorapido.com.br), que tem uma das melhores acústicas de São Paulo. Os caras excursionaram com o Bloc Party e o Franz Ferdinand. E também levaria para ver as roqueiras do Warpaint, banda de Los angeles formada só por mulheres que se apresenta dia 5 no Beco 203 (Rua Augusta, 609, Consolação, 2339-0351; Cc: M, V; Cd: todos). Antes dos shows, jantaria no bistrô Le Jazz (Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, 2359-8141; Cc: A, M, V; Cd: todos) e, depois do show, daria uma passada no Lorena 1989 (Alameda Lorena, 1989, Jardim Paulista, 3081-2966; Cc: A, D, M, V; Cd: todos) para beber sangrias e caipirinhas, que são ótimas.”

Leia mais:

Outubro de 2011 – Edição 192

Sobrevoar é preciso

Baixíssimo Augusta

Tchau, capital

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