Botecos de bairro são tesouro para belorizontinos

Os bares tradicionais de BH fazem valer o título e se misturam à história da cidade e dos moradores

Não é um apelido qualquer. Belo Horizonte é realmente a capital nacional dos botecos. Um levantamento feito pela prefeitura apontou que a cidade possui cerca de 28 bares por quilômetro quadrado. A maior concentração está no centro da cidade, mas são os botecos de bairro que guardam o verdadeiro charme. Com atendimento personalizado, instalações simples, cardápio despretensioso e cerveja gelada, eles se conectam à história da região e possuem freguesia cativa.

É nesses lugares que as pessoas se encontram para relaxar no fim da tarde, colocar o papo em dia e se divertir. Muitas vezes, os donos desses estabelecimentos são testemunhas da evolução do bairro e têm histórias para mais de ano, como se diz pela capital mineira. O #hellocidades, projeto da Motorola que incentiva a conexão das pessoas com as cidades, conta algumas dessas histórias e convida os leitores a se reconectarem com a vizinhança.

O Silvio’s Bar é uma dessas casas que viram o bairro mudar. Inaugurado há 48 anos no Esplanada, região Leste da capital, a casa assistiu a mudanças histórias, políticas e arquitetônicas, além de ver crescerem os próprios frequentadores. “Eu tenho aqui, hoje, a terceira geração de clientes fiéis. Já frequentam o bar os netos de alguns fregueses antigos. Meu pai deixou um legado muito importante até para a história da cidade. É uma responsabilidade e um orgulho enorme poder carregar isso”, conta o proprietário Flávio Gonçalves, que assumiu o bar em 2008, quando o pai, Silvio, faleceu.

Conexão afetiva

Um desses clientes é o motorista particular Diego de Oliveira. Morador do bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital, ele elogia os muitos bares do entorno de onde mora, como o Silvio’s e o Brasil 41, na praça Floriano Peixoto. “A gente acaba optando por visitar esses lugares mais perto de casa. E, com o tempo, cria uma relação afetiva”, reflete.

Durante a maior parte de sua vida, Diego foi vizinho dos proprietários do Brasil 41. Dona Jacira, que coordena o bar, está sempre de olho em tudo que acontece por lá e é uma das figuras mais queridas e respeitadas da região. É ela quem garante que tudo corra bem na casa, que é reduto de rodas de samba e choro ao longo da semana, organizadas pelos próprios frequentadores.

Quando a música não é ao vivo, o som vem de uma velha vitrola e dos muitos vinis que a família guarda. O acervo, inclusive, é um bom tópico para os clientes novatos puxarem assunto e se aproximarem dos proprietários. Os mais íntimos até pedem para tocar esse ou aquele artista — mas sem pegar na vitrola!

Negócio de família e amigos

Sobre o Silvio’s, Diego foi direto na sugestão: “Quando for lá, sente-se no balcão.” A enorme estrutura toma conta de quase todo o estabelecimento e é marca registrada do bar.

O Silvio’s mudou pouco ao longo dos anos, o que faz surgir um desafio para Flávio: como conectar a tradição do boteco com a modernidade? Até pouco tempo atrás, o estabelecimento não aceitava cartão de crédito. Atualmente, tem um site personalizado e uma página no  Facebook. “Não tem como ficar de fora dessas coisas hoje em dia, mas minha mãe nunca nem viu o site”, brinca Flávio.

Flávio posa ao lado da mãe e da foto do pai: atendimento cuidadoso é herança de família

Flávio posa ao lado da mãe e da foto do pai: atendimento cuidadoso é herança de família (Camila Bastos/Divulgação)

Dona Maria da Piedade, mãe de Flávio, não tira o olho do bar que ajudou a construir e onde elaborou as famosas receitas com muito carinho. “O empanado de jiló com parmesão, o tropeiro e a tulipinha (coxinha da asa de galinha) são alguns dos carros-chefes da casa”, orgulha-se.

Cozinha de primeira

Por falar em receita, os pratos típicos de Minas Gerais e os tira-gostos de boteco são regra nos bares de bairro. Como manda o figurino, a cozinha é o forte das casas tradicionais que, na maioria das vezes, mantêm um ambiente familiar e acolhedor em volta da boa mesa.

No Bar do Baiano, no bairro Pompéia, o que manda é a comida sem frescura. A paçoca de carne, o fígado de galinha e os originais pastéis de couve-flor são alguns dos destaques da casa, que é casa mesmo. Aos fins de semana, é possível até mesmo reservar a mesa do quintal da família, onde os mais sortudos podem se deliciar com os frutos do pé de pitanga carregado.

Depois que o dono original, o famoso Baiano, faleceu em 2014, o negócio ficou com um dos filhos, que manteve o clima do ambiente como se fosse uma extensão da casa dos fregueses. Mas não é para ficar assim tão à vontade. Na parede, um quadrinho de regras coloca ordem no local: “não namorar” é uma delas.

Seguidores fiéis

Quando o bar é bom, pode até mesmo mudar de endereço que a freguesia vai atrás. O Bar do Ceará se mudou do bairro Nova Suíça (região Oeste) para o Coqueiros (região Nordeste) e a médica Maria Eulália da Silva não hesitou em desviar de seu caminho habitual para continuar frequentando. “Gostava muito do bar e fui atrás. Tem alguns pratos, como angu à baiana, dobradinha e carne ao molho especial que fazem muito sucesso como comida de boteco”, elogia a médica.

Na época em que ainda era estudante, Maria e os amigos gostavam de se reunir por lá e não quiseram abrir mão dos tira-gostos especiais. Afinal, não há nada melhor do que se reunir com os amigos em volta de uma boa mesa, e uma das melhores coisas de BH é curtir a cidade nos botecos que tomam conta de todas as esquinas. Quando visitar o seu bar do coração, registre o momento e não deixe de marcar a hashtag #hellocidades. Aproveite mais oportunidades para mudar sua relação com a cidade em hellomoto.com.br.

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  1. matéria fraca.

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