Bleu, blanc, rouge – e vert
Sustentabilidade em Paris não é só conversa de ativista. Agora há endereços para comprar itens verdes, comer orgânicos – e digeri-los em paz
Há cinco anos, o morador de Paris que separasse lixo e economizasse água seria considerado um ambientalista radical. Hoje em momento verde, em que atitudes como essas são consideradas meramente cidadãs, a capital francesa vai além dos pequenos gestos e coleciona realizações no campo da sustentabilidade. Em 2007, lançou seu ambicioso sistema de aluguel de bicicletas, o Vélib, que virou referência para o resto do mundo. Um ano depois, convocou dez escritórios de arquitetura europeus para imaginar soluções para seus problemas de grande metrópole – projetos que devem inspirar a grande transformação pela qual a cidade deseja passar nos próximos 40 anos para se tornar a chamada Le Grand Paris, mais sustentável e acolhedora. Entre os parisienses, o despertar da consciência ecológica também é visível – e recente. “Até pouco tempo atrás, as pessoas mal sabiam diferenciar ético de étnico”, conta a argentina Liza Arico, que há oito anos montou a primeira loja de roupas feitas com material reciclado de Paris. Assim como muitos parisienses, Liza prefere alimentos orgânicos e produtos biodegradáveis e fabricados com responsabilidade social. Ela vê o parisiense médio como um sujeito não tão consumista nem ecochato, o que acha a boa medida. Sua marca, Customisée par (www.costumiseepar.com), é só mais um dos destaques dessa nova Paris preocupada com o ambiente que você conhece a seguir.
Os endereços verdes de Paris
– O forte da UNE (www.unebeauty.com) são as maquiagens em tons naturais e leves – sem conservantes como parabenos, silicone ou óleos derivados do petróleo. Tudo é certificado pela empresa Ecocert, que dá seu selo Bio a produtos com no mínimo 95% de compostos naturais.
À venda nas Galeries Lafayette (www.galerieslafayette.com) e na Mademoiselle Bio (www.mademoiselle-bio.com)
– Parte do patrimônio histórico e artístico francês, o parque Saint-Cloud (metrôs Pont de Sèvres e Boulogne–Billancourt Saint-Cloud, www.saint-cloud.monuments-nationaux.fr) é um gigante de 460 hectares de jardins e florestas. As melhores atrações estão na parte leste: o Jardin du Trocadéro, de estilo inglês, o Terrace des Orangers, com vista maravilhosa para a Torre Eiffel, a majestosa La Grande Cascade e o espaço Le Bassin des Chiens, com suas pitorescas estátuas de cachorros. No verão e especialmente na primavera, o lugar é perfeito para um piquenique.
– A recém-inaugurada Pimlico (Rue de Charenton, 88, www.pimlico.fr) vende, em um ambiente meio retrô, tudo natural. Como frutas e legumes orgânicos, pães e chocolates artesanais e vinhos feitos de uvas cultivadas sem adubo ou pesticidas químicos.
– Quinoé (Rue des Mathurins, 59, www.quinoe.com) – Praticamente tudo nesse pequeno restaurante é certificado, da decoração, feita com madeira reflorestada, aos produtos do pequeno empório, passando pelo cardápio – cujos ingredientes importados, por exemplo, têm selo de comércio justo. Da cozinha internacional saem um ótimo salmão com coentro e um delicioso bolinho de quinua com brócolis.
– Les Jardins Albert Kahn (Rue du Port, 10-14, Boulogne-Billancourt, acesso pela estação de metrô Boulogne/Pont de St. Cloud, www.albert-kahn.fr) – Tranquilo, esse parque frequentado por locais e turistas que conhecem bem Paris e arredores rende um passeio bacana: comece pelo jardim francês, vá ao pomar com roseiras, caminhe pelas florestas e pelo jardim inglês e, finalmente, pelo japonês, a grande atração local.
– Vendidas em embalagens recicláveis muito originais, as fragrâncias da marca Honoré des Près (www.honoredespres.com) foram desenvolvidas pela talentosa perfumista Olivia Giacobetti, que já colaborou com marcas como Hermès e Guerlain.
À venda na Le Bon Marché (www.lebonmarche.com), na Printemps (www.printemps.com) e na Mademoiselle Bio (www.mademoiselle-bio.com)
– Green in the City (Rue Malher, 7, www.greeninthecity.fr) – As criações de jovens estilistas vendidas nesta multimarcas têm em comum, além da originalidade, a responsabilidade ambiental. As araras estão repletas de roupas feitas com algodão cultivado sem pesticidas, lã orgânica e seda obtida por meio de técnicas que mantêm o ciclo de vida natural das larvas.
– Paris tem duas feiras de produtos orgânicos, as chamadas marchés biologiques, bastante frequentadas. A Batignolles, que acontece aos sábados (Boulevard des Batignolles, entre o metrô Rome e a Place de Clichy; 9h/14h), e a Raspail (Boulevard Raspail, entre as ruas de Rennes e du Cherche-Midi; 9h/14h; metrô Rennes), dominical, na qual é vendido um dos melhores queijos bio da França, o Saunière.
– A Doux Me (www.douxme.com), marca de hidratantes, demaquilantes e cremes com princípios ativos vegetais, tem feito sucesso entre as francesas. O site da marca traz um interessante glossário com esclarecimentos sobre todos os componentes de seus produtos.
– 97 Bio (Rue Jouffroy d’Abbans, 97, www.97bio.fr) – O verde que dá cor a uma das paredes e aos centros de mesa quebra a sobriedade do salão clean, onde predominam o branco e o marrom. Os alimentos orgânicos usados na cozinha são a base do cardápio enxuto, composto por saladinhas e pratos com frango e carne a € 12.
– Les Bio Gosses (Rue Notre-Dame de Lorette, 4, www.lesbiogosses.com) – Nesta loja para crianças, mamães e bebês, a variedade de produtos é tão grande que dá para montar um enxoval em versão ecológica: há desde brinquedos feitos com madeira reflorestada e roupinhas de algodão orgânico até mamadeiras de plástico livres de BPA (o bisfenol A, produto químico proibido em diversos países).
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