Bahia de boa

Sul da Bahia: Trancoso, Espelho, Porto Seguro e Abrolhos, quatro destinos da região baiana mais bacana, benfazeja e bem-amada

Por Alexandra Forbes Atualizado em 14 dez 2016, 11h53 - Publicado em 20 set 2011, 16h53

TRANCOSO

Há algo no ar quando uma vilinha no sul da Bahia é escolhida por três aristocratas como seudestino principal de férias. Neste verão ficou pronta a maravilhosa casa do conde francês Philippe de Nicolay, descendente dos ziliardáriosRotschild, pertinho da mansão à beira-mar da socialite Georgina Brandolini. Um pouco adiante fica a elegante maison de verão da condessa italiana Sabine Lovatelli, figura central da música erudita de São Paulo.

Falo de Trancoso, o ex-vilarejo de pescadores ao sul de Porto Seguro, na Bahia, onde na alta estação um risotinho pode custar o mesmo que nos restaurantes três-estrelas das capitais do Sudeste. E onde certos pescadores já desencanaram de ir pescar faz tempo – ser caseiro de gente rica dá mais dinheiro e menos trabalho. Hoje em dia  qualquer pessoa ligada nas colunas sociais sabe que Trancoso entrou ao seleto time de destinos jet setter, frequentado pela modelo inglesa Naomi Campbell, a estilista americana nascida na Bélgica Diane von Furstenberg e o sapateiro espanhol Manolo Blahnik. O famoso Quadrado – campo gramado ladeado de casinhas coloridas e uma igreja secular numa escarpa sobre o mar – atrai no póspraia incontáveis famosetes, do ex-jogador Raí e a apresentadora Eliana à chef  Roberta Sudbrack, dona do restaurante que leva seu nome, no Rio.

O turista de primeira viagem mal nota, mas detrás daqueles casebres de aparência tosca se escondem interiores encantadores, onde se refugiam paulistas (e cariocas) chiques, como a designer Joana Vieira e a joalheira Syomara Crespi. Outras abrigam agora lojas de grife e mini-hotéis superexclusivos, como o Jacaré do Brasil Casas e o Uxua.

Esses dois hoteizinhos merecem capítulo à parte. Um quase em frente ao outro, ambos no Quadrado, eles simbolizam o que o dinheiro fez de melhor em Trancoso. O primeiro, inaugurado em 2007, não passa de cinco “casas” conjugadas, de aparência simplezinha e portas pintadas de azul-gerânio. Mas, por dentro, são de cair o queixo – cortesia do badalado decorador Sig Bergamin e do concorrido paisagista Gilberto Elkis. O Uxua, do holandês Wilbert Das, ex-diretor da grife Diesel, começou também com uma junção de casinhas de pescador. A história de Das, que divide seu tempo entre França, Itália, Holanda e agora Brasil, mistura-se à dessa nova Trancoso glamourosa. Foi passar uns dias por ali em 2004 e acabou fisgado. Desde então, virou habitué e aos poucos foi comprando casinhas no Quadrado. Quando viu, já era dono de nove delas, com mata virgem no quintal. “Trancoso é um lugar raro, muito bem preservado, onde o novo se integra ao velho sem estragar o charme original”, diz. As “casas” de seu hotel têm cozinhas equipadas e muito artesanato local. Numa delas há piscina privativa – as diárias começam em 1 080 reais. E o que fez Trancoso para atrair esses hotéis – discretos, respeitadores do entorno e dos moradores – e ao mesmo tempo chamar a atenção de colunáveis do eixo Rio-São Paulo-Paris-Nova York? Como surgiu essa mistura boa de simplicidade baiana e comércio chique que não deve nada às ilhas caribenhas de St. Tropez e St. Barts?

O empresário Patrick Eberhardt, frequentador há 15 anos, acha que a inauguração da pousada Estrela d’Água, nos anos 1990, no imóvel que tinha sido a casa de praia de Gal Costa, foi um marco importante. “A chegada da primeira pousada de alto nível, trazendo uma sofi sticação inédita por ali, fez muita gente com mais dinheiro ir até lá e se encantar com o charme rústico de Trancoso.” Na mesma época, Fernando Droghetti, o Jacaré, comprou uma pousadinha e chamou Sig Bergamin para reformá-la. A resultante Pousada do Quadrado (hoje, sob nova administração e rebatizada de Hotel da Praça) logo se tornou o hit daquele verão e deu um up na imagem de Trancoso. “Foi uma feliz coincidência de projetos que pregavam um luxo bem pé no chão, com a cara do lugar”, diz.

Mas o verdadeiro boom só viria mais tarde, com a chegada de um resort (o Club Med) e um condomínio de alto padrão com campo de golfe (o Terravista). “Até então, Trancoso tinha toda aquela vibe bacana, mas infraestrutura nenhuma”, diz Jacaré. “E em nenhum lugar do mundo você consegue atrair estrangeiros sem infraestrutura.” Os primeiros hóspedes das pousadas estilosas dividiam com amigos sua descoberta. Enquanto isso gente como Nizan Guanaes e Verônica Serra, filha do governador paulista José Serra, recebiam estrangeiros que iam embora contando para seus respectivos círculos que Trancoso era o top. O boca a boca e as colunas sociais cuidaram do resto.

E que charme é esse que tanto encanta os viajadose endinheirados? Justamente o oposto daquilo a que estão acostumados na cidade grande. Para Eberhardt, “Trancoso é incrível porque nãotem farofa e você pega praia sem ter de se sentar em cadeira de plástico sob guarda-sol da Brahma”.

Mas é muito mais que isso. São os nativos jogando bola ao cair da tarde no Quadrado. É a igrejinha do século 16, caiada de branco, rodeada pelo céu estrelado. É andar só de chinelo de dedo. São as noites de forró e o centro de capoeira onde high e low se misturam. É, em resumo, a possibilidade de ter o melhor de dois mundos: um gostinho da Bahia autêntica sem ter de abrir mão de lençóis de algodão fino ou um bom expresso depois do jantar.

PRAIA DO ESPELHO

Por: Rachel Verano | Foto: Marco Antônio Pomárico

Publicado em 02/2010

Legenda: CARIBE BAIANO – As piscinas naturais da Praia do Espelho

A Praia do Espelho, ao sul de Trancoso, luta bravamente contra o turismo de massa. Simplesmente porque não combina com muvuca, não combina com música alta, não combina com escuna lotada, não combina com lixo, não combina com gente que não combina. O trecho mais charmoso do litoral baiano – sim, deixo claro aqui minha mais profunda parcialidade -, que só viu a luz elétrica chegar na esteira do século 21, combina, isso sim, com noites iluminadas pela lua ou pela luz das lanternas, com espreguiçadeiras de madeira e esteiras de palha recheadas de almofadas coloridas, com uma música lounge tocando ao fundo, bem baixinho. Pousadas são poucas, caras e pequenas, mas você vai dormir em camas king recheadas de travesseiros, tomar o café da manhã no gramado de frente para o mar ou almoçar em terraços com livros de arte e fotografi a como companhia. O fim do dia pode ser embalado com uma taça de champanhe numa chaise-longue ao ar livre cercada pelo coqueiral iluminado por lanterninhas orientais. Depois, o menu do jantar pode ser italiano, tailandês ou bem nordestino, é só escolher. A receita é arrebatadora e infalível: de um lado falésia, do outro mar verde e tranquilo de águas transparentes, emoldurado por arrecifes, areias brancas e fofas e o tal do gramado que só termina na areia. É uma das raríssimas praias cinco-estrelas, a cotação máxima no GUIA BRASIL.

Por isso, é melhor mesmo que as coisas não mudem. A estrada de terra que vai de Trancoso até lá, por exemplo. Quando chove, os 20 e poucos quilômetros viram um atoleiro. Mas tudo bem, né? E corrigir a placa de acesso à praia depois da entrada do Condomínio Outeiro das Brisas, que segue indicando a direção errada, pra quê? (Para chegar ao Espelho, é preciso passar pela portaria do condomínio.)

imagem clássica da Praia do Espelho – a do gramadão recheado de almofadas à sombra de coqueiros de cara para o mar – atinge o máximo de charme em frente à Pousada do Baiano, onde há lounges perfeitos para se largar ao som de uma boa música. Os quartos, branquinhos, acabaram de ser reformados e ganharam piso de cimento queimado. A cama é gigantesca: 2,20 por 2,20 metros, onde cabem 16 travesseiros. Para ter a melhor vista do alto, a boa é reservar uma das suítes da Fazenda Calá: mesas no terraço, esteiras com almofadas, lanterninhas de vela no fim da tarde. Da cama, deitado, você enxerga o mar.

Para provar boas receitas e curtir a praia ao mesmo tempo, o melhor é optar por um dos restaurantes que ficam embaixo da falésia, no gramado. Eles são os restaurantes das pousadas. O Baiano tem massas e risotos; o da Enseada do Espelho, carnes e frutos do mar – é famoso o camarão de coco servido com arroz de açafrão. Para algo mais corriqueiro, a barraca Meu Peixinho, no trecho da praia chamado Curuípe, serve pratos caseiros feitos no capricho, além de sorvete, açaí e salada de frutas. No Outeiro, o clima é perfeito para o jantar. Mas, independentemente do número de dias que você pretende passar no Espelho, não deixe de provar as delícias de sotaque asiático do restaurante da Silvinha. Não é tarefa simples: primeiro, você atravessa o riozinho e faz a reserva pessoalmente; depois, volta na hora marcada e atravessa o riozinho de novo. Não é você que escolhe nada – é a própria Silvinha que decide o menu, composto de entrada, prato principal e sobremesa. Mais que a comida, vale o conjunto da obra. Você se senta em almofadas coloridas em meio a um jardim bem cuidado, escondidinho pela vegetação e de frente para o mar.

PORTO SEGURO

Por: Leonardo Luz | Foto: Jota Freitas/divulgação

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Publicado em 02/2010

Legenda: A Igreja de Nossa Senhora da Pena, em Porto Seguro

Qualquer um pensaria mil vezes. Deixar a tranquilidade do Quadrado, em Trancoso, para ver a galera requebrando e pondo as “mãozinhas pra cima” nas coreografias que rolam em Porto Seguro? Para ouvir axé em altíssimo volume naquelas megabarracas nas praias? Para estar no meio da massa de formandos vindos de vários lugares do país em busca de limites jamais alcançados? O que eu iria fazer em Porto Seguro, um dos destinos mais vendidos do país – é o campeão nconteste e disparado de vendas da CVC, a principal operadora do país -, antônimo de privacidade, de exclusividade? Pensava nisso e ao mesmo tempo não deixava de me condenar: ê rapaz preconceituoso! Não é porque as operadoras de turismo vendem esse destino freneticamente a preços acessíveis que não haverá algo interessante para ver e guardar como uma boa lembrança. E devo dizer que, no fim, aquele trechinho onde o Brasil foi “achado” me apresentaria um Brasil que, por mim, pelo menos, ainda não havia sido descoberto.

Chegar a Porto Seguro pela manhã é garantia de poder aproveitar a cidade e seus grandes atributos: paisagem, gastronomia, mar e história. E a história está muito bem contada em vários lugares, inclusive na Biblioteca João Ubaldo Ribeiro, que fica na mesma avenida onde as barracas de artesanato são montadas no fim de tarde. O acervo, doado pelo escritor Joaci Góes, é focado em história do Brasil e da Bahia. Para levar um livro emprestado, pagam-se apenas 25 centavos por três dias. Alguns exemplares da coleção são do século 19. Dali segui para a Cidade Alta, para ser recepcionado pelo Bispo, um guia municipal que com simpatia me apresentou a vila onde os primeiros habitantes portugueses desembarcaram. Marcante no centro histórico são a Capela de São Benedito e as igrejas da Misericórdia e de Nossa Senhora da Pena, com sua torre cravada de cacos de louça que fazia as vezes de farol. Quando o luar refletia nesses cacos, a luz chegava ao mar, ajudando os portugueses a conduzirem suas embarcações. O ato final na Cidade Alta foi como típico turista – e não tive nenhuma vergonha disso, muito pelo contrário: tirei fotos ao lado do Marco do Descobrimento, com o Atlântico ao fundo. Ali há também uma feirinha de artesanato pataxó que vende colares, bolsas e outros artigos feitos de sementes e madeira.

O almoço foi na Praia de Mundaí, a dez minutos do centro de Porto Seguro. A barraca-bar-restaurante That Shack está distante de qualquer agito que lembre trânsito, barulho e irritação, porém de frente para um mar lindo, com atendimento feito pelo casal proprietário, ele jamaicano, ela portuguesa. Estou bem longe de ser crítico gastronômico, mas posso dizer que o peixe gaiuba na brasa com batatas e o polvo estavam frescos, macios e muito saborosos. O fim da tarde ficou para a Praiade Coroa Vermelha, onde está o marco em que foi rezada a primeira missa no Brasil, e a cidade de Santa Cruz Cabrália, na qual mais um guia, o Raimundo, nos mostrou as ruínas de uma escola jesuítica onde os índios eram catequizados e apresentou a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que tem religiosos enterrados sob o antigo piso.

No fim daquela jornada ainda aproveitamos os belos visuais da costa de Cabrália e Porto Seguro. Para quem imaginava que professores de axé, batidas ordinárias, megabarracas e hordas de turistas eram tudo o que Porto Seguro tinha a oferecer, saí muito, mas muito no lucro mesmo.

O blogueiro Leonardo Luz escreve sobre suas viagens em seu brasileo.wordpress.com

ABROLHOS

Por: José Pedro Ribeiro | Foto: Ivan Carneiro

Publicado em 02/2010

Legenda: TUDO AZUL – Ou verde? Você decide a cor da água transparente de Abrolhos

Muita gente acha as praias da Bahia as mais bonitas do Brasil. Mas é possível que a obra-prima do litoral do estado esteja longe, bem longe da orla. O Arquipélago de Abrolhos, a 75 quilômetros da costa, impressiona o visitante desde pelo menos 1832, quando o naturalista inglês Charles Darwin aportou ali. São cinco pequenas ilhas emolduradas por um dos mais espetaculares recifes de coral do Atlântico. A maior, e única habitada, é a Ilha de Santa Bárbara, onde está o farol. A segunda, a Sueste, é fechada à visitação, assim como a menor delas, a Guarita. As ilhas Siriba e Redonda podem ser conhecidas em companhia de um guarda-parque. Em 1983, Abrolhos tornouse o primeiro parque nacional marinho do Brasil, o que restringiu sua ocupação e seu acesso.

Reza a lenda que o nome Abrolhos vem das antigas cartas de navegação portuguesas que marcavam as perigosas águas da região com o aviso “Abra os olhos!” Hoje a navegação é bem mais segura, mas é ainda uma boa ideia manter os olhos bem abertos nessa região em que a previsão do tempo de verdade é a previsão do vento – se alguém disser algo como “Amanhã é para mais de 14”, adie seu passeio: um vento de 14 nós é forte demais para navegação, o mar joga muito. De resto, o lugar tem aquele clima delicioso da Bahia, com os 24 graus constantes.

Para ir a Abrolhos é preciso estar em Caravelas, uma cidadezinha de pouco mais de 20 mil habitantes a 150 quilômetros da divisa com o Espírito Santo, que abrigou o ponto final da ferrovia cantada por Milton Nascimento em seu disco Minas. O caminho de ferro que mandaram há décadas arrancar sobrevive no nome da pequena rodoviária: Ponta de Areia. É em Caravelas ou em Nova Viçosa, mais ao sul, que você irá contratar os passeios a Abrolhos, que podem ser de dois ou três dias ou mesmo num bate-e-volta de lancha (duas horas e meia para ir e outro tanto para voltar). Optei pelo passeio mais longo, num catamarã. O barco sai cedo e em alguns minutos vence a foz do Rio Caravelas e entra na imensidão do Atlântico. São quatro horas até Abrolhos. No fim da viagem, o capitão escolhe um lugar protegido do vento  ancora o barco. Era hora do almoço quando cheguei a Abrolhos. Enquanto um delicioso filé de bodião com alcaparras era servido, um guardaparque do Instituto Chico Mendes embarcava para dar as boas-vindas e explicar as regras do lugar. Por exemplo, não alimentar os peixes nem caminhar nas ilhas sem autorização.

À tarde, desembarcamos na Ilha Siriba. A origem vulcânica do arquipélago conferiu ao lugar um solo escuro. A praia é de pedras, por onde se pode caminhar. Logo acima cresce uma vegetação rasteira que sobrevive ao vento e ao sal. A quantidade de aves é digna do filme do Hitchcock. São atobás, grazinas e fragatas que usam o abrigo das ilhas para procriar. Isoladas e protegidas, há muito tempo não têm medo das pessoas, e é possível chegar muito perto delas. Se a maré não estiver alta demais, procure dar a volta ao redor da ilha para ver o arquipélago de diferentes ângulos. O passeio dura cerca de 40 minutos em uma caminhada bem leve.

No papel, Abrolhos segue o horário de Brasília. Na prática, está quase 40 minutos na frente da capital federal, e normalmente antes das 5 da tarde um pôr do sol espetacular já começa a se formar. No horizonte uma cortina de nuvens laranja radioativo fez fundo para a silhueta preta da Ilha Redonda e das milhares de fragatas que se preparavam para dormir. Do outro lado, uma lua incrivelmente cheia iluminou o arquipélago. No barco, devoramos uma deliciosa lasanha à luz do farol. Depois, um lance de escadas me conduziu ao quarto. A suíte era pequena, mas não apertada, com uma cama do tipo beliche, só que sem a cama de baixo – o espaço é utilizado como armário. É bom saber que não é possível se hospedar em Abrolhos – a única opção, portanto, é ficar nos barcos.

No dia seguinte, a alvorada recompensou com folga quem acordou às 5 da madrugada. O sol nasce atrás do farol, ainda ligado nessa hora ingrata. As ilhas se tingiram de vermelho enquanto as últimas estrelas sumiam. Uma nuvem carregada apareceu, mas, em vez de estragar a festa, soltou um arco-íris sobre Abrolhos. Às 7 e meia, a hora do café – com frutas, pão de queijo, chocolate -, o arco-íris ainda estava lá, esperando os últimos acordarem para ir embora.

O dia era de mergulho. Quem já é credenciado pode contratar mergulhos autônomos e conhecer os chapeirões, os corais em forma de cogumelo que se unem pelo topo formando labirintos; ou nadar em meio ao cargueiro italiano Rosalinda, que naufragou ali em 1955 com sua carga de cimento e cerveja (adivinha qual ainda está lá?). Há batismos, mas você também pode atacar de mergulho livre. É possível ver pequenos tubarões, barracudas, lagostas, raias e tartarugas. E, claro, várias espécies de coral. Uma delas, o Mussismilia braziliensis só existe em Abrolhos. No fim da tarde, fomos conhecer o farol. De fabricação francesa, ele está ali desde 1861. No alto de seus 22 metros fica um impressionante conjunto de lentes que espalha luz por até 50 milhas de distância. O farol está no ponto mais alto de Abrolhos, e de uma pequena sacada é possível ver todo o arquipélago. Já era noite quando voltei ao barco. Um camarão com queijo cremoso me esperava, convidando ao exagero.

No dia seguinte, o dia da volta, eu tinha a manhã inteiramente livre. Existem muitas possibilidades de mergulho em Abrolhos, e a pedida é mudar de ponto e cair na água. O tempo voou embaixo d’água, e infelizmente chegou a hora de partir. Deixei, emocionado, os chapeirões, os atobás, o farol de um dos lugares mais fascinantes e menos conhecidos do litoral brasileiro.

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