A nova (velha) cara de Ubatuba

Ubatuba tem lançamentos imobiliários na área central, mas continua com a beleza de sempre de suas praias desertas

Por Camilla Veras Mota Atualizado em 16 Dec 2016, 09h17 - Publicado em 8 Sep 2011, 12h21

Teste. Onde será esse futuro lançamento imobiliário do litoral paulista? Ele terá apartamentos amplos, de dois a quatro dormitórios; na área comum, três raias olímpicas, spa com hidromassagem, duas piscinas cobertas e aquecidas, duas piscinas infantis, fitness center, sala de cinema, brinquedoteca, um futuro boulevard comercial. Guarujá? Riviera, talvez? Camburi?

Não passou nem perto. O Latitude 23 será erguido em Itaguá, no centro de Ubatuba, onde o mercado imobiliário, como na vizinha Caraguá, se aquece à espera do dinheiro do petróleo do pré-sal. Esse “residencial clube”, para usar o jargão, assim como o futuro Fiji, na Praia Grande, irá adotar processos sustentáveis, como captação da água de chuva e uso da luz solar. Com isso, ajudará a dar um quê de cidade moderna – e com preocupações ambientais – a Ubatuba, um dos lugares mais exuberantes e preservados do litoral brasileiro.

Se a área central se desenvolve, o resto do município mantém sua lenta tocada. A última estreia hoteleira digna de nota foi a do verão passado, a pousada Areia do Mar, na Praia da Enseada, com dez apartamentos. Em Ubatuba, megarresorts não fazem parte da paisagem. O maior, o Itamambuca, tem 54 quartos e 22 bangalôs. É a própria geografia da cidade, pontilhada de baías e penínsulas – e ainda praias de acesso por trilha ou mar -, que segura Ubatuba numa escala reduzida.

Graças principalmente ao acesso difícil, algumas praias permanecem desertas. Como as vizinhas Ponta Aguda, Mansa e da Lagoa, três maravilhas para quem se dispuser a enfrentar os 5 quilômetros ruins de terra que partem da Tabatinga, na divisa com Caraguá. Mais à frente, o quilômetro 68,5 da Rio-Santos marca o começo de uma via estreita de 7 quilômetros digna de figurar em antologias das estradas cênicas do país. Os visuais são dechapar. A primeira grande atração da rota é a Vermelha do Sul, codinome Praia dos Arquitetos, já que é grande a quantidade desses profissionais que mantêm casas ali, parte delas escondida na mata para não interferir na visão de quem está na areia ou no mar. Algumas casas mais ostensivas não obedecem a esse código do, por assim dizer, arquiteto descalço. Pouco adiante, quando uma praia se descortinar por entre os costões rochosos, pare o carro para tirar uma foto, lá embaixo, da Brava – nem tão brava assim, mas com ondas bonitas e regulares. O ponto final da estrada é a piscina chamada Fortaleza, de onde partem alguns dos trekkings mais bacanas de Ubatuba. O mais curto e íngreme leva direto à Praia do Bonete, onde há alguns poucos restaurantes. O mais longo, pelo costão, paga melhor recompensa: no meio está a deserta Praia do Cedro, dividida em duas faixas de areia por pedras, ótima para pegar jacarés ou nadar sem preocupação. Para o Guia Brasil, o Cedro está entre as cinco praias mais bonitas de Ubatuba – de um universo de 42.

Eleger uma praia de predileção em Ubatuba é tarefa difícil. Melhor estratégia é procurar uma região em que elas têm feições (e usos) diferentes. No extremo norte, na direção de Parati, a sequência é irretocável. De Prumirim, com sua incrível cachoeira sob a Rio-Santos, passando por Puruba, onde é preciso cruzar um rio, à Brava da Almada, boa para surfe, a meta pode ser chegar a Picinguaba, de mar que é uma mansidão só, ótima para nadar entre seus barquinhos. E de lá, quem sabe, bancar de novo o Robinson Crusoé para explorar as praias vizinhas de Brava do Camburi e Camburi. Nesta última, uma cachoeira se transforma em rio para depois, de novo, se tornar cachoeira e, outra vez, rio até chegar ao mar.

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