10 coisas para não fazer em Paris (e o que fazer no lugar)

Os erros mais comuns que os turistas de primeira-viagem cometem na Cidade Luz – e como evitá-los

Os encantos de Paris são lendários e por uma boa razão. Cafés convidativos nas calçadas, boutiques reluzentes, alguns dos melhores museus do mundo e a grande oferta de restaurantes fazem de Paris uma cidade modelo — bonita, fashion, confiante e inspirando inveja a cada esquina. Mas com expectativas tão altas, Paris pode, eventualmente, decepcionar.

Quando você se vir devorando uma refeição pega-turista com outros incautos, vai entender como a Paris que os viajantes se apaixonam pode ser um tanto ilusória. Mas se você evitar os 10 erros mais comuns que os turistas de primeira-viagem cometem, e que a Condé Nast Traveler compilou em uma reportagem deliciosa, é possível reduzir drasticamente a possibilidade de sair desapontado. Vamos a eles:

Vivienne Galerie, em Paris Vivienne Galerie, um clássico

Vivienne Galerie, um clássico (Tuul & Bruno Morandi/Getty Images)

1. Não faça compras na Champs-Elysées

A Champs-Elysées pode um dia ter sido a avenida mais charmosa do mundo, mas sua sina tem variado muito ao longo dos anos e atualmente está lotada de redes de lojas globais, concessionárias de carros e cinemas multiplex. Além da loja carro-chefe da Vuitton, que atrai muitos viciados em marcas, você terá que se esquivar de uma multidão de adolescentes à medida que passar por vitrines como McDonald’s e Sephora, sem entender muito bem o motivo de tanto frisson. Aconteça o que acontecer, não se renda à fome: lá os cafés predam os turistas. Um morador local nunca seria pego cometendo tal heresia.

Solução: siga os passos de moradores 

Fazer compras em Paris significa pensar para além dos boulevards de alta-costura e das ruas lotadas. As coisas boas estão nos centros comerciais como o North Marais, onde você pode comprar marcas famosas ou independentes como Kitsune, Officine Générale, Sessun ou Papier Tigre; na rua Château d’Eau, no 10º arrondissement, é um lugar perfeito para acessórios de moda. E mais: o Atelier Couronnes, o Jamini e o La Trésorerie são ideais para para artigos de casa; no centro da cidade, o Les Halles é o lugar para produtos desenhados por parisienses e a L’Exception para novos designers franceses. Até lojas de departamento como a Galeries Lafayette e a Printemps estão na onda de diversificar suas ofertas. Na Printemps Hommes, a versão masculina da loja, você pode adquirir edições limitadas de designers do momento — de Jacquemus à Y/Project — que não estão disponíveis em mais nenhum lugar.

Se quiser um lugar mais à moda antiga, preste atenção nos primeiros centros comerciais de Paris, do século 19. Sob um teto curvado de ferro e vidro, você vai achar lojas raras: antigos vendedores de livros, galerias de arte, lojas de brinquedos peculiares e mais. A Galerie Vivienne, ao norte do Palais Royal, no segundo arrondissement, é a mais elegante das redondezas.

Bistrô em Paris Bistrô bom não precisa ser caro

Bistrô bom não precisa ser caro (Skitterphoto/Getty Images)

2. Não estoure seu orçamento em um jantar com estrela Michelin

O jantar parisiense tem ficado mais informal nos últimos anos, mas a refeição chique ainda é predominante — e muitas delas podem custar de R$1.500 a R$1.800. Muitos restaurantes com estrela Michelin, a exemplo do Le Clarence,  do Dame de Pic e do Sylvestre têm cardápio com preço razoável no almoço (abaixo de R$550).

Solução: coma nos descontraídos e modernos bistrôs

Recentemente, vários chefs estrelados pela Michelin abandonaram os limites rígidos dos restaurantes de alta cozinha para abrir bistrôs amigáveis, que servem refeições mais simples. No Le Comptoir du Relais, do pioneiro Yves Camdeborde, localizado no sexto arrondissement, as mesas são frequentemente reservada meses antes. Mas, uma vez que você estiver provando o famoso terrine de foie gras por uma cifra até barata se comparada a outros estrelados, vai entender porque é tão difícil descolar uma mesa. Se não conseguir reserva para um jantar, tente chegar 11h45 para o almoço (reservas não são aceitas, o esquema é chegou sentou). O também estrelado chef Jean-Francois Piège, está por trás de dois estabelecimentos com preços mais baixos: o Clover e o Clover Grill.

Museu do Louvre, Paris Sua majestade, o Louvre

Sua majestade, o Louvre (Mike Hewitt/Getty Images)

3. Não espere ver tudo no Louvre

É gigante, magnífico e não raro temos a tendência de querer ver tudo. É humanamente impossível conhecer o Louvre em uma única visita. Controle suas expectativas e faça um plano com antecedência. Ao invés de tentar alcançar o impossível, procure obras ou alas que você realmente quer conhecer e foque em passar um tempo lá, guardando o restante para visitas futuras.

Solução: divida seu tempo entre o Louvre e museus menores

Vários museus de Paris contêm obras de arte de mesma importância e beleza — e são muitas vezes mais agradáveis pelo fato de poucos estarem preocupados em fotografar tudo. Aproveite para ver os famosos murais Nymphéas, de Monet, no Musée de l’Orangerie, no outro extremo do Tuileries Gardens; o Musée Marmottan, casa que abriga a maior coleção de Monet do mundo; o Musée Rodin, localizado em uma vila iluminada com um adorável jardim, sem dúvida um dos lugares mais românticos de Paris. Não está no clima? Existem muitos museus que focam em assuntos mais frugais, incluindo moda, vinho e dinheiro. Uma vez que você descobre o prazer das galerias mais intimistas, vai ter dificuldade em se preocupar com o Louvre.

Street Style, Paris Street style (mas não force a barra)

Street style (mas não force a barra) (Timur Emek/Getty Images)

4. Não cometa uma gafe fashion

Se você não quer passar por turistonga, evite alguns erros básicos. Usar shorts e tênis não significa mais estar fora de moda (pense em marcas como Nike, Veja, Converse, Vans), mas os parisienses vão reparar em você se esses shorts forem muito largos ou tiverem bolsos no estilo cargo. Acima de tudo, evite usar pau-de-selfie; ele só vai causar ira nos moradores e atrair atenção indesejada de batedores de carteira e golpistas.

Solução: vista-se como um local

O estilo parisiense não é sobre se vestir perfeitamente. Na verdade, o francês é bastante informal nos dias de hoje — eles dominaram a arte do look clean e coordenado. Aqui vão algumas dicas: cores neutras são sempre uma aposta segura; use acessórios simples como echarpes, chapéus ou uma joia (apenas uma, não todas de uma vez). O efeito final deve ser “não fiz esforço nenhum para chegar a esse look”.

Táxi na Champs Elysees, Paris, France Só pegue em último caso

Só pegue em último caso (JARRY/TRIPELON/Getty Images)

5. Não pegue táxi

Andar de táxi pode te obrigar enfrentar o famoso tráfego parisiense e parar em uma rua estreita de mão única e ver o taxímetro rodando enquanto você fica preso no bando de atrás é definitivamente frustrante.

Solução: faça valer a palavra flâneur

Flâneur significa “andar devagar e relaxado”, mas na verdade sugere “andar pela cidade com o objetivo de experimentar” — uma palavra para se botar em prática na Cidade Luz. O centro de Paris tem aproximadamente 3 km, os mapas são onipresentes e as recompensas por andar a pé incluem vitrines com lojas do mundo todo, trocas de olhares nos cafés e você já aproveita para queimar aquele croissant extra. Quando tiver que andar longas distâncias, pegue o metrô. Qualquer lugar de Paris está a menos de 500 metros de uma estação: é mais barato que um táxi e sempre mais rápido. Não tem desculpa — a não ser que você tenha ficado na rua até mais tarde (o metrô fecha às 2h00 às sextas e sábados e 1h00 no resto da semana).

Como alternativa, você pode usar uma bicicleta Vélib’ que está em todas as esquinas, mas os visitantes devem prestar atenção: para usar o sistema é necessário um cartão de crédito com chip.

Canal Saint Martin em Paris, France O descolado canal Saint Martin

O descolado canal Saint Martin (Bruno DE HOGUES/Getty Images)

6. Evite bares da margem esquerda

Sartre e Beauvoir podem ter amado o Les Deux Magots no Boulevard St. Germain, mas hoje em dia o ponto de encontro dos intelectuais franceses têm a autenticidade da Times Square. Dificilmente você vai conseguir ouvir alguma conversa filosófica na mesa ao lado, mas pode cair na tentação de querer fazer um discurso sobre a imoralidade de se cobrar R$60 por uma torrada com manteiga e suco de laranja.

Solução: busque a Paris autêntica do Canal St. Martin

Os Bobo (abreviação de bourgeois bohemian) têm reivindicado a área ao redor do Canal St. Martin, que antigamente era uma parte abandonada do 10º arrondissement e agora está cheia de cafés e boutiques fashion, principalmente ao longo da rua Beaurepaire. Se aconchegue na varanda do Paname Brewing Company em cima do Bassin de la Villette: você terá uma vista da água e é um lugar muito recomendado para beber cervejas artesanais.

Turista na Torre Eiffel Pode pular, mas por favor, sem pau de selfie

Pode pular, mas por favor, sem pau de selfie (Pascal Le Segretain/Getty Images)

7. Não gaste horas na Torre Eiffel

Paris reforçou a segurança no entorno da Torre Eiffel por conta dos ataques terroristas que ocorreram na cidade. Considerando que antes qualquer um era autorizado a andar debaixo do monumento para olhar para cima ou tirar fotos, agora visitantes devem seguir em fila indiana o percurso definido pelos seguranças. Isso adiciona mais tempo à visita. Existe outro motivo para não subir ao topo da torre: não é a melhor vista da cidade.

Solução: vá em busca de filas menores

Se você quer uma vista incrível que inclui a Torre Eiffel, deve ir para o topo do Arco do Triunfo, da Torre Montparnasse ou comprar ingressos (que custam aproximadamente R$45) para subir a Tour Saint Jacques, que só fica aberta para visitantes de junho à setembro (cinco pessoas por vez ou um grupo com, no máximo, 17).

Prédio de apartamentos residenciais em Paris, França Dormir como um parisiense é o melhor investimento  

Dormir como um parisiense é o melhor investimento   (Thomas Trutschel/Getty Images)

8. Não reserve o hotel mais barato

Achar um hotel decente por um preço razoável em Paris pode levar até o viajante mais experiente ao desespero. Você pode até encontrar uma promoção incrível em uma rede de hotel, mas uma vez hospedado em um ambiente bege nos arrabaldes de Paris, que bem poderia estar em qualquer lugar do mundo, vai perceber que perdeu a chance de viver o charme que é dormir na região central da Cidade Luz.

Solução: alugue um apartamento mobiliado

Eles existem todos os gostos e bolsos. E você ficará maravilhado com o tanto que o seu dinheiro pode render, especialmente por não precisar fazer todas as refeições na rua. O mantra “localização, localização, localização” definitivamente se aplica aqui. Se estiver em dúvida, opte por um apartamento em um arrondissement de um dígito (1 a 9) e cheque se fica perto de alguma estação de metrô. Se o preço parecer bom demais para ser verdade, tente descobrir o que eles podem estar escondendo (as avaliações do Airbnb e VRBO escritas por outros hóspedes costumam entregar a verdade). Mas se quiser deixar a tarefa para experts, busque imobiliárias como Paris Perfect Guest Apartment Services e Haven In. Assim que você estiver na sua própria varanda, taça de vinho na mão, ouvindo o som da vizinhança entrar janela adentro, você vai se sentir definitivamente em Paris.

Croissant em Paris, França Entregue-se a vários, claro, mas deixe um espacinho para o doces

Entregue-se a vários, claro, mas deixe um espacinho para o doces (Vincent Isore/IP3/Getty Images)

9. Não se encha de croissants

Todos nós nos derretemos por aqueles pães crocantes e dourados, mas seria um grande erro deixar de provar os melhores doces de Paris que não são tão conhecidos nem tão acessíveis.

Solução: guarde um espaço para uma variedade de doces

Existem muito doces além dos croissants e dos macarons. Mate sua vontade na Fou de Patisserie; na Jacques Genin (não perca o pâtes de fruits); no Yann Couvreur, no 10º arrondissement; vá na Bontemps Patisseries para provar os sablés ou na Hugo & Victor para uma amostra completa dos chefs mais talentosos do país.

Verão em Paris, França A incontornável Place des Vosges

A incontornável Place des Vosges (michel Setboun/Getty Images)

10. Não acredite nos estereótipos

Sim, todos nós já ouvimos um monte sobre a lendária grosseria dos parisienses: o mau humor dos garçons, os vendedores que não ajudam em nada e que todo mundo é esnobe. É verdade que os parisienses são mais reservados que a maioria dos outros povos e menos propensos a sorrir toda vez que encontram alguém. Não existe uma cultura de melhores amigos instantâneos e o espontâneo: “Oi! Como posso te ajudar?”. Mas você não ajudará em nada assumindo que os moradores da cidade não gostam de você — e, em troca, sendo rude com eles.

Solução: esteja consciente dos seus modos

Tente entender (e imitar) os costumes locais e com certeza você será recompensado. Aprenda algumas palavras e frases em francês. Mesmo se for durante o voo de ida, com a ajuda de algum guia, e mesmo que a sua pronúncia não seja lá essas coisas, o fato de colocar algum esforço no ato de se comunicar ganha muitos pontos. Vendedores de boutiques cumprimentam visitantes e esperam ser cumprimentados de volta: um simples “bonjour” ao entrar em uma loja pode operar maravilhas. Note que franceses tendem a falar suavemente — suas vozes nunca são ouvidas pelas ruas, no metrô ou mesmo quando estão sentados na mesa ao lado. Mantenha o tom baixo e talvez você até ganhe um sorriso de volta.

Traduzido e adaptado da Condé Nast Traveler

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