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Guia de destino

Paris

Por Rachel Verano | out 2025

Não é exagero. Tudo o que dizem sobre Paris é verdade. Poucos lugares do planeta marcam um antes e um depois tão claramente na vida de quem a visita. Habitada por pouco mais de dois milhões de pessoas – sem contar a zona metropolitana –, a capital da França não foi presenteada com uma geografia que a diferenciasse especialmente por sua beleza natural, como o Rio de Janeiro, a Cidade do Cabo ou Veneza, por exemplo. Mas seu conjunto arquitetônico deslumbrante, o charme de suas ruas e avenidas e seus imponentes monumentos, aliados a séculos e séculos de história e um estilo de vida apaixonante, nos lembram a todo momento que estamos diante do melhor que o ser humano foi capaz de construir – e, melhor ainda, preservar.

Cortada pelo Sena ao longo de quase 13 quilômetros, sobre o qual ergueram-se nada menos do que 37 pontes (algumas com verdadeiro status de atração turística), a Cidade Luz se faz de camadas. Não existe uma só Paris, existem várias. A Paris das artes, a da alta costura, a da boemia, a da gastronomia, a da fotografia… Decifrá-la pode demandar dias, anos, uma vida inteira. Sempre com uma bela pausa para um café (ou vários).

Para se orientar, basta lembrar que a cidade está dividida em 20 arrondissements, que são zonas demarcadas em formato de espiral. Eles são numerados a partir do centro da cidade – o que significa dizer que, quanto mais baixo o número, mais perto de tudo aquela região será. Há, ainda, a divisão em relação às margens do Rio Sena: Rive Droite é a Margem Direita, onde estão o Arco do Triunfo, a Champs-Elysées, o Louvre; Rive Gauche é a Margem Esquerda, onde fica a Torre Eiffel e o Musée d’Orsay. Uma das cidades mais visitada do planeta, Paris está sempre cheia de novidades – e elas vão de novos centros culturais a lojas badaladas e hotéis inusitados (um deles flutua sobre o Sena!). Voltar é sempre um alento.

QUANDO IR

As estações do ano costumam ser bem demarcadas em Paris, o que significa dizer que no verão faz calor de verdade (podendo chegar na marca dos 30ºC), no outono as árvores ficam lindas avermelhadas, na primavera a cidade se enche de flores e no inverno faz frio. Frio mesmo, muitas vezes perto de zero (mas a cidade também fica linda, especialmente nos raros momentos em que neva).

Em relação às temperaturas, as estações ideais são a primavera e o outono, quando não há grandes extremos. Agosto é o mês oficial das férias na Europa e deve ser evitado, pois aqui elas são levadas a sério – muitos restaurantes e estabelecimentos em geral podem inclusive fechar as portas durante o mês inteiro (a cidade, ainda por cima, fica lotada).

O verão tem a programação perfeita para quem curte o clima de praia. As margens do Rio Sena, do Bassin de la Villette e do Canal Saint-Martin se transformam em um resort urbano a céu aberto com as Paris Plages, faixas de areia com palmeiras, espreguiçadeiras e atividades que compõem o cenário animado.

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ONDE FICAR

Capital do país que mais recebe turistas no mundo, Paris tem todo um universo de hospedagens – de simples bed & breakfast a suntuosos cinco-estrelas, passando por uma ampla variedade de hotéis de redes internacionais. Nesse quesito o destaque vai para o grupo Accor, que de cara sai em vantagem por ser francês e ter unidades espalhadas por toda a cidade, inclusive de suas redes budget como Ibis (as unidades Bastille Faubourg St-Antoine e Styles Paris République estão entre as melhores e mais concorridas).

A localização é, sem dúvida, determinante da experiência que se terá na cidade, embora haja sempre um metrô por perto conectando o resto da cidade em poucos minutos. No Marais, um dos bairros mais simpáticos e com bom custo-benefício, há o Beaumarchais, com quartos funcionais e toques coloridinhos no décor; e o (atenção para não confundir!) Caron de Beaumarchais, com ares de hotel-boutique e uma fachada azul que é um charme, em contraste com o papel de parede florido do interior. Estão ambos a poucos passos de galerias e lojas cheias de charme.

Não muito longe, o Hôtel Providence é um achado. Lindos papéis de parede, bonitas banheiras, mesinhas numa varanda… há vários elementos que contribuem para isso. São quartos cheios de bossa, cada um decorado de um jeito, e um terraço providencial para um aperitivo. A poucas quadras de distância, outra bela descoberta é o Hôtel Panache, na gostosa esquina das ruas du Faubourg Montmartre e Geoffroy Marie. Os ambientes esbanjam charme e peças de design de ares retro.

Quer ficar pertinho da Champs-Elysées numa novidade moderninha e badalada? Anote este nome: Perpetual Elysse Montaigne. Ambientes descolados, um pequeno jardim, biblioteca… e quartos de estilos diversos. Nos arredores do Louvre (são apenas 10 minutos de caminhada), o Hotel Bachaumont esbanja um irresistível charme art deco. Na mesma região do museu, mas a caminho da Place de la Concorde, o Hôtel La Tamise, bem em frente ao Jardin des Tuileries, está instalado num lindo edifício do século 19 e sua escada é um escândalo de linda.

Que tal um hotel flutuante sobre o Sena, com direito a uma piscina com infinite view para o rio, um bar badalado e quartos com janelas sobre as águas? Pelo menos uma experiência única – e um ponto de vista para lá de inusitado – é o que propõe o Off Paris Seine, uma hospedagem digna de post do Instagram! Design é a proposta do Mama Shelter, nos arredores do Père Lachaise, onde os quartos foram desenhados por Philippe Starck e, no restaurante, o superchef Guy Savoy assina algumas receitas perfeitas para dividir. Tem um rooftop badalado. Outra alternativa de proposta semelhante é o Generator Paris, um famoso hostel design que tem quartos privativos moderninhos e fun.

Embora um tema bastante controverso em Paris, alugar um apartamento é sempre uma boa (e econômica) opção para quem viaja em família ou com amigos. Uma boa alternativa nesse quesito é o Yooma Urban Lodge  – os quartos moderninhos acomodam até seis pessoas.

Mas se o que você procura é o luxo dos luxos, nesse quesito pode ser difícil escolher. Todos os tops da hotelaria mundial estão presentes na capital francesa com propostas tentadoras, spas espetaculares e restaurantes que são verdadeiras constelações. Para dificultar um pouquinho mais, muitos dividem a mesma vizinhança, como é o caso do Hôtel de Crillon, com suítes decoradas por ninguém menos que Karl Lagerfeld; do Ritz, que dispensa apresentações; do legendário Le Meurice e do Plaza Athenée com suas icônicas varandas de toldo vermelho floridas, todos nos arredores da Place de la Concorde.

A lista de hospedagens em Paris continua: veja uma seleção com mais 22 hotéis, entre novidades e achados.

Outra opção é se hospedar em um Airbnb, como esses apartamentos com vista para a Torre Eiffel.

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ONDE COMER

Em poucos lugares do mundo se come como em Paris, seja um crepe na rua, seja uma refeição tradicional em um bistrô ou um prato que mais parece obra de arte em um restaurante estrelado. Qualquer restaurantezinho tem potencial de deixar saudades e, por isso, a pedida é ser destemido e enfrentar desconhecidos. Deve-se evitar, apenas, os endereços pega-turista, muito perto de grandes atrações, onde os menus traduzidos para dezenas de idiomas já entregam de bandeja a (falta de) proposta, aliados muitas vezes a garçons que vêm te catar no meio (literalmente) da rua.

Alguns endereços são clássicos que valem a pena, entre eles o Bistrot Paul Bert, frequentemente apontado como um dos melhores e mais típicos da cidade. No menu, pratos como o saboroso leitão com maçãs e, de sobremesa, sopa quente de cerejas com sorvete de baunilha. Com uma sopa de cebola cuja fama já ultrapassou as fronteiras, o Au Pied de Cochon é outra boa aposta.

Em Montmartre, o Le Bistro de la Galette é especializado, como o próprio nome indica, em galettes, espécie de trouxinhas de massa folhada com os mais variados recheios, de frutos do mar a pato com ameixa. Com uma boa seleção de vinhos em taça e gostosos pratos de bistrô (peças as ostras no verão!), o Café de la Nouvelle Mairie (19 Rue des Fossés Saint-Jacques, 75005) é um segredinho bem guardado nos arredores do Jardin de Luxembourg.

Os crepes e galettes, aliás, são uma instituição local – e se forem feitos com farinha de trigo sarraceno à moda bretã, melhor ainda. Dois lugares incontornáveis para provar essas delícias são o Breizh Café e a Crêperie Pen-Ty. Um dos sabores mais tradicionais é o Complete: queijo emmental, presunto e um ovo frito para coroar. Para fechar com chave de ouro, peça uma cidra para acompanhar.

No quesito comidinhas famosas, que podem ser embaladas para viagem e se transformar em piqueniques mais que perfeitos, duas opções são incontornáveis: o falafel perfeito do L’As du Fallafel, sempre com filas na porta; e os sanduíches de trufa da Maison de la Truffe.

Em busca de uma memorável refeição gourmet? Paris é o lugar certo para isso – há mais de 150 estrelas Michelin espalhadas pela cidade, sendo nove casas com a cotação máxima de três estrelas. Reservas com bastante antecedência são fundamentais. Além de criações surpreendentes, alguns endereços oferecem experiências incríveis no pacote – como o Le Jules Verne, estrategicamente localizado na Torre Eiffel, no segundo andar, com lindas vistas da cidade.

Entre os endereços da moda, merecem destaque o badalado Pink Mama, uma trattoria de sotaque italiano que é puro charme; a brasserie La Belle Epoque, de ares tradicionais e comida bem gostosa a poucos passos da Avenue de l’Opera; e um point no Trocadero que escancara belas vistas da Torre Eiffel: o moderninho Girafe, famoso pelos pratos de ostra e caviar, mas dono de um menu que inclui ceviches, tartares, saladas e frutos do mar (prepare o bolso!).

Doces

Qualquer louco por doce que se preze é capaz de trocar uma refeição por uma das sublimes joias de açúcar à venda nas famosas docerias parisienses. Pierre Hermé é o nome definitivo para macarons, tortinhas finas que são uma verdadeira perdição e toda a sorte de viennoiserie (o nome que se dá à categoria de delícias folhadas que inclui os croissants e pains au chocolat, para citar os mais famosos).

A Ladurée figura na lista dos clássicos incontornáveis. Foi a marca que lançou os macarons para o mundo – e segue ainda hoje fazendo alguns dos melhores que há, ao lado de sobremesas ultra delicadas.

Ganaches, bombons e trufas de chocolates de várias texturas, aromas e temperos assinados por um dos maiores chefs do mundo estão à venda na Le Chocolat Alain Ducasse. Outra chocolateria apreciada é a Jean-Paul Hévin. E há quem diga que o melhor chocolate quente de Paris é servido no inverno na elegantérrima Chocolaterie Jacques Génin.

A Hugo et Victor parece, de fato, uma joalheria: as preciosidades moldadas em chocolate e caramelo ganham realce em paredes escuras e vitrines sofisticadas. Bonbonnières recheadas de balas coloridas, tartelettes, mini docinhos com carolinas de chocolate e baunilha e profiteroles (caramelizados!) fazem a festa na Sebastien Gaudard.

Por fim, no quesito sorvetes, há pelo menos dois nomes imperdíveis: Amorino, que serve icônicos glaces em forma de flor em várias unidades espalhadas pela cidade (os sabores de pistache e avelãs são imperdíveis); e Berthillon, a marca registrada da Ille Saint-Louis, o clássico dos clássicos.

O QUE FAZER

Paris é um convite à contemplação. Seja nas caminhadas por suas ruas cheias de história, nas longas tardes em museus extraordinários ou nos piqueniques sem pressa, cada experiência é uma forma de viver a cidade. Não faltam atrações emblemáticas, mas também há espaço para surpresas, e é essa mistura que faz Paris inesquecível.

Bairros especiais

Perambular é o verbo preferido de se conjugar em Paris. Logo, vale se dedicar com afinco aos pontos mais interessantes para gostosas andanças sem rumo. O Marais, na Margem Direita, é, sem dúvida, um deles. Antigo bairro da nobreza francesa, é hoje um dos mais vanguardistas da cidade, recheado de lojas de design, galerias, ateliês e cafés cheios de charme. Os bistrôs, as mesinhas nas calçadas e a vibe boêmia fazem do sobe-e-desce de Montmartre outra das regiões mais atraentes, assim como a Bastille, região que concentra ótimas feiras, restaurantezinhos gourmet e bares animados.

Do outro lado do rio fica o Quartier Latin, que tem esse nome devido ao fato de que, até a Revolução Francesa, no final do século 18, o latim era seu idioma oficial, graças à presença ali de uma das universidades mais famosas do mundo: a Sorbonne, fundada no século 13. Hoje a vibe local é jovem e também boêmia. Seu vizinho Saint-Germain-des-Pres, orientado ao redor da igreja de mesmo nome (do século 11!), de estilo românico, é das regiões mais elegantes da cidade.

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Grandes Monumentos

Ir a Paris e não ir à Torre Eiffel é como ir a Roma e… Erguida inicialmente como um monumento temporário para a Exposição Universal de 1889, a torre-símbolo da cidade tem 330 metros de altura e, lá do alto, descortina uma vista imbatível. Considerada a atração mais visitada do mundo, ela atrai quase 7 milhões de pessoas por ano. Para evitar as longas filas, vale comprar o ingresso pela internet com antecedência. Vale ter em mente, no entanto, que Paris é mais Paris com a torre no cenário – e que, uma vez dentro dela, isso não vai acontecer…

De toda forma, há inúmeros cantinhos especiais para fotografá-la, incluindo a Praça do Trocadero, durante um cruzeiro no Rio Sena ou do alto do Arco do Triunfo.

Tão famoso quanto a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo foi erguido em 1836 para comemorar a vitória de napoleão Bonaparte na Batalha de Austerlitz. Estrategicamente localizado na Étoile, rotatória de onde partem 12 avenidas (sendo uma delas a Champs-Élysées), ele tem um mirante no topo, esteja preparado para subir 284 degraus!

Outro grande postal parisiense, a Opera, ou Palais Garnier, com seu interior rebuscado em tons de vermelho e dourado, revela toda a opulência da segunda metade do século 19, quando foi construída. É possível fazer um tour por seus bastidores, mas a melhor maneira de conhecê-la é assistindo um espetáculo.

Museus Incontornáveis

Muito se fala da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, da Vênus de Milo e da Vitória de Samotrácia, mas o Musée du Louvre, maior museu do mundo, é, claro, muito mais que suas obras-primas mais famosas – há cerca de 35 mil peças em exposição (o acervo egípcio é espetacular). Vale programar bem a visita com antecedência, ter sempre o mapa do museu em mãos e escolher o que mais interessa no acervo para otimizar o tempo.

Instalado numa antiga e linda estação de trens da Belle Époque, o Musée d’Orsay tem como destaque telas de Monet, Van Gogh e Cézanne, entre outros grandes nomes impressionistas e pós-impressionistas.

O Centre Pompidou tem um ótimo acervo de arte moderna embalado por um edifício ousado projetado pelos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers, de ares industriais com tubulações aparentes. Do lado de fora, a Fonte Stravinsky tem esculturas de Niki de Saint Phale. Do lado de dentro, quase mil obras de artistas como Picasso, Calder e Francis Bacon estão em exposição. (Atenção: O Pompidou fechou para reformas em outubro de 2025 e só deve reabrir em 2030).

Dono do mais completo acervo de obras do mestre dos mestres das esculturas Auguste Rodin (ou relacionados ao gênio de alguma forma), o Musée Rodin exibe esculturas de diversos materiais – de cera a bronze –, além de pinturas, rascunhos e fotografias. Estão lá O Pensador, As Portas do Inferno e O Beijo. Já o Musée National Picasso renova constantemente as peças em exposição, partindo de um acervo de cerca de 5 mil obras do mestre espanhol. Está instalado no belíssimo Hôtel Salé, do século 17.

A Fondation Cartier pour l’Art Contemporain é um dos principais espaços dedicados à arte contemporânea em Paris. A fundação deixou sua sede no Boulevard Raspail para se instalar em um elegante edifício histórico na Place du Palais-Royal, a poucos passos do Louvre.

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Outros museus e centros culturais

Difícil encontrar um lugar onde se possa compreender melhor a história parisiense do que no Musée Carnavalet, o mais antigo entre os municipais (fundado em 1880). Em um impecável par de casarões do século 16, guardam-se centenas de milhares de obras de arte, móveis, documentos e outras relíquias, incluindo descobrimentos arqueológicos do ano 4.600 a.C..

Já os fãs de Monet simplesmente não podem perder as gigantescas panorâmicas das séries das Ninféias no Musée de l’Orangerie, em pleno Jardin des Tuileries. A arte produzida em todos os outros continentes que não a Europa é a prioridade no espetacular Musée du Quai Branly, que tem peças, entre máscaras, instrumentos musicais, roupas e outros artefatos.

Apenas a arquitetura do Palais de Tokyo, com traços ousados e uma combinação incrível de concreto e ferro, já justificaria a visita – sem contar as exposições, sempre uma aula de vanguarda, e a ótima livraria, com acervo focado em arte e design.

O mergulho na cultura árabe já começa nas linhas do edifício do Institut du Monde Arabe, inspiradas nas tradicionais janelas de treliça do Oriente Médio – um projeto fascinante do superarquiteto Jean Nouvel. O museu narra a história do universo árabe e costuma haver exposições temporárias interessantes.

O Grand Palais retornou às atividades em junho de 2025, após quatro anos fechado. Localizado do outro lado da rua do Petit Palais, o palácio foi construído para receber a Exposição Universal em 1900 e é conhecido por sediar eventos, como desfiles de moda, exposições artísticas e eventos esportivos.

Paris também tem duas atrações curiosíssimas. A primeira é o L’Atelier des Lumières, inaugurado em 2018, ele é o primeiro centro inteiramente dedicado às artes digitais na cidade. Em 2019, foi a vez do Fluctuart, um centro de arte urbana que simplesmente flutua no Sena. São três andares e mil metros quadrados de pura modernidade no Quai d’Orsay.

Igrejas, catedrais e cemitérios

Um dos maiores cartões-postais de Paris é a Notre Dame, na Île de la Cité. Ela foi erguida entre os séculos 12 e 14, e após o incêndio de 2019, passou por uma longa reconstrução para ser reaberta em 2024. Para visitar, é preciso fazer reserva no site oficial.

A poucos metros de distância, na mesma ilha, a Sainte-Chapelle, do século 13, é considerada um dos monumentos góticos mais impressionantes de Paris – repare nos impressionantes vitrais. Ela foi encomendada pelo rei Luis XIV para abrigar suas preciosidades religiosas.

No topo da colina de Montmartre, a Basilique du Sacré-Coeur, que começou a ser construída em 1875, descortina uma das vistas mais famosas de Paris. Não sem razão, sua escadaria (com mais de 200 degraus!) está sempre cheia de gente – funciona como um camarote para o cenário.

Em Paris, até os cemitérios podem ser atrações turísticas. Considerado o mais visitado do mundo, o Père Lachaise é um oásis inaugurado em 1804 na região de Belleville. Mas o que leva multidões até lá são seus “moradores” mais ilustres, caso de Jim Morrison, Édith Piaf, Chopin, Balzac, Proust… Outro famoso é o Cimetière du Montparnasse, que abriga as tumbas de Serge Gainsbourg e Samuel Beckett, por exemplo.

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Jardins e praças icônicos

Nada mais a cara de Paris do que fazer um piquenique, ler um livro ou simplesmente ver a vida passar sem pressa num parque. Belo oásis no meio da cidade, com nada menos do que 230 mil metros quadrados na região do Quartier Latin, o Jardin du Luxembourg está intimamente ligado à história da realeza francesa desde o século 17. É, provavelmente, o mais bonito e imperdível da cidade, recheado de gramados gostosos, lagos e construções imponentes.

Estrategicamente localizado entre o Louvre e a Place de la Concorde, de onde parte a Champs-Elysées, o Jardin des Tuileries foi projetado pelo mais requisitado paisagista barroco do século 17, André Le Nôtre (o mesmo que assinou os lindos jardins de Versailles). Repare nas fontes e canteiros simétricos.

Já aos pés da Torre Eiffel, o imenso gramado dos Jardins du Trocadéro são providenciais para uma pausa antes ou depois de visitar o monumento. Quem viaja com crianças vai encontrar um carrossel que faz sucesso com os pequenos ali pertinho, além de sombras gostosas.

Outra boa opção para famílias é o Jardin des Plantes, construído na primeira metade do século 17 como um jardim de plantas medicinais às margens do Sena. Além de ser uma gostosa área verde, abriga atrações de peso para o público infantil, caso do Muséum National d’Histoire Naturelle (não perca a Galeria da Evolução!) e do zoológico.

Entre as praças mais famosas da cidade, destaque para a linda Place des Vosges, um exemplo de simetria e desenhos geométricos, e, embora não seja uma área verde, a elegante Place Vendôme, endereço de grandes grifes, coroada por uma coluna de inspiração romana encomendada por Napoleão.

Rio Sena

O Sena é a principal “avenida” de Paris, e um passeio de barco é dos melhores city tours que se pode fazer. Em cerca de uma hora, é possível ver de perto alguns dos principais highlights da cidade de um ponto de vista completamente diferente – o Louvre, o Hôtel de Ville, o Musée d’Orsay, a Place de La Concorde e o seu famoso obelisco vindo do Egito no século 19… os cartões-postais vão desfilando um a um na sua frente.

Diferentes empresas operam os passeios, com pontos de partida ao longo do rio. Há, geralmente, duas modalidades: os passeios tradicionais e os que incluem refeições. A Vedettes du Pont Neuf tem saídas aos pés da ponte que lhe empresta o nome. Há também opções que partem da Ponte Alexandre III incluindo almoço. Outra opção é a Bateaux Mouches, que tem saídas perto da Ponte d’Alma. É possível optar só pelo passeio ou pelo tour com almoço ou jantar.

Lojas de departamento

Mais do que grandes templos do consumo, as lojas de departamento francesas são instituições incontornáveis. Uma das mais antigas, a Le Bon Marché abriu as portas em 1852. Hoje parte do portfólio do grupo LVMH, é um dos endereços mais exclusivos da cidade – suas escadas rolantes, que se cruzam formando X, são um charme.

A Printemps abriu as portas em 1865 e ocupa o número 64 do elegante Boulevard Haussmann com preciosidades que vão de roupas e sapatos a artigos de decoração para a casa. Na mesma avenida fica outro ícone: as Galleries Lafayette, inauguradas em 1895 com sua emblemática cúpula de vidro. Em março de 2019, foi inaugurada uma unidade em plena Champs-Elysées que causou furor no mundo da moda parisiense.

Arredores de Paris

Parques Disney

São dois os parques Disney a pouco mais de 30 quilômetros de distância de Paris, em Marne-la-Vallée Disneyland e Walt Disney Studios. É possível chegar lá de RER, os trens metropolitanos. A linha A, em direção a Marne-La-Vallée/Chessy, parte das estações Châtelet-Les-Halles, Gare de Lyon e Nation, todas comunicadas com a rede de metrô. De carro, o acesso é pela A-4, chamada de Autoroute de L’Est, saída 14. Outra alternativa é embarcar nos ônibus das agências de turismo locais ou em carros e vans particulares operados por empresas de transporte.

Giverny e a casa de Monet

A 75 quilômetros de distância, Giverny guarda um dos melhores segredos dos arredores da capital francesa. Lá está a casa onde viveu, de 1883 a 1926, Monet, o mais célebre representante do Impressionismo, movimento que revolucionou a pintura moderna. A Fondation Claude Monet abriga os espetaculares e intactos jardins tão obcecadamente retratados pelo mestre das leves pinceladas e dos contrastes entre luz e cor. Você também verá por lá o cenário da famosa série Nymphéas, 19 painéis nos quais Monet trabalhou entre os anos de 1900 a 1926 e que hoje estão em exposição no Musée de l´Orangerie. Monet permaneceu na cidadezinha até o fim de sua vida, em 1926. Agências como a City Vision promovem passeios guiados, mas é fácílimo (e mais barato) chegar lá por conta própria. A partir da estação Saint-Lazare de Paris partem trens da SNCF para a cidade de Vernon (cerca de 45 minutos). Uma vez em Vernon, um ônibus que parte da frente da estação (em horários conjugados com o trem) faz o transfer até Giverny, a menos de 10 quilômetros de distância.

Palácio de Versailles

A ideia, aqui, é viajar diretamente ao século dos exageros retumbantes e do requinte extremo do rei Luís XIV e da rainha Maria Antonieta. No auge de sua megalomania, foram instalados ali nada menos que seis mil membros da corte – não sem razão foram construídos 700 quartos no palácio. Tão impressionantes quanto o décor do palácio são os seus jardins, projetados por André Le Nôtre. O Château de Versailles fica a cerca de 20 quilômetros de Paris. Uma das maneiras mais fáceis de chegar até lá é através da linha de trens regionais RER C, um percurso feito em cerca de meia hora. A estação mais próxima do Palácio (apenas 10 minutos de caminhada) é a Château Rive Gauche.

Passes turísticos

Sejamos realistas: as principais atrações de Paris são caras. Isso faz com que o Paris Museum Pass possa ser vantajoso para quem pretende visitar muitos desses lugares. Ele pode ter duração de dois (€ 70), quatro (€ 90) ou seis dias (€ 110), sempre consecutivos. Mais de 50 museus e monumentos são cobertos pelo passe, incluindo todos os principais (mas atenção, a Torre Eiffel não faz parte!). Uma conta simples de se fazer para saber se vale a pena é: vai visitar mais de três grandes atrações por dia? Vale. Não sabe ou vai ficar mais relax? Melhor comprar as entradas avulsas. Antes de começar a usar o passe vale se certificar de que os museus estarão abertos naqueles dias (é comum eles fecharem às segundas ou terças-feiras, por exemplo).

Como chegar

Paris tem três aeroportos. A grande maioria dos voos diretos, vindos do Brasil, pousam no principal deles, o Aeroporto Charles de Gaulle. A Air France opera desde os aeroportos do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Fortaleza; e a LATAM desde São Paulo.

Para ir do aeroporto ao centro, a maneira mais cômoda é de táxi: o serviço tem preços tabelados. É também possível usar outros meios de transporte. O ônibus Roissybus, por exemplo, para perto da Ópera Garnier. Quem preferir pode, ainda, ir de trem. A linha regional RER B vai até o centro, conectando com diferentes estações de metrô.

Orly é o aeroporto mais próximo do centro da cidade, a cerca de 20 quilômetros. Além do táxi, é possível ir de trem: a viagem é feita em conjunto com o OrlyVal, um trem moderninho, conectado ao RER B, que chega até as estações centrais ligadas ao metrô.

Quem vem de outras cidades da Europa, especialmente voando low-cost, pode, ainda, desembarcar em Beauvais, o mais distante dos três aeroportos que servem a capital francesa (a 90 quilômetros de distância). A viagem de táxi não é tabelada, e pode sair salgada. O trajeto demora entre uma hora e uma hora e meia. Mais econômico e o mais comum, o bilhete do Aérobus pode ser comprado na hora.

Como circular

É caminhando que os maiores encantos de Paris são descobertos. Para cobrir distâncias maiores, há táxis e transportes alternativos como o Uber, mas o metrô é a melhor maneira. Inaugurado no ano 1900, é um dos mais antigos do mundo, e passa por mais de 300 estações. Há, ao todo, 16 linhas, sendo 14 principais e duas suplementares (3bis e 7bis). Isso significa que há sempre uma parada por perto.

Em 2025, entrou em vigor um novo sistema tarifário que simplificou bastante a vida de quem usa o transporte público na cidade. Agora, há uma tarifa única de € 2,50, válida por duas horas em toda a rede de metrôs e trens dentro de Paris. Os ônibus e trams (bondes) seguem com uma tarifa fixa de € 2. Para quem precisa ir até os aeroportos de Orly ou Charles de Gaulle, a passagem custa € 13 – valor também padronizado.

Outra mudança importante está relacionada à transição para bilhetes digitais. Os antigos tickets de papel (chamados t+) começaram a ser substituídos por cartões magnéticos recarregáveis, como o Navigo Easy. Ele custa € 2 e pode ser adquirido em estações ou nas bilheterias oficiais. Os turistas também podem adquirir os passes pelo aplicativo Bonjour RATP.

Quem vai usar o transporte público por vários dias pode optar por algumas modalidades de passes que valem para turistas. O Navigo Mois e o Semaine são os mais econômicos e vantajosos, pois são de uso ilimitado em todos os meios de transporte e tem a opção de valer nas cinco zonas. O problema é que ele vale apenas por uma semana (semaine) ou um mês (mois), o que tem um efeito limitador. Esse é um cartão nominal, que precisa de uma fotografia 3X4 para ser emitido (nas estações).

Um passe similar, mas que inclui os transportes públicos até os aeroportos, é o Paris Visite. Ele é mais caro e pode ser comprado para períodos de um a cinco dias. Por fim, o Navigo Jour, é o passe diário, vendido apenas na modalidade que inclui as cinco zonas.

Os canais de comunicação para os turistas passaram a ser 100% digitais em 2024. Os visitantes podem entrar em contato com o serviço de atenção ao turista via WhatsApp, por telefone no número +33 (0) 1 49 52 42 81 ou por e-mail, no endereço concierge@parisjetaime.com. Os serviços de mensagem e telefone estarão disponíveis de segunda a sexta-feira, com exceção de alguns feriados, entre 10h e 17h. Para informações práticas, como guias da cidade e serviços de reserva, os turistas deverão baixar o aplicativo MyParisjetaime.

Documentos

Quem viaja para a Europa a turismo pode ficar até 90 dias sem necessidade de visto e precisa ter o passaporte válido por pelo menos seis meses. No entanto, o ETIAS, um sistema eletrônico de autorização de viagem, está em fase de implantação e será obrigatório em países como a França e os demais do Espaço Schengen. Saiba mais sobre o documento, com previsão de lançamento em 2026.

O grupo de países que integram o Espaço Schengen, exige, ainda, um seguro de viagem com cobertura de pelo menos € 30.000.

 

Dinheiro

A moeda da França é o euro. Evite levar dólares ou outras moedas, pois as casas de câmbio já não são muito comuns (e costumam cobrar taxas salgadas). É possível sacar dinheiro da conta corrente no Brasil em moeda local nos caixas automáticos, por uma pequena taxa – apenas certifique-se de que o seu cartão está habilitado para a função.

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