Azul faz primeiro voo com combustível sustentável

Segundo a empresa, o bioquerosene AMJ 700 pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 82%

Na manhã desta terça-feira (19) a Azul Linhas Aéreas fez o seu primeiro voo experimental com biocombustível feito à base de cana-de-açúcar. O trajeto escolhido foi o do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, ao Antônio Carlos Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro.

Batizado de AMJ 700, o bioquerosene foi elaborado após uma parceria entre a companhia aérea, a Amyris, a GE e a Embraer, denominada Azul+Verde. Com mais de R$ 500 milhões investidos desde o início do projeto, em 2009, a ação pretende diminuir até 82% das emissões de dióxido de carbono em comparação ao querosene de origem fóssil, afirma um estudo realizado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).

“Mesmo com o grande investimento aplicado, neste primeiro momento, a nossa prioridade é consolidar uma nova opção sustentável para a aviação brasileira e mundial. Com este bioquerosene, a pegada de poluentes causada pelas aeronaves vai diminuir consideravelmente”, disse o presidente da Amyris, Paulo Diniz.  

Composto de 50% de querosene tradicional e 50% sustentável, o combustível utiliza microorganismos modificados para converter o açúcar em hidrocarbonetos, produzindo a forma final do “etanol” de aviões. “O combustível poderia voar com 100% bioquerosene, mas perderia desempenho, como um carro a álcool, que não tem a mesma eficiência da gasolina, precisando de mais combustível para fazer a mesma distância”, disse Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da Azul.

A utilização comercial do produto deve ser feita em três anos, porém depende da aprovação da American Society for testing and materials (ASTM). A produção do AMJ 700 para as primeiras decolagens já começou, em usinas nos Estado Unidos e Espanha.

No Brasil, a primeira unidade de fabricação do bioquerosene deverá estar pronta em setembro deste ano, entrando em operação no último trimestre de 2012. Localizado na cidade de Brotas, interior paulista, o local servirá como base para a futura comercialização do combustível. “Assim que começar a ser produzido em escala comercial, o combustível não ficará restrito a Azul, sendo vendido também para outras empresas do setor aéreo”, disse Gianfranco Beting, diretor de comunicação e Marketing da Azul.

Com a mudança para este novo combustível, as aeronaves não precisarão se adaptar. Segundo o diretor de desenvolvimento tecnológico da Embraer, Jorge Ramos, durante o processo de preparo, o AMJ 700 se torna bastante semelhante ao querosene de aviões comum, porém, o índice de dióxido de carbono liberado é bem menor. 

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