Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Nazaré, em Portugal: ondas mais altas que um prédio de 10 andares

Um pequeno guia sobre Nazaré, cidadezinha a uma hora e meia de Lisboa que tem o recorde da maior onda já surfada do planeta

Por Rachel Verano Atualizado em 7 out 2019, 14h23 - Publicado em 26 set 2017, 19h28
A Praia da Nazaré, no centrinho da cidade: peredões e ondas (mas não aqueeeelas ondas)
A Praia da Nazaré, no centrinho da cidade: as ondas gigantes quebram do outro lado desta falésia Bruno Barata/Reprodução

Não faz muitos anos que o mundo conheceu a fúria da natureza num cantinho do litoral português cerca de uma hora e meia ao norte de Lisboa. O responsável pela grande fama de Nazaré e suas ondas gigantes foi o surfista havaiano Garrett McNamara, um apaixonado pela região, que já disse que ela é a mais bonita do mundo – junto com o Havaí, claro.

A Praia do Norte vista do alto, a um mês da temporada das ondas gigantes começar
A Praia do Norte vista do alto, a um mês da temporada das ondas gigantes começar Bruno Barata/Reprodução

Desde então, o mundo aguarda ansiosamente, ano após ano, pelo mês de outubro, quando o frio e o vento entram com tudo e formam ondas impressionantes e arrebatadoras de mais de 30 metros de altura na Praia do Norte. Detalhe: pertinho da areia. O fenômeno se repete até o final do inverno e é possível assistir a tudo de camarote.

Calmaria antes da tormenta: um tranquilo dia de primavera na praia do centro
Calmaria antes da tormenta: um tranquilo dia do fim do verão na praia do centro Bruno Barata/Reprodução

Nessa época, os maiores nomes do surf mundial de ondas gigantes batem ponto nesta vilinha de casas brancas e pouco mais de 15 mil habitantes, cheia de peculiaridades. Deu vontade de ir conferir? Aqui vão 10 coisas que você precisa saber sobre a Nazaré:

  1.  O fenômeno das ondas gigantes encontra explicação na geografia local. O chamado canhão da Nazaré é um cânion submarino enorme com mais de 170 quilômetros de extensão e 5 mil metros de profundidade. Quando chega perto da costa, já bem mais raso, ele propaga a água do mar formando verdadeiras paredes. Carlos Burle, Maya Gabeira (quem não se lembra do acidente gravíssimo que ela sofreu aqui?), Lucas Chumbinho, Jamie Mitchel, Tom Lowe, entre outros, são habitués.

    Gaivota fofa no Forte de São Miguel Arcanjo exibe todo o esplendor da onda gigante na barriga
    Gaivota fofa no Forte de São Miguel Arcanjo exibe todo o esplendor da onda gigante na barriga Bruno Barata/Reprodução
  2.  O melhor ponto para assistir as ondas – e os surfistas mais poderosos do mundo a desafiá-las – é o alto do morro que dá acesso à Praia do Norte, onde fica o famoso Forte de São Miguel Arcanjo, que remonta ao século 16, presente em 9 de cada 10 fotos das ondas gigantes.

    Farol no Forte de São Miguel Arcanjo: o lugar perfeito para ver as ondas gigantes a partir de outubro
    Farol no Forte de São Miguel Arcanjo: o lugar perfeito para ver as ondas gigantes a partir de outubro Bruno Barata/Reprodução
  3. Dentro do forte, coroado por um lindo farol, funciona uma espécie de museu do surf, com pranchas e jet-skis das maiores lendas que já surfaram por lá.

    Vista da praia do centro a partir do farol
    Vista da praia do centro a partir do Sítio da Nazaré Bruno Barata/Reprodução
  4.  As barraquinhas de praia da região são uma aula de antropologia: elas são fechadas como casinhas e não ficam viradas para o mar, mas uma para as outras, desenhando “ruas” na areia. (Em tempo: elas ficam na praia principal da cidade, frequentada por banhistas, não na praia das ondas gigantes.)
    As curiosas "avenidas" de barraquinhas de praia
    As curiosas “avenidas” de barraquinhas de praia… Bruno Barata/Reprodução

    ... e a vida mais curiosa ainda à porta delas
    … e a vida mais curiosa ainda à porta delas Bruno Barata/Reprodução
  5.  As nazarenas, como são chamadas as senhoras de Nazaré, se vestem de maneira super curiosa: geralmente de negro, normalmente de lenço na cabeça e com saias rodadíssimas – mais precisamente sete saias, segundo reza a lenda. Elas ganham a vida vendendo outra curiosidade master que já virou atração turística: os famosos peixes secos de Nazaré.
    Uma autêntica nazarena: sete saias, roupas negras e humor peculiar
    Uma autêntica nazarena: sete saias, roupas quase sempre negras e humor peculiar Bruno Barata/Reprodução

    Os peixes secando ao sol: cartão-postal
    Os peixes secando ao sol: cartão-postal Bruno Barata/Reprodução
  6.  Os peixes secos ao natural, que ficam expostos ao sol na praia, são um verdadeiro cartão-postal local. Prepare-se: o mau humor das vendedoras é parte do programa. 

    Peixe e frutos do mar da Taberna d'Adélia: no ponto
    Peixe e frutos do mar da Taberna d’Adélia: no ponto Bruno Barata/Reprodução
  7.  Um dos melhores restaurantes da cidade é a Taberna d’Adélia, no centro. A espetada de peixe, lula e camarão na brasa é imperdível, assim como as sobremesas caseiras que aterrisam em uma bandeja para você escolher na própria mesa.

    Detalhe do calçadão da Praia de Nazaré, no centro
    Detalhe do calçadão da Praia de Nazaré, no centro Bruno Barata/Reprodução
  8.  O calçadão da praia do centro tem um lindo mosaico de pedras portuguesas. Alô, Copacabana!  Ali, duas barraquinhas são imperdíveis: a que vende ginja em copos de chocolate e a que vende as famosas bolas de Berlim, com os mais variados recheios (esqueça a vida saudável água de coco-açaí dos nossos trópicos).

    Vendedor de frutos secos no Sítio da Nazaré: belo visual
    Vendedor de frutos secos no Sítio da Nazaré: belo visual Bruno Barata/Reprodução
  9.   A parte alta da cidade, conhecida como Sítio da Nazaré, tem uma linda igreja, vendedores ambulantes que vendem famosos frutos secos e lindas vistas das praias lá embaixo.

    Patatas bravas a la Sergi Arola no 8 ó 80: quilômetros de distância da original, mas vale a intenção...
    Patatas bravas a la Sergi Arola no 8 ó 80: quilômetros de distância da original, mas vale a intenção… Bruno Barata/Reprodução
  10. Um programa imperdível à noite é explorar o menu da Taverna do 8 ó 80, um wine bar que tem uma boa seleção de vinhos em taça e tapas deliciosas que incluem até uma versão local das famosas patatas bravas do chef espanhol Sergi Arola.

No próximo post eu vou falar sobre onde ficar na cidade. E já fica a promessa de um fotolog assim que começarem as ondas gigantes.

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