Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Alentejo interior: a fascinante (e imperdível) roça de Portugal

Um breve manual de como explorar uma das mais fascinantes regiões do país

Por Rachel Verano Atualizado em 22 abr 2022, 10h26 - Publicado em 21 abr 2022, 20h29
Duas torres, uma escadinha e uma porta nas muralhas do castelo medieval de Arraiolos, em um dia de céu azul
O castelo de Arraiolos, do início do século 14. Crédito: Rachel Verano/Arquivo pessoal

Um mar de vinhedos que sobe e desce colinas suavemente. Um sem fim de sobreiros, a destemida árvore da cortiça, que chega a viver mais de 200 anos. Aqui e ali, imensos rebanhos de preguiçosas ovelhas, castelos medievais, vilas branquinhas paradas no tempo. Grandiosos monumentos megalíticos, templos romanos, legados medievais tombados como patrimônio da humanidade pela UNESCO. Até praia tem, mas aqui vamos nos concentrar na porção interior. Maior região de Portugal, as terras que se estendem para “além do Tejo” (daí o nome!) cobrem 30% do país, uma área equivalente ao estado de Alagoas ou à Bélgica, com apenas cerca de 700 mil habitantes.

Colina forrada de grama verde com várias oliveiras, algumas ovelhas, e, no alto, uma casa antiga de paredes brancas
Colinas, oliveiras, ovelhas: o Alentejo em seu melhor. Crédito: Rachel Verano/Arquivo pessoal

Estrategicamente localizado entre o Rio Tejo (que nasce na Espanha e deságua no Atlântico às portas de Lisboa), a norte, e o Algarve, a sul, o Alentejo é sinônimo de vinho – suas oito regiões demarcadas somam mais de 250 produtores e 22 mil hectares de vinhedos que dão origem a alguns dos rótulos mais famosos de Portugal. Outra de suas marcas registradas é o azeite – boa parte da safra que coloca o país entre os quatro maiores produtores da Europa é colhida nestas terras. E também fica aqui o maior olival do mundo, um universo de 10 mil hectares.

Vinhedos com as folhas em tons de laranja e amarelo, no outono português
Vinhedos nos arredores de Évora no outono. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Se já era destino incontornável desde que o país entrou no mapa do turismo mundial, décadas atrás, nos últimos tempos o campo português ganhou uma série de novidades e ficou ainda mais irresistível. Hotéis design com arquitetura assinada por grandes nomes de todo o mundo, vinícolas boutique, galerias de arte e bons museus chegaram para fazer companhia à rusticidade cheia de charme que sempre existiu, ainda num ritmo low profile. Uma viagem pelo Alentejo pode durar dias, semanas, a vida inteira. Mas deve, sobretudo, ser pautada mais pelos sabores e devaneios do que pelos ponteiros do relógio.

Grande praça calçada de paralelepípedos com uma fonte no centro, cercada de palacetes de dois e três andares e paredes brancas, com pessoas passeando
A Praça do Giraldo, no centro histórico de Évora: patrimônio da humanidade. Crédito: Rachel Verano/Arquivo pessoal

Devagar se vai ao longe

A melhor maneira de se locomover pelo Alentejo é de carro. Até é possível chegar de comboio (trem), mas apenas nas cidades principais, como Évora, a capital, ou Beja. E os autocarros (ônibus) acabam limitando os destinos e o tempo, pois o melhor da região é desbravar vilas minúsculas, vinícolas só acessíveis por estradas de terra, vias secundárias. Évora está a cerca de 130 quilômetros de Lisboa (com acesso pelas autoestradas A2 e A6) e cerca de 230 quilômetros de Faro (via A2 e IP2), os aeroportos mais próximos.

Corredor ladeado de azulejos em azul e branco com um portal e um lance de escadas de mármore, e uma pessoa ao centro
O incrível Museu Berardo, em Estremoz: 800 anos de história do azulejo. Crédito: Rachel Verano/Arquivo pessoal
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Escapadas

Escolha uma base e se prepare para fazer pequenas viagens de um dia para explorar a região. Caso os deslocamentos durem mais de uma hora, considere alguns pontos estratégicos de hospedagem. Évora, Arraiolos, Estremoz, Monsaraz, Marvão e Vila Viçosa estão entre as cidadezinhas incontornáveis. Tente não preencher demais os dias. O melhor do Alentejo é a falta de pressa, as caminhadas pelo campo, os passeios de bicicleta, as degustações de vinho, o fazer nada à beira da piscina, o livro na espreguiçadeira.

Ruínas de um templo de origem romana, com colunas verticais em pedra
O Templo de Diana, em Évora: de origem romana, erguido no século 1. Crédito: Rachel Verano/Arquivo pessoal

Não vá embora sem provar…

Sopa de cação, açorda (uma espécie de sopa à base de pão), a famosa carne de porco à alentejana (servida, curiosamente, com amêijoas). O presunto cru português (aqui chamado apenas presunto, já que o presunto cozido se chama fiambre), que não faz feio se comparado ao melhor jamón espanhol (os porcos são os mesmos!). Doces conventuais – especialmente a sericaia, à base de ovos e muita canela, coroada pelas deliciosas ameixas confitadas de Elvas, donas do selo de denominação de origem controlada da União Europeia. Para acompanhar, azeite e, claro, vinhos e mais vinhos!

A partir de hoje publico uma série de posts sobre o Alentejo. Vai ter muito vinho, olivais, refeições divinas (sem nenhuma pressa), paisagens inesquecíveis. Aqui você já tem um gostinho de um guia que eu mesma fiz tempos atrás, mas prepare-se para muito mais!

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