Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Filipinas off the beaten track: slow travel é fundamental

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h44 - Publicado em 2 jan 2013, 00h11

Antes de mais nada: feliz ano novo, queridos leitores! Escrevo da ilha de Siargao, o paraíso remoto que escolhi para passar a virada, aonde cheguei após uma odisseia épica. No longo caminho até aqui, pensei sobre as pessoas que planejam viagens pelas rotas alternativas das Filipinas com datas pré estabelecidas — e no quão difícil pode ser cumprir os planos iniciais.

Nas Filipinas, tudo vale a pena quando as férias não são pequenas. Isso porque chegar nem sempre é fácil. Minha ideia era deixar a ilha de Bantayan, no centro do país, no dia 25 de dezembro. Se tudo desse certo, chegaria em Siargao (ao sul) no dia seguinte. Mas não deu.

No dia 25 os barcos não saíram porque era Natal. Na madrugada seguinte, uma tempestade tropical (ou um tufão leve, se você preferir) varreu o país e fechou todos os portos por mais 24 horas. Me senti privilegiada: não tinha voos marcados, nem férias curtas (ao contrário de muita gente que também estava literalmente ilhada em Bantayan). Uma finlandesa que conheci por lá não apenas tinha tudo isso como também estava doente, precisando chegar a um hospital razoável. Pensei também nos meus cunhados, Ju e Tita, que estiveram a ponto de despencar diretamente da Austrália só para passar uma semana com a gente.

No dia 27, enfim, conseguimos pegar um barco até a terra firme. De lá, três horas de ônibus nos levariam até Cebu City, onde supostamente embarcaríamos num ferry rumo a Surigao (o vilarejo de onde saem os barcos para a ilha de Siargao, na região do Mindanao, no sul do país).

Ups! O ferrys para Surigao estavam lotados nas próximas 48 horas… O jeito foi dormir na desagradabilíssima Cebu City e pegar um voo até Surigao na manhã seguinte, já no dia 28.

Uma vez em Surigao, mais uma surpresinha: barcos para Siargao? Só amanhã. E dá-lhe passar mais um dia em um lugar cujo principal atrativo era… errrr…. atrativo?

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O tão almejado barco para Siargao sairia na madrugada do dia seguinte, dia 29, às 6 da manhã — você se lembra que a minha odisseia começou no dia de Natal? Cheguei ao porto às 5 da manhã e… tcharan! O barco estava lotado.

Confesso. Eu chorei. Eu quis a minha mãe. Eu cheguei à conclusão de que não estava valendo a pena. O desânimo enfim tomou conta.

Bom, mas havia um barco extra quatro horas depois. Quatro horas pareceram uma eternidade. Mas enfim embarcamos. Uma hora e meia até o barco lotar e zarpar e mais duas horas de viagem (ao lado do banheiro e com briga de galo bombando na TV) até pareceram suaves. A sensação era a de que, naquelas alturas do campeonato, tudo dava na mesma (até mesmo a chuva torrencial que nos recebeu no porto, encharcando as malas e nossos corpos cansados).

Mais uma hora espremida num habal-habal (táxi motocicleta onde milagrosamente cabemos em três pessoas e várias malas) e estaríamos onde queríamos estar.

Então a moto arrancou e o feioso porto foi ficando para trás. Uma estradinha ladeada por enormes mangueiras abriu-se diante de nós. Atrás das árvores, arrozais verdíssimos culminavam em colinas forradas de floresta virgem. Ao longo do caminho, os locais sorriam, acenavam e diziam welcome! Ao fundo, o mar azulíssimo e a merecida revelação de que o hotel reservado era mil vezes melhor do que parecia na internet. Acredite, chegar nunca teve um sabor tão especial. Nos próximos posts falarei de Siargao, minha grande descoberta de 2013.

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