Tiradentes
Ao passar despercebida de qualquer forma de desenvolvimento, desde o declínio do Ciclo do Ouro, no fim do século 18, até os anos 80, quando o turismo floresceu, Tiradentes acabou se tornando uma das cidades históricas mais bem-preservadas do Brasil.
As ruas estreitas com calçamento de pedra conduzem por entre o casario colonial e igrejas barrocas, onde, durante o dia, o som das charretes ecoa num cenário emoldurado pela Serra de São José.
À noite, a luz branda acompanha o clima pacato da cidade. Não por acaso, o lugar tornou-se um dos destinos preferidos de casais, que aproveitam a boa oferta de pousadas de clima romântico, os ótimos restaurantes e a presença de inúmeros ateliês de arte, a maioria deles com peças trabalhadas em madeira, estanho, ferro e pedra-sabão.
QUANDO IR
A cidade lota aos fins de semana e feriados e em épocas de evento, como na Mostra de Cinema (janeiro), no Tiradentes em Cena (maio), no Tiradentes Vinho e Jazz e no Bikefest (ambos em junho), no Festival Cultura e Gastronomia (agosto), na Semana Criativa de Tiradentes (outubro).
Além disso, no verão, entre os meses de outubro e março, as chuvas são mais intensas, o que pode atrapalhar um pouco os passeios ao ar-livre, especialmente subir a íngreme ladeira da Rua da Câmara.
ONDE FICAR
A arquitetura colonial, os detalhes charmosos na decoração e as generosas janelas com vista para o casario marcam a maioria das hospedagens de Tiradentes. Algumas investem em um café da manhã com produtos caseiros; outras, preferem ganhar os clientes com um gostoso chá da tarde.
Acima da Matriz de Santo Antônio, a fantástica Pousada Brisa da Serra tem uma vista privilegiada da Serra de São José que pode ser observada dos quartos com cama com dossel. Ela também é muito buscada para cerimônias de casamento.
Na entrada do Centro Histórico, o Solar da Ponte já virou cartão-postal da cidade: pudera, o hotel foi um dos pioneiros em acreditar no potencial turístico de Tiradentes. Pertinho do Solar da Ponte, a Santíssimo Resort tem apartamentos gigantes e uma piscina muito agradável.
Quartos enormes e linda vista para a serra são marcas da Oratório Pousada Boutique, que fica a cerca de 20 minutos de caminhada do centrinho.
Quem viaja com crianças e não dispensa ficar no Centro Histórico, a Pousada Mãe d’Água está bem no Largo das Forras – de pousada tem apenas o nome, é grandinha com boa área de lazer para a garotada.
Na entrada da cidade, a Pousada Trem do Imperador tem seis chalés, que na verdade são réplicas de vagões de trem. Uma das hospedagens mais novas de Tiradentes, a Pousada Armazém 26 tem quartos com cama king-size e decoração clean.
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ONDE COMER
Diminuta no tamanho e na população, Tiradentes é generosa quando o assunto é boa comida. Principalmente no capítulo “culinária mineira”, onde a cidade tem o melhor conjunto de bons endereços da especialidade.
No Centro Histórico, o Estalagem do Sabor serve pratos de tamanho generosos; nos arredores do Centro, o Virada’s do Largo tem um dos melhores embutidos do país – ambos os restaurantes possuem horta própria.
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No caminho para Bichinho, o Pau de Angu funciona num bucólico sítio cheio de animais no gramado. Já no meio do povoado de Bichinho, o campeão de audiência é o bufê farto e saboroso do Tempero da Ângela.
Mas nem só de comida mineira vive Tiradentes. No Angatu, o chef Rodolfo Mayer incrementa suas receitas com ingredientes brasileiros. Pertinho dali, o Atrás da Matriz tem bacalhau e pizza como carros-chefes. A galinha d’angola é uma das estrelas do menu do romântico Tragaluz. O badalado Uai Thai mistura culinária tailandesa e mineira.
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No distrito de Bichinho, o Atelier da Cerveja é sinônimo de aconchego. Tem carta de cervejas com 80 rótulos, entre nacionais e importadas, incluindo uma de fabricação própria, a Carma, nas versões pilsen, pale ale, bock, stout e german weizen. A casa conta também com uma carta de vinhos para os dias mais frios. Entre os petiscos, salsichões servidos com maionese de batata e mexidinho de abobrinha.
É importante sempre conferir os dias e horários de funcionamento. A terça-feira é conhecida como o “dia da fome” na região porque muitos restaurantes fecham ou tem horários reduzidos.
O QUE FAZER
Dedique uma manhã para as lojas de artesanato do distrito de Bichinho, que apesar da proximidade com Tiradentes, pertence a Prados. Veja algumas opções de passeios por lá. No retorno, conheça o Museu do Automóvel da Estrada Real.
De volta ao Centro Histórico, use calçados confortáveis para explorar as ruas com piso irregular. Entre as atrações estão a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a Igreja Matriz de Santo Antônio, além de museus como o Museu da Liturgia, o Museu Casa Padre Toledo e o Museu de Sant’Ana.
No almoço, prove a comida mineira, seguido por um repouso junto ao Chafariz de São José. Entre uma atração e outra, invista nas lojas que vendem de artesanato e arte a móveis e cachaças.
Ao anoitecer, dá para curtir o astral dos bares com música ao vivo no Largo das Forras, de onde sai o romântico passeio de jardineira.
Com mais tempo, vale explorar a natureza que circunda a cidade, como as trilhas na Serra de São José. Reponha as energias no Estalagem do Sabor – ou, se for um sábado, no Leitão do Luiz Ney.
Outra opção é embarcar no passeio de trem até São João del Rei (saiba mais abaixo).
Maria-Fumaça
Um dos passeios mais procurados por turistas acontece de sexta-feira a domingo, em horários não totalmente fixos, principalmente às sextas-feiras. Consulte aqui a tabela vigente. Quem embarca em Tiradentes, antes de entrar no trem, assiste a Rotunda, quando a maria-fumaça gira manualmente (é preciso muito muque) para mudar de sentido.
O passeio percorre 12 km do trecho da Estrada de Ferro Oeste de Minas, ladeando o Rio das Mortes, tendo as montanhas da Serra de São José compondo a paisagem ao lado direito. Como os assentos não são marcados, não demore para embarcar e garantir o lugar desse lado do trem (quem faz o sentido inverso, deve buscar o lado esquerdo).
Após 40 minutos, a maria-fumaça chega a São João del Rei. Uma vez que o horário de retorno não é tão amistoso, vale a pena conhecer o Museu Ferroviário, dar um rolê pelas construções históricas da cidade e retornar de táxi ou de ônibus de linha.
Como chegar
O principal aeroporto de acesso a Tiradentes é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Confins, a 230 km, mas o mais próximo é o de Juiz de Fora, a 155 km.
De carro, saia de Belo Horizonte pela BR-040, e, após Congonhas, pegue a BR-383 até São João Del Rei, de onde é possível pegar a BR-265 até Tiradentes. De ônibus, é necessário ir até São João del Rei e, de lá, fazer baldeação para Tiradentes.
Para quem sai de São Paulo, é preciso ir pela Fernão Dias (BR-381) até a saída para Lavras, de onde a BR-265 leva para Tiradentes. Do Rio de Janeiro, o caminho começa na BR-040 até Barbacena, de onde sai a BR-265.
De ônibus a partir de São Paulo, com saída do Tietê, são cerca de 8 horas até São João del Rei com a Viação Útil; de lá, pegue um ônibus de linha da Viação Presidente até Tiradentes.
Como circular
Quase tudo fica concentrado nas ruas com calçamento irregular do Centro Histórico – fácil de explorar a pé, a única dificuldade é subir a Rua da Câmara para chegar na Matriz de Santo Antônio. Para ir até as pousadas mais afastadas (a até 5 km do Centro), há um ponto de táxis no Largo das Forras, que funcionam sem taxímetro. Carro só será útil para conhecer o distrito de Bichinho e região (e para levar as compras).





