Seattle: passeios, restaurantes, hotéis e mais

Site: https://www.visitseattle.org/

População: 724.000 habitantes

Distância de outras cidades: Olympia, 76 km; Aberdeen, 132 km; Vancouver (Washington), 220 km; Vancouver (Canadá), 232 km; Portland, 233 km.

É como se um disco voador pairasse nos céus de Seattle. A cidade famosa por seus cafés, camisas de flanela e dias cinzentos tem como cartão-postal a excêntrica Space Needle. A torre foi construída nos anos 1960, quando o estilo futurístico estava na moda e a economia local pegava carona no sucesso dos aviões da Boeing, na época sediada na cidade.

Embora não tão alto, seu observatório a 160 metros de altura é uma passagem agradável para entender a geografia particular da maior metrópole do estado de Washington, no noroeste dos Estados Unidos, vendo as balsas que atravessam a Baía Elliott e os picos nevados do Monte Rainier.

Vista da Space Needle, Seattle, Washington

Da Space Needle vê-se a Baía Elliot (Pfly/Flickr)

Um roteiro pela Seattle clássica, cheia de referências históricas, pode começar justamente pela Space Needle. Ali, de manhã à noite, ouve-se um burburinho constante de gente e câmeras fotográficas.

Da Space Needle, uma ideia é pegar o monotrilho – outra herança futurista da década de 60 – para ir ao centro histórico visitar mais um símbolo de Seattle, o Pike Place Market. Inaugurado em 1907, o mercadão é um dos mais antigos do país, com cerca de 200 comerciantes. Aqui é difícil escapar da muvuca de turistas – e muito cuidado ao atravessar as peixarias, conhecidas pela brincadeira de arremessar ao ar seus suculentos salmões.

Pike Market, Seattle, Washington

No Pike Market, o tema é a comida (Danita Delimont/Gallo Images/Getty Images)

Além dos produtos frescos (com destaque para os caranguejos enormes e as flores exóticas), o Pike Place tem lojas subterrâneas, muitas com um espírito vintage. Há vendedores de antiguidades, uma loja de mágica empoeirada e uma banca com revistas dos anos 60 e 70. Para os fãs de quadrinhos, a Golden Age Collectables declara ser a mais antiga dos Estados Unidos.

Também na frente do mercadão, a bagunça é grande, com restaurantes, artistas de rua e lojinhas. Procure a saída pelo Gum Wall (1428 Post Alley), contando com a ajuda do cheiro doce: você encontrará a fachada de um teatro toda coberta por chicletes mastigados, uma tradição que começou na década de 90 e é mantida diariamente pelos novos visitantes. Para quem tem estômago fraco, melhor passar longe.

Gum Wall, Seattle, Washington

Gum Wall, a parede de chicletes (Nicola/Flickr)

 

Berço da Starbucks

A uma quadra e meia do Gum Wall, uma fila pode ser vista de longe para entrar na primeira Starbucks do mundo – a única que ainda leva o logotipo original da sereia de seios de fora. A cafeteria estreou em 1971 num endereço diferente e se mudou cinco anos depois para o local atual (1912 Pike Place).

Caneca do primeiro Starbucks

Os seios da sereia na Starbucks (Bfishadow/Flickr)

Mas as opções de café são tantas na cidade que não vale a espera. Vizinho ao Starbucks está o Coffee Works (107 Pike Street), com seleções vindas do mundo todo, degustações e métodos diferentes de preparação (sim, aqui tem espresso).

Dali, uma caminhada de 20 minutos leva até o Olympic Sculpture Park, construído numa área industrial replanejada em 2007 para receber obras de grande escala. Entre elas, uma escultura de Alexander Calder, uma instalação de Richard Serra e uma fonte de Louise Bourgeois.

Cafeteira do Coffee Works, Seattle, Washington

Cafeteira do Coffee Works (Divulgação/Divulgação)

No meio do caminho entre o Pike Market e o parque está um dos hotéis mais históricos do estado, o The Edgewater, único localizado na beira do cais da Baía Elliott e que se vangloriava por deixar seus hóspedes pescarem da janela dos quartos. No auge da fama, em 1964, os Beatles se hospedaram ali – uma foto do quarteto jogando seus anzóis é reproduzida em camisetas e ímãs de geladeira, vendidos na lojinha do hotel.

Outra banda que passou pelo Edgewater foi o Led Zeppelin, em 1969. Na ocasião, os britânicos foram envolvidos em um escândalo sexual que tinha como protagonistas uma fã e um pescado.

Wake, instalação de Richard Serra em Seattle

Wake, instalação de Richard Serra (Manuel Valdes/Glow Images)

Hoje, não há mais varas de pescar nos quartos. Mas o restaurante do hotel, Six Seven, é bom. Ali se tem uma vista incrível da baía – aproveite a happy hour até às seis da tarde, com drinques, vinhos e aperitivos.

Rota Nirvana

Por falar em bandas e fãs, Seattle também é rota de peregrinação dos roqueiros em geral. As camisas de flanela e os jeans rasgados já não dominam tanto a paisagem da cidade, berço do grunge, movimento do rock alternativo que se espalhou pelo mundo nos anos 90. Hoje, Seattle tem uma vibração mais moderninha, com gente de camisetas coloridas, calças justinhas e bigodes bem aparados.

Mas ainda há muitos rastros do som que surgiu aqui, e uma visita a um museu é um bom começo para relembrar as histórias tumultuadas de bandas como Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam. O antigo EMP Museum (Experience Music Project), agora MoPOP (Museum of Pop Culture) é focado em cultura pop, música e ficção científica, sempre com alguma exposição relacionada ao grunge.

MoPop, Seattle, Washington

O antigo EMP Museu, agora MoPop, espelho da Space Needle (Bruce Yuanyue/Lonely Planet Images/Getty Images)

O museu fica ao lado da Space Needle e tem arquitetura surreal de Frank Gehry, o mesmo do museu de Bilbao. Abriu em 2000, patrocinado por Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, cuja sede é em Redmond, a 26 quilômetros de Seattle. Além do grunge, o museu se dedica a outro residente ilustre, Jimi Hendrix, e tem a maior coleção do mundo de artefatos relacionados ao músico.

Para os fãs obcecados pelo Nirvana, há muito mais. É possível passar em frente à mansão de tijolos aparentes onde Cobain se suicidou, em 1994, aos 27 anos (171 Lake Washington Blvd.), e deixar flores no pequeno parque ao lado, o Viretta Park, onde os bancos de madeira estão todos riscados por homenagens ao cantor.

Um dos primeiros lugares em que o Nirvana tocou foi no histórico Central Saloon (207 First Ave. South), bar mais antigo de Seattle que hoje recebe um público mais descolado que os rebeldes do grunge. Cobain também frequentava o pub Linda’s Tavern (707 East Pine Street) e gostava de comer no Cactus (4220 East Madison St.).

Cactus, Seattle, Washington

Comilança numa das unidades do Cactus (Divulgação/Divulgação)

Outro símbolo do grunge que morreu na cidade foi Layne Staley, líder do Alice in Chains, aos 34 anos, em 2002, em seu apartamento no bairro University District (4528 8th Ave. NE), atrás de seu bar favorito, o Blue Moon Tavern (712 NE 45th St.).

O grupo de Staley foi a banda da casa do The Off Ramp em 1990, atualmente sob nova direção e nome, El Corazon (109 Eastlake Ave. E). O espaço que promove shows de rock nos fins de semana recebeu o Nirvana e foi a estreia do Pearl Jam, em 1990, quando o grupo de Eddie Vedder ainda se chamava Mookie Blaylock.

Sanduíche do Cafe Campagne, Seattle

Patê de fígado com pão gougères nos sandubas gêmeos do Cafe Campagne (Divulgação/Divulgação)

Mundo Ballard

Se o grunge é passado para Seattle, o hipster é presente total. Uma cidade diferente da grungeria, rejuvenescida e novidadeira se acha no bairro de Ballard, onde bares e restaurantes ocupam as principais ruas, muitos voltados para uma culinária saudável, de produtos orgânicos e locais.

Boa parte dos novos estabelecimentos surge na charmosa Ballard Avenue, como a sofisticada pizzaria Stoneburner (nº 5214), cujo dono é chef de outro favorito da região, o bistrô Bastille (nº 5307). Ambos usam ingredientes comprados na feira que acontece na mesma rua, aos domingos, evento que reúne turistas, donas de casa e hipsters em geral, todos em busca de vegetais, frutas e flores, além de sucos e smoothies.

Pizza da Stoneburner, Seattle, Washington

Pizza da Stoneburner (Divulgação/Divulgação)

Atividade badalada no bairro é o Art Walk, todo segundo sábado do mês, quando dezenas de galerias abrem suas portas para apresentar seus artistas. Não deixe de pegar o semanário gratuito The Stranger para ficar por dentro do calendário da cidade.

Na hora da sobremesa, vale muitíssimo a pena esperar na fila para experimentar os bolos quentes com sorvete do Hot Cakes Molten Chocolate Cakery (nº 5427), que também serve opções veganas. A uma quadra dali, uma sorveteria mais singela, a Full Tilt, mistura sabores básicos e exóticos num espaço repleto de máquinas de fliperama.

O bairro guarda lojas bacanas para presentes, como os ótimos souvenires do Venue Work Studio (5408 22nd Ave. NW). E é a casa de duas lojas independentes de música, uma na frente da outra, na Market Street: a Bop Street (nº 2220), dedicada a vinis, e a Sonic Boom Records (nº 2209), com lançamentos em CDs e vinis.

Homem tocando violão no bairro de Ballard, Seattle

Violão & bike no bairro Ballard (Michael Hanson/Corbis/LatinStock/Reprodução)

No caminho para Ballard, já é um clássico descolex dar uma parada numa das atrações mais peculiares de Seattle, o Fremont Troll (3600 Troll Ave. N), uma grande escultura de um troll (claro) debaixo de uma ponte no bairro vizinho de Fremont. Repare em sua mão esquerda, que segura um Fusca de verdade. A obra foi comissionada em 1990 para ocupar a área então tomada por usuários de drogas.

A propósito: o governo de Washington legalizou o uso recreativo da maconha em 2012. Uma das grandes lojas é a Cannabis City (2733 4th Ave. St.). O estabelecimento ficou sem estoque poucas horas após a abertura, na metade de 2015, quando a venda foi autorizada.

Guia VT

Ficar

Histórico, o The Edgewater é uma atração em si. Se o caso é luxo, vá de Hotel Ballard. O Hampton Inn & Suites Downtown é um três-estrelas econômico e bem localizado. Já o descolado Ace Hotel tem tarifas mais baratas nos quartos com banheiro compartilhado.

Comer

Do Six Seven, no Hotel Edgewater, tem-se vistas incríveis da baía. Imperdíveis são os restaurantes do Pike Place Market – um dos mais tradicionais é o Cafe Campagne, estilo brasserie parisiense. Kurt Cobain frequentava a unidade em Madison Park da rede Cactus, que serve comida tex-mex em suas cinco filiais. E tem ainda os restôs bacanas da Ballard Avenue.

Passear

A torre Space Needle, maior cartão-postal da cidade, abriga um restaurante giratório, o SkyCity. O monotrilho Seattle Center Monorail foi inaugurado em 1962 e leva da torre até o centro histórico. A curadoria das obras expostas no Olympic Sculpture Park é feita pelo Seattle Art Museum.

O museu MoPOP é a parada para música e cultura pop. Todo segundo sábado do mês, as principais galerias do bairro de Ballard organizam o Ballard Art Walk, um tour gratuito pelas principais atrações artísticas do bairro.

Literatura para todos

Seattle é a casa da Amazon.com, mas livrarias à moda antiga vão sobrevivendo – entre as independentes, a maior é a Elliott Bay Book Company.

Há ainda as super especializadas:

Agitar

Mais antigo bar da cidade, o Central Saloon tem shows ao vivo de duas a quatro vezes por semana – foi lá que Kurt Cobain fez uma de suas primeiras performances públicas. O vocalista do Nirvana também frequentava a Linda’s Tavern. Outra taberna tradicional é a Blue Moon Tavern, que faz muito sucesso entre os estudantes universitários. O El Corazon recebe bandas indies em turnê por Seattle.

Língua

Inglês com sotaque limpo e bem compreensível – mas há menos falantes de espanhol que no sul e na Costa Leste do país.

Melhor estação

No verão (jun/set), os dias são mais quentes, e as chuvas, mais raras.

Fuso horário

-4h (horário de Brasília).

Saúde

Nenhuma vacina específica é necessária para entrada no país.

Documento

 O visto é exigido para entrada.

Por Fernanda Ezabella

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