Como é a procissão do Círio de Nazaré, em Belém do Pará

Um relato sobre o Círio de Nazaré, uma espécie de maratona religiosa que reúne cerca de 2 milhões de pessoas nas ruas de Belém do Pará, em outubro

Por Carmen Fukunari Atualizado em 16 set 2021, 15h09 - Publicado em 17 fev 2017, 12h22

Primeiro domingo de outubro. Ainda falta uma semana, mas a maniçoba já está no fogo, anunciando a chegada do Círio de Nazaré, em Belém do Pará.

O fogão não descansa um único minuto: sai a panela com a folha da mandioca, entra o pato para assar; sai o pato, refoga o jambu… E, nesse ritmo, o perfume que se desprende da cozinha atrai familiares e amigos para a principal data do calendário paraense.

O Círio não é apenas uma das mais longevas festas religiosas do Brasil, mas também uma das maiores, que costuma reunir cerca de dois milhões de pessoas.

No sábado, véspera da procissão, famílias inteiras se aglomeram na Escadinha do Cais do Porto, no centro da cidade, à espera da padroeira.

Como grande parte do visitantes, ela chega de barco, vinda do bairro de Icoaraci e acompanhada por uma romaria fluvial repleta de barulhentos jet skis, lanchas e embarcações maiores que agitam as águas da Baía de Guajará.

Em terra firme, o fuzuê fica a cargo do também ensurdecedor barulho de buzinas e do ronco de escapamentos de 15 mil motocicletas, já na concentração para a “motorromaria” que segue com a Virgem de Nazaré até a parada seguinte, o Colégio Gentil Bittencourt.

Neste momento, a cidade ferve. Literalmente, com as temperaturas nada amenas da região amazônica, ou no sentido figurado, com a programação cultural intensa que acompanha a festa religiosa. Em paralelo ao sagrado, shows e apresentações folclóricas pipocam em vários pontos da capital.

Pessoas se reúnem em frente ao Mercado Ver-O-Peso, em Belém, para acompanhar a festa do Círio de Nazaré. Crédito:
Pessoas se reúnem em frente ao Mercado Ver-O-Peso, em Belém, para acompanhar a festa do Círio de Nazaré. Crédito: Celso Abreu/creative commons/Flickr

Fim de tarde, o calor finalmente dá uma trégua, e está na hora de a Virgem de Nazaré andar de novo. Desta vez até a Catedral da Sé, em uma procissão conhecida como Trasladação da Santa, em que os fiéis iluminam o caminho com velas.

Quer ver a imagem? A hora é essa, especialmente se você agir estrategicamente, montando tocaia na Praça Frei Galvão, em frente à Catedral, e conseguindo marcar terreno até ela passar.

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Afinal, no domingo, não basta reza brava para acompanhar a procissão perto da corda que conecta os fiéis à imagem da santa. É preciso também madrugar.

Às 5h30, uma multidão de fiéis já se aglomera em frente à catedral para ver a missa. O sol ilumina o mar de gente, e a caminhada de fé se inicia em direção à Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.

Os mais fervorosos – e corajosos – formam um cordão humano em toda a extensão da corda e mal encostam os pés no chão, sendo levados no corpo a corpo por outros fiéis.

Alguns seguem descalços, outros carregam pesadas cruzes, réplicas da santa ou objetos que remetem a alguma graça alcançada. Nessa imensidão humana, ver pessoas saindo em macas do meio da romaria é a coisa mais comum do mundo. Uma ópera da vida real ao som de cânticos religiosos.

E não pense que o Círio acaba aí. A imagem fica exposta por mais uma semana na Praça do Santuário, em frente à Basílica de Nazaré, mas a festividade só termina 15 dias depois, com o chamado Recírio.

Nesta última procissão, os fiéis se despedem da Santa e a imagem volta para sua “casa”: o altar da Basílica de Nazaré. Até o próximo Círio, naturalmente.

Comer, rezar e comprar

Para aguentar toda a programação, só se hidratando e se alimentando bem. Quem não tem família na cidade pode se fartar no restaurante Remanso do Bosque, dos irmãos Felipe e Thiago Castanho, que costuma aparecer nos rankings de melhores restaurantes do mundo.

Convém reservar, já que, durante o Círio, fica ainda mais lotada. Assim como os hotéis. Decidiu ir? Reserve já a sua hospedagem.

E não deixe de aproveitar a festa para comprar os tradicionais brinquedos de miriti, confeccionados com o levíssimo caule dessa palmeira. É difícil encontrá-los em Belém em outras épocas do ano.

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