CCBB de Belo Horizonte expõe ilusões de ótica de Leandro Erlich

A mostra, que também passará pelo Rio de Janeiro e São Paulo, traz 19 obras do famoso artista argentino

Por Bruno Chaise Atualizado em 21 set 2021, 12h28 - Publicado em 21 set 2021, 12h23

As mais criativas ilusões de ótica do artista argentino Leandro Erlich estão expostas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Belo Horizonte desde o dia 15 de setembro. A curiosidade em torno das obras tem sido tamanha que poucos dias após a estreia já tinham se esgotado todos os ingressos para as duas primeiras semanas da mostra, batizada de “A Tensão”. A entrada é gratuita, mas devido à pandemia é preciso agendar a visita com antecedência através do site. Felizmente, a exposição ficará em cartaz na capital mineira até 22 de novembro. Depois disso, ela seguirá para os CCBBs do Rio de Janeiro (5 de janeiro a 7 de março) e de São Paulo (13 de abril a 20 de junho).

O principal chamariz é a obra Swimming Pool, com a qual você pode já ter se deparado nas redes sociais. Como o próprio nome sugere, a instalação idealizada por Erlich em 1999 é uma piscina que brinca com a percepção dos visitantes: as pessoas que entram nela parecem estar submersas, mas não se molham e respiram normalmente. O segredo está em um conjunto de jatos d’água que simulam as ondulações naturais de uma piscina sobre uma camada de vidro quase imperceptível. Devido ao seu tamanho considerável, a piscina foi instalada no pátio do CCBB de Belo Horizonte.

Exposição do Erlich, obra Swimming Pool
A ‘Swimming Pool’ ficou exposta durante anos no MOMA PS1, em Nova York. Crédito: Guyot/Ortiz/Divulgação

Porém, há outras 18 criações do argentino para apreciar – e algumas se revelam ainda mais surpreendentes do que a própria Swimming Pool. De elevadores flutuantes a janelas para jardins imaginários, tudo funciona como uma espécie de jogo para testar quem está prestando atenção (inclusive no nome da exposição). O curador da mostra, Marcello Dantas, explica que cada ilusão de ótica só se materializa com a presença do público. Por esse motivo, as obras causam tensão pelo mistério antes da aproximação dos visitantes e também exigem atenção para compreender o que está se vendo.

Um bom exemplo disso é a instalação Hair Saloon, que abre a mostra. O espaço recria um tradicional salão de beleza, mas ao se sentar em uma das cadeiras, o visitante se surpreende ao ver o rosto de outra pessoa refletida no espelho. Uma ilusão de ótica semelhante está presente em Classroom, onde a imagem das pessoas são projetadas para dentro de uma sala de aula fantasmagórica. Também merece destaque a obra The View, um vídeo digno de Hitchcock que incita a observar a rotina de uma vizinhança ficcional através da persiana de uma janela. “Gosto da ideia de pensar que o olho, ou o vidro, também são capazes de guardar histórias, assim como gosto que as pessoas saibam reconhecer como os trabalhos são feitos’, afirma Erlich. 

O “manipulador do real” 

Referências às ilusões de Robert Baker e M.C. Escher e ao surrealismo de René Magritte estão fortemente presentes na obra de Leandro Erlich, que nasceu em Buenos Aires em 1973. O próprio argentino afirma que a sua paixão é transformar o que as pessoas acreditam que não pode ser transformado, de forma que quase todas as suas criações estão na fronteira entre a realidade e a ilusão. “Essa ação nos convida a imaginar a realidade de uma maneira diferente”, defende ele.

Reconhecido internacionalmente, Erlich já teve obras expostas em cidades como Nova York, Barcelona, Londres, Seul e Paris. Ele já esteve no Brasil para participar de eventos como a 1ª Bienal do Mercosul em 1997 e a 26ª Bienal de São Paulo em 2004, mas A Tensão” é a maior exposição do argentino já feita por aqui. 

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O artista também é conhecido pelas suas intervenções urbanas. Em 2015, ele ganhou as manchetes internacionais depois de ocultar a ponta do Obelisco de Buenos Aires e instalar uma réplica dessa porção superior na entrada do Museu de Arte Latino-Americano (MALBA). 

Em Paris, Erlich instalou uma “casa derretida” logo em frente à estação Gare du Nord para lembrar os passantes sobre a crise do aquecimento global. Ainda na Cidade Luz, ele deu um “nó” nas escadas rolantes da loja de departamentos Le Bon Marché e transformou o teto da construção em um céu permanentemente azul.

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