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Cabo Frio: Carlos Scliar e Cildo Meireles juntos na mesma exposição

Carlos Scliar morou por décadas na Região dos Lagos e lá produziu grande parte da sua obra, que pode ser vista na casa onde viveu

Por Da Redação
Atualizado em 8 jul 2024, 17h00 - Publicado em 8 jul 2024, 14h00

O pintor, desenhista e gravurista gaúcho Carlos Scliar viveu em Cabo Frio, na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, por mais de 40 anos e foi lá que desenvolveu grande parte da sua obra. A casa onde morou abriga um museu e até junho de 2025 será possível ver a exposição “Os Artivistas: Carlos Scliar e Cildo Meireles”, que marca os 20 anos da Casa Museu Carlos Scliar. A mostra reúne, pela primeira vez, a obra desses dois importantes artistas que também eram amigos.

São apresentadas cerca de trinta obras, sendo algumas inéditas, que cobrem um período que vai desde a década de 1940 até 2021. Completam a mostra obras de outros artistas, inspiradas nos trabalhos da dupla Scliar e Cildo. A exposição tem entrada gratuita até o final de agosto.

Pergunte quem, de Carlos Scliar
Pergunte quem, de Carlos Scliar (//Reprodução)

As obras de Cildo Meireles e Carlos Scliar estão expostas juntas, como uma grande instalação, sem seguir ordem cronológica. São pinturas, desenhos, colagens, estudos, gravuras, objetos e vídeos. De Cildo, estão as notas Zero Dólar (1984) e Zero Cruzeiro (1978), a instalação sonora Rio Oir (2011), o vídeo 15 segundos (2021), em homenagem a Marielle Franco, entre outras obras. De Scliar, destacam-se os desenhos Levante do Gueto de Varsóvia (1957) e SOS (1989), além de desenhos e estudos, alguns inéditos, que tratam de temas como a cultura afro-brasileira e o holocausto. “Sou um grande admirador dos desenhos do Scliar, acho que ele era um desenhista dos mais talentosos do Brasil, verdadeiramente sensível”, diz Cildo Meireles.

Na mostra é possível ver também a capa da Revista Horizonte, feita por Scliar em 1952, onde se lê: “Assine Apelo Paz”. “A Segunda Guerra Mundial o marcou muito, Scliar foi pracinha, atuou como cabo de artilharia. No período pós-guerra participa ativamente de movimentos a exemplo o Congresso pela paz ocorrido na antiga Tchecoslováquia, a mensagem trazida na obra é fundamental”, diz a curadora Cristina Ventura. Uma reprodução tátil desta matriz faz parte da exposição para que o visitante possa manuseá-la. Também estará na exposição um texto inédito do artista, da década de 1980, narrado pela cantora e compositora Marina Lima. No documento, Scliar expressa sua indignação e cansaço diante da nossa construção histórica. A cantora cresceu vendo obras de Scliar, colecionadas por seu pai: “uma imagem afetiva que nunca esqueço”. A gravação foi feita especialmente para a exposição.

Zero Dólar, de Cildo Meireles
Zero Dólar, de Cildo Meireles (//Reprodução)

Com trajetórias diversas, Carlos Scliar e Cildo Meireles se conheceram em 1966. “A partir do nosso primeiro encontro, onde mostrei meus desenhos, ele se interessou em mostrar esses trabalhos para alguns colecionadores e a partir daí praticamente me financiou. Sempre foi uma pessoa de uma generosidade muito grande, não só no meu caso, mas também com outros artistas jovens que estavam iniciando. Ele era uma pessoa de um entusiasmo intrínseco, estava sempre incentivando, sempre apoiando”, conta Cildo Meireles. Os dois foram muito amigos durante toda a vida e, em diversos momentos, tratam de questões similares em seus trabalhos, como no período da ditadura militar.

Serviço

Os Artivistas: Carlos Scliar e Cildo Meireles

Casa Museu Carlos Scliar

Rua Marechal Floriano (Orla Scliar), 253 – Cabo Frio, RJ

De terça a sexta das 14h30 às 18h. Sábados das 15h30 às 19h.

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As visitas serão gratuitas até o final de agosto de 2024

Exposição até junho de 2025

Casa Museu Carlos Scliar

Telefone: (22) 2040.9408/ (22) 98157.4222

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