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Airbnb: trepar não é a questão

A dona de um imóvel acusa o inquilino de ter transformado a casa dela em um bordel. Mas o buraco é mais embaixo

Por Fabricio Brasiliense Atualizado em 16 abr 2021, 13h19 - Publicado em 14 abr 2021, 17h42

Não se falou em outra coisa nesta quarta-feira (14) e o episódio virou trending topics do twitter: um áudio trocado entre Verônica, dona de um Airbnb, e Felipe, o inquilino que alugou a casa dela para um churrasco de aniversário com outros 15 amigos. Nas mensagens, Verônica acusa Felipe de ter transformado a confraternização em suruba. Até a publicação deste texto, ninguém desmentiu a veracidade dos áudios, que são hilários, mas fazem pensar.

Aos fatos: se Felipe usou cômodos da casa que estavam proibidos, danificou móveis, manchou toalhas e lençóis, quebrou copos, rasgou o sofá, entupiu encanamento ou causou qualquer outro dano ao imóvel, ele deve ressarcir Verônica e sofrer as sanções impostas pela plataforma, simples assim. Se Felipe fez uma festa regada a sexo e entre os participantes estavam menores de idade, ele deve prestar contas à Justiça. 

No mais, se Felipe fez uma festa que lá pelas tantas culminou com “homem pelado e mulher pelada trepando em tudo quanto é lugar da casa”, como disse Veronica no áudio, a pergunta é: como ela sabe? Só há uma maneira: vídeos ou fotos. Mas nesse caso, quem infringiu a regra de gravar imagens sem consentimento dos retratados? Câmera oculta não é assunto novo para quem se hospeda em Airbnb. No mundo todo e até no Brasil há casos de hóspedes que descobriram câmeras escondidas nas casas que alugaram pela plataforma. 

O Airbnb, para se precaver, estabeleceu regras caso o anfitrião instale sistema de vigilância na residência, que são:

  • “Dispositivos de gravação ocultos intencionalmente (como câmeras de segurança escondidas) nunca são permitidos
  • O Airbnb proíbe câmeras de segurança ou dispositivos de gravação no interior do espaço ou que gravem o interior de espaços privados (como quartos, banheiros ou áreas de dormir)
  • Você deve indicar a presença de todas as câmeras de segurança ou outros dispositivos de gravação dentro de uma acomodação ou perto dela, mesmo que não estejam ativados ou conectados
  • Câmeras de segurança não divulgadas ou outros dispositivos de gravação nunca são permitidos
  • Você também deve sempre informar se há uma gravação ocorrendo”

Neste link, o Airbnb explica como o anfitrião deve informar no anúncio como se dá a presença de câmeras na acomodação.

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Verônica, a anfitriã, evoca diversas vezes as regras da plataforma que Felipe teria infringido. E ele teria mesmo se nelas estivesse escrito: “proibido trepar”, como ele mesmo mencionou no áudio para Verônica. No site do Airbnb há um tópico que diz “Defina suas expectativas” e lá está escrito que “também é uma boa ideia verificar se a descrição do anúncio e as Regras da Casa estão corretos, para que os hóspedes saibam o que esperar antes de fazer a reserva”.

Em 20 de agosto do ano passado, o Airbnb lançou uma política sobre festas e eventos por ocasião da pandemia e dentre as regras estava que “encontros com mais de 16 pessoas — incluindo hóspedes e visitantes — não serão permitidos, mesmo com autorização prévia do anfitrião”. Felipe fez uma reunião com 15 pessoas, ou seja, não infringiu regra alguma. Evocar que estamos numa pandemia, como Verônica fez no áudio, também não tem cabimento porque a plataforma permitiu. O plausível teria sido proibir qualquer tipo de agrupamento e ponto final.

Ter de anunciar, como a anfitriã sugeriu, “olha, quero organizar um churrasco com os amigos na sua casa e pode ser que role” é o mais inquietante. Aliás, há provas de que as pessoas que saem de férias fazem mais sexo do que quando estão em casa. Então, se você for anfitrião ou planeja colocar algum imóvel no Airbnb, mas não concebe ter o seu sofá, sua banheira ou sua cama maculados por estranhos, melhor nem entrar no ramo. O que um hóspede faz da porta para dentro, não sendo ilícito, não diz respeito a ninguém.

e-mail: fabricio.brasiliense@abril.com.br

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